segunda-feira, 31 de outubro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

Bom sinal

     Importante a decisão do Ministério Público de pedir a condenação das inúmeras irregularidades da voraz construção civil  que invade há anos as áreas de preservação permanentes (APPs). O MP também apontou  o município de Viçosa como réu. Aparece, com força, na figura do MP, um parceiro dos que defendem regras mínimas e sustentáveis, confirmando que há uma série de danos inquestionáveis ao meio ambiente. Pode ser o início de um controle sobre essas práticas insustentáveis.  Pode ser... mas vamos ficar com um pé atrás.
     Essa "festa" começou há pelo menos uns vinte anos, com o edifício garagem da Rua Milton Bandeira, que deu um chega prá lá no ribeirão São Bartolomeu e o "Shopping Chequer". Depois vieram,  dentre outros,  mais ou menos nesta ordem, o Shopping da Moda, em cima do Córrego de Fátima; o Carandiru que entubou o S. Bartolomeu; o centro comercial em frente ao edifício garagem; o edifício comercial do outro lado do ribeirão (onde funciona o IPLAM); o condomínio Ecolife, na Rua Nova; o edifício de uso misto na esquina da Rua dos Passos com o início da Milton Bandeira; o prédio em cima do campinho do Atlético; o apart hotel na rua dos Estudantes. Ainda hoje há alvarás de construção sendo fornecidos  para prédios a serem construídos em cima de nascentes, em plena praça do Rosário.
     Importante lembrar que também existem construtores que fizeram obras de boa arquitetura e com adequado respeito ao ambiente. Podemos citar o conjunto "Alameda", no morro em frente ao hospital São Sebastião e o edifício Santa Catarina, na avenida P. H. Rolfs com fundos para o S. Bartolomeu.
    Ao mesmo tempo parece que perceberam a bobagem que já iam fazendo com aquelas barraquinhas metálicas ao lado da entrada da praça (!?) do Carandiru. O anúncio do embargo deve ser concretizado e providenciada a a retirada daquelas excrescências. Vamos ficar torcendo, com o outro pé atrás.
     Há, ainda, muito trabalho para o Ministério Público, que deve ainda cobrar porque o município continua sem o Plano Diretor revisado, e questionar as alterações da lei do Uso do Solo, feitas apenas para atender aos interesses de algumas construtoras.

Seminário DAU/UFV

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mais uma sobre a educação em Minas

Sabem aqueles professores contratados até o fim do ano pelo governo do estado para substituir os grevistas?
Foram demitidos. Estão no olho da rua. É assim que o governo mostra a cara. Dinheiro para a Copa aparece!
Foto:
http://observadoressociais.blogspot.com/2011/09/mensagem-de-joao-pedro-stedile-aos.html

Desrespeito

Pessoas com deficiência não incluem as com deficiência de civilidade.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CAU MG - chapa eleita

Resultado final da eleiçõa para o CAU MG: a chapa única obteve 3123 votos (70,75%) dos 4414 votos válidos. É só o começo de uma longa jornada! Precisaremos do apoio de todos os Arquitetos e Urbanistas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CAU MG


