21 fevereiro 2026

PRECARIEDADE

 


Há partes das nossas cidades em que prevalece a precariedade de quase tudo em infraestrutura urbana: via adequadamente pavimentada, calçada, drenagem pluvial, contenção de barrancos, iluminação pública.

As construções são feitas da forma que a autoconstrução consegue, sem alinhamento ou afastamento, sem regras. As periferias das cidades crescem assim, desordenadas porque não planejadas, orientadas ou fiscalizadas.

A imagem poderia ser de qualquer bairro de Viçosa, Ubá, Manhuaçu, Juiz de Fora, belo Horizonte, Rio de Janeiro....

DICAS PAREA ESTUDANES DE ARQUITETURA E URBANISMO: FACHADAS


16 fevereiro 2026

VIVA O ENSINO SUPERIOR PÚBLICO!

 Ao contrário do que propagam, as universidades federais são espaços de pluralidade de ideias, de convivência democrática e de promoção do conhecimento, essenciais para o desenvolvimento científico, social e econômico do Brasil. Tem de tudo nelas (inclusive no departamento que atuo): esquerda, direita, centro, humanistas, puramente técnicos, filósofos, "tô nem aí", em cima do muro, não manifestantes. 

Os ataques parecem vir depois que saiu o resultado das avaliações das escolas particulares de medicina, das quais 1/3 foram reprovadas, com notas 1 e 2. Muitas delas são apenas receptoras de dinheiro, "pagou passou", reprovou, despede o professor, pagam mal aos professores. 

As federais  e estaduais foram avaliadas com notas 4 e 5 (UFV,  UFJF, UFOP,USP, Unicamp, UFMG...). As de notas 1 e 2 são muitas, investiguem para ver quais são, não cabe aqui citar. 

Nossos objetivos são ensinar, pesquisar, fazer extensão. Não formamos vagabundos, maconheiros ou comunistas. Não nos interessam balbúrdias.  Nós, das universidades públicas formamos cientistas, engenheiros, presidentes, médicos, prefeitos, ministros, empreendedores, professores, filósofos, psicólogos...  

Para mim, há 33 anos e mais de 1300 formados, sem jamais ter sido acusado de nada, a Universidade é o meu motivo de vida, assim como meus colegas que têm posições ideológicas bem diferentes. Somos parte da Universidade, como é o próprio significado da palavra. 

09 fevereiro 2026

FORMATURA UFV 2026

Comemoração externa pós Cerimônia de Colação turmas dos Centros de Ciências Tecnológicas e Ciências Agrarias.

Cerimônia de colação, muita pompa e alegria.

Aula da Saudade da turma de Arquitetura e Urbanismo.

DICA PARA ESTUDANTE DE ARQUITETURA E URBANISMO


05 fevereiro 2026

COMPUR EM VIÇOSA


 O Conselho Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Rural (Compur) de Viçosa, recriado pelo Plano Diretor de 2023, já tem seu regimento interno e começou a se reunir. 

Na reunião de fim de janeiro houve uma apresentação sobre o Plano Diretor de Viçosa para os conselheiros efetivos e suplentes. Apresentaram Tilú,  Secretario Municipal de Planejamento, Mobilidade e Gestão Territorial de Viçosa; o professor Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá, diretor de Regulação Urbana de Viçosa e Rodrigo Bicalho. 

Há muito a ser feito, a começar pela complementação da revisão das leis de uso e ocupação do solo, de parcelamento e código de obras, as quais já deveriam estra prontas em 2024. 

01 fevereiro 2026

VIÇOSA SÃO MUITAS


VIÇOSA SÃO MUITAS

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, MG em 29 jan. 2026

Há, como em quase todas as cidades brasileiras, mais de uma cidade em cada cidade. Parece contraditório, mas não é. Toda cidade tem ao menos uma parte bem organizada, com infraestrutura adequada, praças, comércio diversificado, escritórios, consultórios, escolas e cinemas. Essa parte apresenta crescimento mais restrito; a única forma de crescer é por meio da verticalização e da consequente valorização do custo do solo, muitas vezes às custas do desaparecimento do patrimônio arquitetônico. Pode ser o centro histórico ou um bairro planejado mais novo. Em outras partes da cidade, quanto mais afastadas do centro, maior é a carência de infraestrutura; constrói-se da maneira que se consegue e vive-se na dependência de empregos e da oferta de serviços longe de casa.

Os padrões de expansão e ocupação urbana brasileiros, diria até latino-americanos, ocorrem sob várias formas de injustiça social. A mais visível é a segregação socioespacial, que toma duas direções diferentes. A primeira é a denominada autossegregação, na qual quem tem condições econômicas escolhe onde morar: em grandes apartamentos, condomínios fechados ou chacreamentos irregulares, estes dois últimos tipos invariavelmente mais afastados do centro. 

O segundo tipo é a segregação compulsória, forma na qual não há muita escolha sobre o lugar de morar, limitada pelas restrições das condições econômicas. São os bairros ou periferias onde a terra é mais barata. Ela é mais barata porque não há infraestrutura adequada, os acessos são difíceis e a mobilidade é prejudicada. Outros fatores também são determinantes para a instalação das pessoas, como locais com grande declividade ou muito próximos aos cursos d’água; ou seja, áreas de risco, sujeitas a deslizamentos de terra ou a enchentes.

Viçosa não é uma cidade diferente de outras, embora tenha suas peculiaridades. Sedia um dos campi mais belos e bem conservados do país. É mais verticalizada do que muitas outras cidades do mesmo porte populacional, especialmente na área central, com maior concentração dentro de um raio de um quilômetro das Quatro Pilastras. Essa pressão imobiliária coloca em risco a permanência do patrimônio arquitetônico. Há ainda bairros com boas condições de infraestrutura, contíguos ao centro, como Clélia Bernardes, Ramos, parte do Fátima, Lourdes e Belvedere. Na porção mais ao sul e em parte do leste localizam-se cerca de duas dezenas de condomínios de alta renda, com destaque para a aglomeração em torno do Bosque Acamari e na região dos Cristais. As áreas mais carentes são muitas e bastante populosas, como os bairros Santo Antônio, São Sebastião, Bom Jesus, Sagrada Família, Amoras, Novo Silvestre e os conjuntos Coelhas.

Planejar e gerir cidades é buscar formas de diminuir continuamente as disparidades socioambientais da ocupação humana no território municipal. Em Viçosa, na área central, deve-se avaliar o amplo processo de verticalização quanto ao forte adensamento populacional e à circulação de veículos, bem como garantir a permanência do patrimônio arquitetônico. Nas áreas periféricas, é necessário melhorar as condições das moradias, da mobilidade com a qualidade das calçadas e das vias de ligação entre os bairros, o transporte coletivo, com serviços noturnos e aos finais de semana, a implantação descentralizada de equipamentos públicos de qualidade, bem como o estímulo à geração de empregos próximos aos bairros residenciais. São importantes ações efetivas complementares à regularização fundiária, à assistência técnica para habitação social, à fiscalização e ao controle adequados, tanto das edificações quanto dos loteamentos e da ocupação de áreas de risco.