Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
01 maio 2026
AUDIÊNCIA PÚBLICA: SITUAÇÃO DA MORASIA POPULAR EM VIÇOSA
26 abril 2026
VIÇOSA CIDADE DESIGUAL
HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL DIGNA
Conjunto Coelhas I, do Programa Minha casa Minha Vida em Viçosa: péssima solução urbanística: isolamento, abandono, sérios problemas sociais. desfiguração, reformas e ampliações sem orientação técnica.
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 23/04/2026
Recentemente, a Prefeitura Municipal de
Viçosa lançou o programa “Reformando com Dignidade”, que atenderá pessoas em
situação de vulnerabilidade, por meio da concessão de um cartão com crédito
para a compra de materiais de construção. O objetivo é promover melhorias nas
residências, seja por meio de reformas, ampliações, conclusões de obras ou
adaptações necessárias. O programa se restringe a imóveis localizados fora de
Áreas de Preservação Permanente, bem como de áreas de ocupação irregular. O
auxílio financeiro poderá chegar a até R$ 5 mil por grupo familiar.
Trata-se de uma iniciativa importante,
de alcance social voltado aos mais necessitados, mas que precisa ser
complementada por outras ações igualmente essenciais. Antes de utilizar o
crédito, é fundamental saber quais materiais adquirir, em que quantidade, para
qual finalidade e como aplicá-los corretamente. Para isso, é necessária a
assistência técnica de profissionais de arquitetura e urbanismo. Caso
contrário, o uso inadequado dos materiais para resolver um problema pode acabar
mascarando outros.
Há um enorme déficit qualitativo nas
habitações, com domicílios sem acesso a padrões mínimos de serviços adequados.
Esse déficit ocorre, principalmente, em edificações autoconstruídas,
improvisadas ou erguidas em áreas exíguas, muitas vezes junto a encostas. Ele é
significativamente maior do que o déficit quantitativo e se manifesta em todo o
país. Segundo o Observatório do Terceiro Setor, o déficit habitacional
quantitativo no Brasil é de 5,9 milhões de moradias, enquanto o qualitativo
atinge cerca de 24,9 milhões de unidades habitacionais. Esse quadro abrange
moradias localizadas em áreas urbanas inadequadas, com espaços insuficientes,
baixa qualidade construtiva, ausência de cálculo estrutural, paredes sem
reboco, telhados sem forro ou laje, além de infiltrações, mofo e trincas. Essas
condições resultam em ambientes insalubres, mal ventilados e pouco iluminados,
com uso inadequado de materiais, por vezes prejudiciais à saúde, além de
instalações elétricas precárias, sistemas hidráulicos mal dimensionados e redes
sanitárias e pluviais com descarte irregular.
Municípios como Juiz de Fora instituíram
Escritórios Públicos de Arquitetura e Engenharia para melhorar as condições de
moradia. Viçosa possui uma Lei de Arquitetura e Engenharia Públicas - Lei nº
1.637/2005, alterada pela Lei nº 2.170/2011 - que precisa ser colocada em
prática. Essa política pública envolve o planejamento, o projeto e a execução
de obras e serviços técnicos voltados ao interesse social, especialmente na
habitação de baixa renda e na infraestrutura urbana. Impõe-se a boa aplicação
de recursos acessíveis, porém limitados.
O artigo 1º dessa lei assegura “o
direito à assistência pública e gratuita nas áreas de arquitetura, urbanismo e
engenharia para estudos, pesquisas, planejamentos, projetos e execução, bem
como toda e qualquer atividade técnica atribuída a essas áreas de atuação,
inclusive as voltadas à regularização urbanística e fundiária para a habitação
de interesse social direcionada às populações de baixa renda”. Já o artigo 2º
afirma que o direito à assistência técnica “abrangerá todas as necessidades
apresentadas, como: novas edificações, reformas, adequações e intervenções,
ampliação, recuperação e compensação, para viabilizar a habitação”.
Prefeito, coloque seu programa de
reforma em prática, mas não deixe de somá-lo à Lei de Arquitetura e Engenharia
Públicas, ora ignorada. Há muito trabalho pela frente e, iniciando-o
corretamente, poderão surgir desdobramentos futuros, com recursos federais ou,
como tem sido comum, por meio de emendas parlamentares, contribuindo para a
melhoria da qualidade de vida de grande parte da população viçosense.