CHAPA 1 - GERAES

A composição da Chapa 1,  para o CAU MG busca refletir a diversidade regional de Minas Gerais  capital, região metropolitana e interior  e osdiversos segmentos profissionais do campo de atuação dos arquitetos e urbanistas. A Chapa Geraes busca, também, representar as entidades que, unidas no CBA, Colégio Brasileiro de Arquitetos, foram responsáveis pela conquista do CAU.
Neste momento de afirmação da Arquitetura e do Urbanismo como campo específico de conhecimento e profissão regulamentada imprescindível ao desenvolvimento do país e à qualidade de vida em nossas cidades e áreas rurais, a Chapa Geraes apresenta as diretrizes e metas para a efetiva implantação do CAU, para a valorização da Arquitetura e do Urbanismo e para a ampliação e fiscalização dos serviços prestados pelos arquitetos e urbanistas à sociedade.
O primeiro passo é levar ao conhecimento dos profissionais a lei 12 378, de 31 de dezembro de 2010, que regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo e cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal, autarquias dotadas de personalidade jurídica de direito público. Nela estão relacionadas as atividades e as atribuições profissionais; os campos de atuação, definidos a partir das diretrizes curriculares nacionais; as condições para o registro profissional e para a anotação do acervo técnico; as infrações e sanções disciplinares. A lei estabelece as competências do CAU BR e dos CAUs estaduais, a composição dos plenários, a duração dos mandatos, as receitas e a obrigatoriedade de prestação de contas ao Tribunal de Contas da União. Estabelece, ainda, a anuidade devida pelo profissional e institui o RRT, Registro de Responsabilidade Técnica.
Os profissionais com título de arquitetos e urbanistas, arquitetos e engenheiro arquiteto, com registro nos atuais Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia terão, automaticamente, registro nos CAUs com o título único de arquiteto e urbanista. 
Cabe ao CAU, assim, orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da categoria em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo. 
Para tanto, a Chapa 1  propõe:
1.       Garantir a continuidade e o aprimoramento dos serviços de registro, acervo e fiscalização da prática profissional;
2.       Garantir o registro dos profissionais arquitetos e urbanistas, baseado na formação plena prevista nas diretrizes curriculares nacionais;
3.       Implantar a Comissão Permanente de Ensino e Formação para constante interlocução com as Instituições de Ensino Superior e com os estudantes dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais, buscando garantir o diálogo direto entre a habilitação profissional e os currículos universitários.
4.       Envidar esforços para a implantação da Residência em Arquitetura e Urbanismo, articuladamente com as Instituições de Ensino, propiciando aos seus egressos a formação continuada no modelo de atuação profissional supervisionada;
5.       Envidar esforços para a imediata implantação da Assistência Técnica prevista na Lei 11888/2008;
6.       Fazer gestão junto aos órgãos públicos para reformulação da Lei 8666/93, buscando a implantação de políticas amplas de qualidade de planos diretores, projetos de Arquitetura e de Urbanismo e execução de obras, particularmente na garantia de que as licitações de execução de obras sejam sempre feitas com base em projetos executivos completos.
7.       Fazer gestão junto aos órgãos públicos para que as licitações de projeto de Arquitetura e de Urbanismo privilegiem a melhor técnica, preferencialmente na modalidade de concurso público, buscando garantir a qualidade final dos projetos e, consequentemente, das obras.
8.       Exigir do Estado e das Prefeituras a criação e a manutenção de quadros técnicos permanentes de Arquitetos e Urbanistas em número adequado ao desenvolvimento de suas atividades referentes à Arquitetura e ao Urbanismo, nas áreas de planejamento e desenvolvimento  urbano, monitoramento de planos diretores, planejamento, acompanhamento, fiscalização, execução e análise de projetos, construção e acompanhamento de obras, contratados através de concurso público para cada município ou para equipes a serem compartilhadas através de consórcios de municípios.
9.       Contribuir para a elaboração do código de ética da profissão;
10.     Criar a ouvidoria do CAU MG;
11.     Valorizar a Arquitetura e o Urbanismo através de campanha continuada junto à sociedade, ao governo e à iniciativa privada;
12.     Implementar  uma fiscalização inteligente, discutindo um  modelo de fiscalização do exercício profissional com os profissionais e com a sociedade, adequando-o ao propósito de educação e informação  quanto à importância da Arquitetura e do Urbanismo para a qualidade de vida, vislumbrando os princípios da administraçã! ;o pública;
13.     Implantar um modelo de gestão que compreenda as especificidades regionais e locais, permitindo a construção de uma política institucional que reflita as diferentes demandas das diversas regiões do estado;
14.     Garantir canais de interlocução direta com os poderes municipais, estaduais e federal, de forma a pautar a Arquitetura e o Urbanismo na Agenda Política da sociedade brasileira;
15.     Garantir canais de articulação intersetoriais que permitam fortalecer a atuação do Arquiteto e Urbanista e permitir o diálogo continuado junto aos demais conselhos profissionais;
16.     Envidar esforços para a reapreciação do veto ao artigo 58 da lei 12 378/2010, que define a contratação, pelo CONFEA, de empresa de auditoria para determinar a parcela do patrimônio do CONFEA e dos CREAs que caberá ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e aos Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal;
17.     Propugnar pela remuneração adequada e pela garantia do salário mínimo profissional para os profissionais nas empresas privadas e por uma política salarial compatível a esse salário mínimo para o servidor público;
18.     Trabalhar para a valorização do profissional brasileiro no que concerne às questões internacionais, baseando-se no princípio de garantia de reciprocidade, quando for o caso, e nos interesses  profissionais dos arquitetos e urbanistas brasileiros.
Por fim, esclarecemos que, em seu artigo 26, parágrafo segundo, a lei 12378/10 estabelece a obrigatoriedade do voto. Assim, TODOS os arquitetos que têm registro no atual CREA deverão votar na eleição para o CAU, que será realizada pela internet no dia 26 de outubro. Com a posse dos conselheiros que forem eleitos então, o CAU passará a existir de fato e os arquitetos e urbanistas se separarão definitivamente do sistema CREA/CONFEA. Os assuntos relativos à arquitetura serão tratados exclusivamente pelo novo conselho.
Até a posse do CAU, os arquitetos continuam no CREA/CONFEA, que tem o dever de informar a todos sobre a nova legislação e sobre as eleições. Para esta eleição está sendo encaminhada pelo Correio uma carta registrada com Aviso de Recebimento (AR) contendo uma SENHA que servirá aos arquitetos e urbanistas para votarem no site específico na internet. Considerando a greve em curso dos Correios, solicitamos verificar o recebimento da senha. No caso de não recebimento, o profissional deve dirigir-se ao Centro de Distribuição de Correios para acessar a correspondência.
Assinamos,




Titular
Suplente
CAU/BR
Cláudia Pires
Rose Guedes
CAU/MG
Ademir Nogueira Dávila
Arthur Senna

Ana Paula Costa
Denise Cunha

Andréa Vilella
Antônio Augusto Moura

Dennilson Caldeira
Alexandre Bueno

Eduardo Fajardo
André Veloso

Emmerson Ferreira
Alberto Davila

Fábio Almeida
Marcia Canedo

Flávio Carsalade
Maria Elisa Baptista

Flávio Vinicius Ferreira
Felipe Hanan

Joel Campolina
Rose Romano

José Antônio Prates
José Amador Ubaldo

Julio de Marco
Antonio Henrique Vilela Alves

Julio Torres
Sérgio Myssior

Marieta Maciel
Clarice Ferreira

Marília Brasileiro
Rodrigo Borges de Melo

Rogério Mello Franco
Cleber Luiz Rodrigues

Ronaldo M Marques
Liliane Hermont

Paulo Tadeu
Italo Stephan




Vera Carneiro
Veronica Lago

Vera Therezinha
Gustavo Bertozzi

sábado, 22 de outubro de 2011

Viva os calçadões!

Um calçadão é melhor que mil shoppings! Você vê pessoas do povo,  shows e performances, ganha até abraços de graça.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mercado Central de BH

Mercado Central de  BH: Muito melhor que um shopping!
Quer ver mais?

http://www.youtube.com/watch?v=M0pRmFGAt6w&feature=player_embedded

CAU Minas Gerais vem aí!


http://cauminasgerais.blogspot.com/2011/10/teste-eleicoes-cau.html

E assim caminha o ensino em Minas

E os professores da rede estadual: 3 meses de salários cortados, reposição obrigatória sem pagamento, ameaças, energia de casa cortada, contas atrasadas, dívidas, andando a pé. Um fardo que poucos suportariam.
Eis o ensino público do estado de Minas Gerais. Que fim de ano! E que início de 2012 repondo aula! É uma vergonha!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Norma para Arquitetos e Urbanistas