24 abril 2026
CENTRO DO RIO DE JANEIRO: PATRIMÔNIO EM RISCO
18 abril 2026
PAÇO IMPERIAL - RIO DE JANEIRO
12 abril 2026
CIDADES RESILIENTES
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 9 de abril de 2026
Segundo a ONU, resiliência significa “a habilidade de um sistema, comunidade ou sociedade exposta a riscos de resistir, absorver, acomodar-se e reconstruir-se diante dos efeitos de um desastre, em tempo e modo adequados, incluindo a preservação e restauração de suas estruturas e funções essenciais”. A ONU lançou uma Campanha Mundial de Redução de Desastres. A Secretaria Geral para a Redução de Riscos de Desastres lançou, em conjunto com a ONU, o manual “Minha cidade está se preparando”. Nele, define-se que uma cidade resiliente é aquela que deve atender a vários critérios.
O primeiro aspecto é que o município deve ter um prefeito competente e responsável, que garanta uma urbanização sustentável, com a participação de todos os grupos sociais. As mudanças climáticas precisam estar na agenda do planejamento territorial.
Um município resiliente deve evitar desastres, de modo que toda a sua população viva em residências e bairros providos de infraestrutura adequada e serviços básicos (escolas, coleta de lixo, serviços de emergência etc.). Devem ser tomadas medidas de prevenção e preparação para desastres, com o objetivo de proteger seus bens (pessoas, residências, mobiliário, patrimônio cultural e capital econômico) e minimizar perdas físicas e sociais decorrentes de eventos climáticos extremos. Para isso, deve investir na redução de riscos e ser capaz de se organizar antes, durante e depois de um desastre; deve estar apto a restabelecer rapidamente seus serviços básicos, bem como retomar suas atividades sociais, institucionais e econômicas após um desastre. Suas estruturas precisam atender aos padrões de construção, evitando a ocupação desordenada em áreas de encosta ou sujeitas a inundação. No município, deve ser desenvolvido um forte trabalho de educação, com base nas ameaças e vulnerabilidades às quais seus cidadãos estão expostos.
Liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNDRR), há uma iniciativa que, “por meio da articulação de vários atores, promove a resiliência local por meio da defesa política, da troca de conhecimentos e experiências e do estabelecimento de redes de aprendizagem entre as cidades”, buscando, simultaneamente, o “fortalecimento das capacidades técnicas, a conexão entre vários níveis de governo e o estabelecimento de alianças estratégicas”.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apoia as cidades em seu caminho para a redução de riscos e o desenvolvimento da resiliência por meio de um roteiro para a resiliência urbana, facilitando o acesso a ferramentas de conhecimento, diagnóstico, monitoramento e elaboração de relatórios. Também oferece orientação e apoio às cidades para melhorar seu entendimento sobre redução de riscos e resiliência, aprimorar o planejamento estratégico e executar ações que lhes permitam avançar. O objetivo é assegurar que as cidades se tornem mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis até 2030, contribuindo diretamente para a realização do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU 2030) e de outras iniciativas globais.
Como visto, prefeitos e gestores públicos locais são fundamentais para a construção de cidades resilientes. Atualmente, 31 municípios mineiros, inclusive Juiz de Fora, Divinésia, Conselheiro Lafaiete, Guidoval, Ubá, Santa Cruz do Escalvado, Barra Longa e Rio Doce, estão inscritos na iniciativa “Construindo Cidades Resilientes 2030”, uma campanha nacional em andamento para a redução de desastres. Além disso, os gestores devem impedir ocupações indevidas, definir estratégias para remover habitações em áreas de risco, planejar obras de contenção e ampliar políticas públicas de habitação. Não queremos mais assistir passivamente ao que acontece todo verão, como ocorreu em Petrópolis, São Sebastião, na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Juiz de Fora.