A NBR 15.575 é a primeira norma técnica brasileira a estabelecer parâmetros que permitem avaliar o desempenho de alguns dos sistemas que compõem as edificações habitacionais. Entre diversos outros aspectos, ela abrange processos de projeto e especificação a fim de assegurar melhor padrão de qualidade aos edifícios residenciais. Arquitetos, consultores, fornecedores e construtores poderão responder judicialmente, caso a construção apresente desempenho abaixo do determinado.
Embora sejam fundamentais para o bom exercício profissional, as normas técnicas ainda não fazem parte do repertório de muitos dos arquitetos brasileiros. Na tentativa de saber como alguns escritórios de arquitetura estariam se preparando para trabalhar com base na NBR 15.575, que será exigida a partir de 12 de março de 2012, a reportagem obteve apenas uma resposta positiva, vinda do escritório Roberto Candusso Arquitetos Associados. “Estamos estudando como aplicar a norma em todos os níveis. É como um exercício que começa no anteprojeto e vai até o executivo de todos os nossos projetos no momento. Vemos como atender à norma na prática e como isso será descrito no projeto legal. Nesse primeiro momento, são os gerentes que estão fazendo o trabalho, mas logo toda a equipe estará envolvida”, explica Rachel Vasconcelos, gerente de projeto legal do escritório de Candusso.

Em outras tentativas, a reportagem deparou com o absoluto desconhecimento sobre a primeira norma brasileira a definir níveis de desempenho para edificações habitacionais. “Do que trata exatamente essa NBR?”, perguntou à repórter um conhecido e atuante arquiteto. Já a secretária de um consagrado escritório de arquitetura não demonstrou nenhum constrangimento ao sugerir que seria perda de tempo falar com seu chefe. “O assunto é norma técnica? Ele não se liga nisso, não”, garantiu. Do titular de outro grande escritório, a resposta foi: “Sim, já ouvi falar, mas não conheço os detalhes. Onde é que eu posso Norma deve mudar a construção civil brasileira A NBR 15.575 é a primeira norma técnica brasileira a estabelecer parâmetros que permitem avaliar o desempenho de alguns dos sistemas que compõem as edificações habitacionais. Entre diversos outros aspectos, ela abrange processos de projeto e especificação a fim de assegurar melhor padrão de qualidade aos edifícios residenciais. Arquitetos, consultores, fornecedores e construtores poderão responder judicialmente, caso a construção apresente desempenho abaixo do determinado. conseguir essa norma?”. A reportagem não recebeu retorno de outros profissionais que tentou entrevistar para falar sobre o tema.

Diante desse quadro, não é de se estranhar que a categoria dos arquitetos tenha sido a de menor representatividade no grupo de especialistas que participou da elaboração da NBR 15.575, publicada em maio de 2008. A norma, que foi aprovada à revelia dos arquitetos e de alguns outros representantes da cadeia da construção, entrou em vigor em estágio probatório pelo período de dois anos e passaria a ser obrigatória a partir de maio de 2010, prevendo mais seis meses de prazo para a adequação dos projetos. No entanto, o mercado não aproveitou o intervalo de tempo para se preparar e às vésperas da exigibilidade criou-se um clima de pânico porque alguns se deram conta de que não tinham como atender de imediato aos novos padrões, enquanto outros questionavam critérios e parâmetros dados pela nova regulamentação. O resultado foi a abertura de uma consulta pública que gerou visitação recorde no site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e levou tanto à postergação da obrigatoriedade da norma como à revisão (em andamento) de aspectos considerados polêmicos.