11 abril 2026
MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - RIO DE JANEIRO
07 abril 2026
PARQUE DAS RUÍNAS - SANTA TERESA _ RIO DE JANEIRO
22 março 2026
SALVE-SE QUEM PUDER
SALVE-SE QUEM PUDER
Mais uma vez, depois de mais uma tragédia ambiental de grandes proporções, vem a imprensa apresentar os experts em meio ambiente, para que expliquem detalhadamente o que aconteceu e o que deveria ser feito. Ano a ano, fatalidade a fatalidade, isso se repete. Os especialistas vão falar das mesmas causas: falta de planejamento urbano e ambiental; falta de fiscalização que impeça ocupações; negligência e irresponsabilidade dos governantes; falta de recursos para obras e para a Defesa Civil. Vão mencionar a desobediência ao Código Florestal Brasileiro, que existe desde 1965; os inúmeros estudos e mapas de áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações. Vão alertar para a flexibilização criminosa da nova versão do Código Florestal Brasileiro.
E mais uma vez, passadas as maiores dores, contabilizados os prejuízos, deixadas as saudades e diminuídos os interesses na imprensa, nas próximas tempestades, virão novas tragédias, nos mesmos locais, ou aleatoriamente em qualquer cidade, em qualquer região. Já ocorreu no Rio Grande do Sul, na Serra de Petrópolis, na Serra do Mar, em Recife, em Salvador, na Baixada Fluminense. A próxima pode ser a nossa cidade, ou a de qualquer um de nós.
Em Juiz de Fora, mesmo com as obras realizadas, essas não foram suficientes para evitar a tragédia. Da lama à poeira, partes de bairros estão interditadas, casas inteiras desabaram, bairros inteiros invadidos pelas águas. O saldo são mais de 60 mortos, milhares de desabrigados, milhões de reais em prejuízos materiais e as doenças decorrentes, como diarreia, hepatite, leptospirose etc. Vale dizer que nenhuma outra cidade suportaria tamanho fenômeno, com o montante de chuvas acumuladas. Vejam o que aconteceu com Ubá, e aqui abro um parênteses, pois a lei dessa cidade vizinha permite a construção de prédios praticamente dentro d’água; o que é uma aberração, um crime, uma exposição de pessoas a riscos dos quais já presenciamos há décadas.
É preciso dizer, alertar que, se as chuvas da quantidade que vieram, caíssem em Viçosa, varreriam desastrosamente o que estivesse no caminho dos córregos Conceição e Santo Antônio e do ribeirão São Bartolomeu. Nem mesmo as lagoas do câmpus da UFV seriam garantia de segurança. Há encostas muito perigosas em Viçosa, áreas de risco mesmo, como a que segura o bairro Belvedere, a que está em cima da rua Milton Bandeira, as encostas do Bom Jesus e Estrelas, do Nova Viçosa, São Sebastião, Amoras, Morro do Escorpião. Tudo isso já foi mapeado pela Defesa Civil e no Plano Diretor.
Os desastres ambientais reforçam a urgente necessidade de adaptações das cidades brasileiras aos eventos climáticos extremos. São necessárias obras, desocupação, realocações de moradias, e, desde já, impedir que as ocupações em áreas de risco continuem. Os governantes empurram as responsabilidades uns para os outros. Possivelmente, alguns deles sequer acreditam nas evidentes mudanças climáticas. Os governantes não destinarão recursos prometidos, ou mal iniciarão as medidas mitigadoras. Com o tempo, esquecerão, pois é ano de eleição, ou pior, vão usar imagens dos dramas para tentar ganhar votos. Por outro lado, as pessoas jamais esquecerão a perda de parentes, de suas casas, das raízes culturais, das penosas reconstruções da vida. O planejamento urbano e os cuidados ambientais serão novamente assuntos para serem lembrados em longas matérias jornalísticas, depois de novas mortes e de grandes perdas materiais. Não pode mais ser um salve-se quem puder. A situação é intolerável e desumana; não permite a contínua negligência crônica de quem nos governa.
21 março 2026
TRISTECIDADE
I Fórum Cidade em Perspectiva
O I Fórum Cidade em Perspectiva foi realizado no dia 14/3, no Centro Evangélico das Missões, em Viçosa. Importante para os pastores de várias igrejas evangélicas. Tive a honra de participar, juntamente com a Secretária Municipal de Assistência Social de Viçosa, Sra. Marise Alves. Falei dos desafios do planejamento e gestão urbanos em Viçosa.
Excelente iniciativa. Que hajam mais fóruns.
Fotos Ítalo Stephan, março de 2026
10 março 2026
O AGENTE SECRETO
O Agente Secreto é um filme sobre a humanidade, com todos os seus defeitos e virtudes. Por isso é rico, complexo; esbanja a riquíssima cultura nordestina; expõe as fraquezas, descuidos, preconceitos, prazeres e dores; caricaturiza personagens (como Fellini o fazia em seus filmes); escancara o bem e o mal; expõe o crime e o amor, a verdade e a lenda, o carnaval e a matança; a honestidade e a longeva corrupção; a beleza e a feiura, a diferença da tecnologia entre os anos atuais e os anos 1970 (orelhão, fichas telefônicas, telegrama, filmes em rolo, cinema de rua, carroças que chamávamos de automóveis). Ah, traz a lenda recifense da perna cabeluda, para culpar o que os policiais faziam nas zonas de meretrício.
Um filme necessário sobre a vida; local, pernambucano, brasileiro, mundial. Merecedor dos 70 prêmios que já ganhou.
Assistam!
Foto: https://veja.abril.com.br/cultura/como-assistir-o-agente-secreto-online-filme-indicado-ao-oscar-chega-ao-streaming/
08 março 2026
MARIA MARIA E A CIDADE
Maria Maria mora em uma cidade nem muito pequena, nem muito grande. Mesmo vivendo em um bairro de classe média, a vida das mulheres ali é complicada. Maria Maria tem sorte de estar bem localizada; sabe que, nos bairros mais afastados, não há ônibus suficientes nem horários noturnos, o que impede muita gente de estudar à noite. Quem mora lá tem uma vida mais difícil do que a de Maria Maria : as mulheres precisam de mais tempo em deslocamentos e não encontram perto o que precisam, como creche, escola, atendimento de saúde, trabalho ou lazer.
Parece-lhe que a cidade foi feita só para os homens. Além do medo, as mulheres têm dificuldades para andar nas ruas com carrinho de bebê ou carrinho de compras. Não há locais para trocar fraldas ou amamentar quando estão longe de casa. Maria Maria não tem coragem de fazer o que o marido faz - sair muito cedo, ainda escuro, para ir à academia ou andar sozinho por ruas mal iluminadas.
No trajeto do trabalho para casa, a pé, mesmo morando numa área mais central, Maria Maria anda sobressaltada, pois as ruas por onde passa têm muros altos de ambos os lados, sem janelas, apenas portões fechados. Não se vê gente, não há grades nem jardins; a iluminação é fraca e há terrenos baldios cheios de mato.
Como outras mulheres, Maria Maria se desloca por necessidade mais do que os homens. Enquanto eles fazem basicamente o trajeto casa-trabalho-casa, usando o único carro da família, ela percorre esse caminho a pé, ainda acrescenta levar e buscar a filha na escola, fazer compras e ir à casa dos pais e dos sogros para ver se estão bem. Além disso, o trabalho doméstico é desvalorizado. Na volta do trabalho traz compras, busca a filha e chega em casa para uma nova jornada: o trabalho doméstico - preparar o jantar, lavar roupas, cuidar da filha, ligar para a mãe, arrumar a casa. Do marido, não reclama: ele lava as louças, arruma a mesa do café, lava suas cuecas e deixa a filha na escola.
Depois de todos os afazeres, Maria Maria dorme tarde, cansada, e acorda cedo para mais uma jornada heroica.
07 março 2026
PARQUE TECNOLÓGICO DE VIÇOSA
NOVO MESTRE
01 março 2026
VIÇOSA E OS ODS
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 26/02/2026
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) formam um conjunto de 17 metas globais definidas pela ONU em 2015, integrando a Agenda 2030, com o objetivo de acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade. Eles abrangem aspectos sociais, econômicos e ambientais, visando ao desenvolvimento sustentável em nível mundial. Trato aqui do ODS11, mais específico da minha área de atuação. O ODS11 busca “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Neste texto, destaco quatro pontos desse ODS e os relaciono com os dados que o IBGE apresenta sobre Viçosa, alguns deles comparados com Ubá (cidade-polo vizinha), Juiz de Fora (polo da Região Intermediária, Belo Horizonte e Minas Gerais.