O novo prazo se aproxima e a situação não parece estar muito diferente da observada em 2010. “A falta de preparo do mercado adiou a exigibilidade dessa norma que implica mudança significativa na forma de trabalho e traz o compromisso com a melhoria da qualidade na construção civil brasileira. Já se passou um bom tempo e ainda não vejo o mercado bem preparado. Alguns setores correram atrás, mas muitos outros nem sabem do que se trata. Falta cultura de norma técnica no Brasil”, constata o engenheiro civil Carlos Borges, que foi o coordenador da Comissão de Estudo da ABNT, responsável pela elaboração da norma, e atualmente é vice-presidente de tecnologia e qualidade do Secovi/SP (sindicato das empresas de venda e locação de imóveis). O engenheiro civil Fábio Villas Boas, coordenador geral dos trabalhos de revisão da norma e diretor técnico da Tecnisa, concorda. “Não podemos dizer que o mercado esteja pronto para a norma. As pessoas não se prepararam, algumas por deficiência de infraestrutura, como falta de laboratórios para ensaios, ou por problemas da indústria, que ainda não caracterizou o desempenho de seus produtos”, explica.
NBR 15.575/2008
ABNT NBR 15.575-1Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 1: Requisitos gerais
ABNT NBR 15.575-2Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais
ABNT NBR 15.575-3Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos internos
ABNT NBR 15.575-4Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 4: Sistemas de vedações verticais externas e internas
ABNT NBR 15.575-5Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 5: Requisitos para sistemas de coberturas
ABNT NBR 15.575-6Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho
Parte 6: Sistemas hidrossanitários
A norma e o arquiteto

A NBR 15.575 refere-se ao desempenho de edifícios habitacionais de até cinco pavimentos (leia PROJETO DESIGN 345, novembro de 2008, e 369, novembro de 2010). Porém, seus parâmetros serão aplicáveis também em projetos de casas e de prédios residenciais com qualquer quantidade de andares. “A norma é mais abrangente que o título. Existem aspectos que não estão relacionados à altura do edifício e, em caso de demanda judicial, o juiz dará ganho de causa ao consumidor, mesmo que o prédio tenha 40 pavimentos”, alerta o arquiteto Paulo Segall, integrante do conselho deliberativo da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) e representante da entidade na comissão de revisão da norma técnica. “Nós, arquitetos, não participamos da elaboração da norma, mas agora estamos atuando ativamente no processo de revisão. É importante esclarecer que quando o arquiteto assinar uma ART [Anotação de Responsabilidade Técnica, que registra as atividades para as quais o profissional foi contratado] estará assumindo automaticamente a responsabilidade pelo cumprimento das normas. Quem não dá bola para a qualidade do projeto poderá estar criando um grande passivo e no futuro terá que responder pelos erros. Essa norma torna os arquitetos mais responsabilizáveis e técnicos. Haverá uma nova linha de corte no mercado, mas isso deve ser visto como oportunidade, e não como problema”, alerta Segall.

O engenheiro civil Maurício Bianchi, vice-presidente do sindicato paulista da indústria da construção, o Sinduscon/SP, participou da elaboração da norma e desde maio de 2008 vem orientando preventivamente associados da entidade. Ele já antecipa a chamada dos arquitetos à responsabilidade. “A ausência dos arquitetos ao longo do processo é uma arma que será usada contra eles próprios em um futuro próximo. Primeiro porque os contratantes irão buscar os escritórios mais qualificados, mesmo que sejam de fora. E também porque a construtora é uma montadora que executa o projeto que recebe. Se o desempenho não for considerado no projeto, quem vai responder é o arquiteto, não o construtor”, explica Bianchi, que também é vice-presidente da BKO Engenharia.

Borges esclarece essa relação. “A norma estabelece o papel de todos os agentes envolvidos, define responsabilidades e cria condições de rastreabilidade. Até agora, somente o construtor era responsabilizado, mesmo que o problema estivesse no projeto. Mas a partir de março de 2012 haverá parâmetros para regulamentar o mercado e ações judiciais, e também passará a existir a responsabilidade compartilhada”, esclarece. “Uma vez que a norma passe a ser exigida, o arquiteto deverá especificar no projeto qual o padrão de desempenho adotado e o que irá garanti-lo. Tudo terá que estar caracterizado”, completa Villas Boas.