O primeiro ponto é: “até 2030, garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, aos serviços básicos e à urbanização de favelas”. O segundo item do ODS 11 é “aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos que adotam e implementam políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas e a resiliência a desastres”. Viçosa apresenta um indicador de 30% da população exposta ao risco (22,7% em Juiz de Fora; 6,9% em Ubá e 16,8% em Belo Horizonte), valor significativamente maior que o das referências. Essa exposição ao risco refere-se ao contingente de pessoas que residem em locais com alta probabilidade de ocorrência de desastres naturais, como deslizamentos, inundações e enxurradas.
O terceiro ponto é: “até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável e as capacidades para o planejamento e a gestão de assentamentos humanos participativos, integrados e sustentáveis”. Trago o indicador “Urbanização de vias públicas”, no qual são avaliados quesitos como pavimentação, drenagem e iluminação pública; mobilidade e acessibilidade (presença de calçadas, faixas de pedestres e rampas para cadeirantes); presença de lixo acumulado nos logradouros e capacidade da via. Viçosa apresenta 26%, enquanto as outras referências são significativamente maiores (53% em Juiz de Fora, 53% em Ubá e 44,2% em Belo Horizonte).
O quarto ponto é: “até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar e à gestão de resíduos municipais”. O IBGE apresenta os indicadores de esgotamento sanitário por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede (dados de 2022), com os seguintes percentuais: 88,71%, 94,04%, 85,88% e 96,97% (Viçosa, Juiz de Fora, Ubá e Belo Horizonte, respectivamente). Viçosa supera apenas o indicador de Ubá. O indicador de Minas Gerais é de 63,2%, bastante preocupante, pois há grande desigualdade socioeconômica no estado.
Chama atenção o fato de Viçosa apresentar renda média de 2,9 salários-mínimos (18ª posição em MG), maior que a de Juiz de Fora (2,3; 339ª posição) e de Ubá (1,7; 426ª posição), embora inferior à de Belo Horizonte (3,3 S.M., na 10ª posição), enquanto em Minas Gerais é de 1,4 salário-mínimo. Esse indicador, no caso de Viçosa, é discutível, pois há o fator UFV, que sabidamente paga salários mais elevados do que a média da cidade, o que indica uma realidade de desigualdade econômica.
Os dados, mesmo que aparentemente frios, estão postos, ao menos para provocar reflexões e sinalizar o que deve ser feito no campo das políticas urbanas. Há muito a ser feito por Viçosa: melhores condições de urbanização e de saneamento básico; diminuição dos riscos para a população e melhor distribuição de renda. 2030 está logo ali, sem perspectivas de que haja grandes melhoras. Uma sociedade desigual, em que grande parte da população é carente de serviços adequados, não faz bem a ninguém.
26 fevereiro 2026
QUE VENHAM OS EXPERTS
Foto: https://agenciamg.com.br/2026/02/24/chuvas-juiz-de-fora-mortes-alerta/
21 fevereiro 2026
PRECARIEDADE
Há partes das nossas cidades em que prevalece a precariedade de quase tudo em infraestrutura urbana: via adequadamente pavimentada, calçada, drenagem pluvial, contenção de barrancos, iluminação pública.
As construções são feitas da forma que a autoconstrução consegue, sem alinhamento ou afastamento, sem regras. As periferias das cidades crescem assim, desordenadas porque não planejadas, orientadas ou fiscalizadas.
A imagem poderia ser de qualquer bairro de Viçosa, Ubá, Manhuaçu, Juiz de Fora, belo Horizonte, Rio de Janeiro....
16 fevereiro 2026
VIVA O ENSINO SUPERIOR PÚBLICO!
Ao contrário do que propagam, as universidades federais são espaços de pluralidade de ideias, de convivência democrática e de promoção do conhecimento, essenciais para o desenvolvimento científico, social e econômico do Brasil. Tem de tudo nelas (inclusive no departamento que atuo): esquerda, direita, centro, humanistas, puramente técnicos, filósofos, "tô nem aí", em cima do muro, não manifestantes.
Os ataques parecem vir depois que saiu o resultado das avaliações das escolas particulares de medicina, das quais 1/3 foram reprovadas, com notas 1 e 2. Muitas delas são apenas receptoras de dinheiro, "pagou passou", reprovou, despede o professor, pagam mal aos professores.
As federais e estaduais foram avaliadas com notas 4 e 5 (UFV, UFJF, UFOP,USP, Unicamp, UFMG...). As de notas 1 e 2 são muitas, investiguem para ver quais são, não cabe aqui citar.