A NBR 15.575 está dividida em seis partes, que abrangem especificamente requisitos gerais da edificação, sistemas estruturais, sistemas de pisos, de vedações verticais externas e internas, de coberturas e hidrossanitários (leia o quadro NBR 15.575/2008) e remetem às normas técnicas que devem ser seguidas em cada uma dessas etapas do projeto. Para cada sistema são instituídos níveis mínimos de desempenho, os métodos de avaliação e a vida útil, a fim de atender às demandas dos usuários em termos de segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Essas demandas estão definidas na primeira parte da norma (leia o quadro Exigências dos Usuários), que inclui também os requisitos gerais comuns aos diferentes sistemas, estabelecendo as interações entre eles, sempre com foco no desempenho global e no comportamento em uso do edifício. As demais partes isolam os sistemas determinados.

Atualmente, a NBR 15.575 está em revisão e o novo texto deve entrar em consulta pública no próximo mês de setembro. De acordo com Alaís Colucci, representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer) na comissão de revisão, os interessados terão 30 dias para se manifestar e a comissão terá mais 90 dias para responder aos questionamentos surgidos. “Estamos prevendo que a norma seja republicada em fins de janeiro ou no começo de fevereiro de 2012”, afirma.

O processo de revisão não deve trazer grandes alterações na norma publicada em 2008. “Existem alguns pontos mais polêmicos, com determinados parâmetros sendo questionados, como a confusão entre vida útil e garantia, por exemplo, mas de resto o objetivo é melhorar a redação, incluir ou excluir informações, e fazer referência a outras normas que foram revisadas nesse meio tempo. Na verdade, as mudanças causam desconforto e esse é o principal ponto da negociação”, explica Villas Boas.

Os pontos mais polêmicos em revisão não estão ligados a projeto, mas sim à indústria de materiais. Segundo a engenheira de materiais Ana Paula Menegazzo, superintendente do Centro Cerâmico Brasileiro, relatora do Grupo de Trabalho 3 que atua na revisão da norma e coordenadora da comissão de estudos de placas cerâmicas, entre as principais discussões hoje estão o requisito usado para avaliar a resistência ao escorregamento do revestimento cerâmico, diversas questões relativas ao piso, independentemente do material de revestimento, aspectos relacionados à acústica e o quesito propagação superficial da chama nos diversos materiais, em atendimento a mudanças recentes nas exigências do Corpo de Bombeiros.
Exigências dos usuários
SegurançaHabitabilidadeSustentabilidade
Estrutural
Contra o fogo
No uso e na operação
Estanqueidade
Conforto térmico
Conforto acústico
Conforto lumínico
Saúde, higiene e
qualidade do ar
Funcionalidade e
acessibilidade
Conforto tátil e
antropodinâmico
Durabilidade
Manutenabilidade
Impacto ambiental
“Nosso próximo passo é fazer todos os testes para todas as tipologias de piso, para avaliar a resistência ao escorregamento, ao impacto e ao ataque químico dos materiais usados como revestimento, seja madeira, cerâmica, PVC ou qualquer outro”, explica Ana Paula. Entre os pontos mais difíceis está a busca por um método de ensaio para simplificar as medições que as construtoras terão que fazer para avaliar a homogeneidade da planeza do piso. “O ensaio usado como referência na norma é muito complexo para o dia a dia da obra”, ela detalha. Outro ponto em discussão é a mudança do título da parte três da norma. “A redação não deixa claro o que é piso interno e para evitar essa confusão queremos deixar apenas ‘Requisitos para sistemas de pisos’, o que já abrange áreas comuns e privativas, sem dar margem a dúvidas”, conclui a engenheira.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 378 Agosto de 2011


http://www.arcoweb.com.br/tecnologia/norma-contrucao-civil-brasileira-30-09-2011.html