Nossos objetivos são ensinar, pesquisar, fazer extensão. Não formamos vagabundos, maconheiros ou comunistas. Não nos interessam balbúrdias. Nós, das universidades públicas formamos cientistas, engenheiros, presidentes, médicos, prefeitos, ministros, empreendedores, professores, filósofos, psicólogos...
Para mim, há 33 anos e mais de 1300 formados, sem jamais ter sido acusado de nada, a Universidade é o meu motivo de vida, assim como meus colegas que têm posições ideológicas bem diferentes. Somos parte da Universidade, como é o próprio significado da palavra.
09 fevereiro 2026
FORMATURA UFV 2026
05 fevereiro 2026
COMPUR EM VIÇOSA
O Conselho Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Rural (Compur) de Viçosa, recriado pelo Plano Diretor de 2023, já tem seu regimento interno e começou a se reunir.
01 fevereiro 2026
VIÇOSA SÃO MUITAS
VIÇOSA SÃO MUITAS
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, MG em 29 jan. 2026
Há, como em quase todas as cidades brasileiras, mais de uma cidade em cada cidade. Parece contraditório, mas não é. Toda cidade tem ao menos uma parte bem organizada, com infraestrutura adequada, praças, comércio diversificado, escritórios, consultórios, escolas e cinemas. Essa parte apresenta crescimento mais restrito; a única forma de crescer é por meio da verticalização e da consequente valorização do custo do solo, muitas vezes às custas do desaparecimento do patrimônio arquitetônico. Pode ser o centro histórico ou um bairro planejado mais novo. Em outras partes da cidade, quanto mais afastadas do centro, maior é a carência de infraestrutura; constrói-se da maneira que se consegue e vive-se na dependência de empregos e da oferta de serviços longe de casa.
Os padrões de expansão e ocupação urbana brasileiros, diria até latino-americanos, ocorrem sob várias formas de injustiça social. A mais visível é a segregação socioespacial, que toma duas direções diferentes. A primeira é a denominada autossegregação, na qual quem tem condições econômicas escolhe onde morar: em grandes apartamentos, condomínios fechados ou chacreamentos irregulares, estes dois últimos tipos invariavelmente mais afastados do centro.
O segundo tipo é a segregação compulsória, forma na qual não há muita escolha sobre o lugar de morar, limitada pelas restrições das condições econômicas. São os bairros ou periferias onde a terra é mais barata. Ela é mais barata porque não há infraestrutura adequada, os acessos são difíceis e a mobilidade é prejudicada. Outros fatores também são determinantes para a instalação das pessoas, como locais com grande declividade ou muito próximos aos cursos d’água; ou seja, áreas de risco, sujeitas a deslizamentos de terra ou a enchentes.
Viçosa não é uma cidade diferente de outras, embora tenha suas peculiaridades. Sedia um dos campi mais belos e bem conservados do país. É mais verticalizada do que muitas outras cidades do mesmo porte populacional, especialmente na área central, com maior concentração dentro de um raio de um quilômetro das Quatro Pilastras. Essa pressão imobiliária coloca em risco a permanência do patrimônio arquitetônico. Há ainda bairros com boas condições de infraestrutura, contíguos ao centro, como Clélia Bernardes, Ramos, parte do Fátima, Lourdes e Belvedere. Na porção mais ao sul e em parte do leste localizam-se cerca de duas dezenas de condomínios de alta renda, com destaque para a aglomeração em torno do Bosque Acamari e na região dos Cristais. As áreas mais carentes são muitas e bastante populosas, como os bairros Santo Antônio, São Sebastião, Bom Jesus, Sagrada Família, Amoras, Novo Silvestre e os conjuntos Coelhas.
Planejar e gerir cidades é buscar formas de diminuir continuamente as disparidades socioambientais da ocupação humana no território municipal. Em Viçosa, na área central, deve-se avaliar o amplo processo de verticalização quanto ao forte adensamento populacional e à circulação de veículos, bem como garantir a permanência do patrimônio arquitetônico. Nas áreas periféricas, é necessário melhorar as condições das moradias, da mobilidade com a qualidade das calçadas e das vias de ligação entre os bairros, o transporte coletivo, com serviços noturnos e aos finais de semana, a implantação descentralizada de equipamentos públicos de qualidade, bem como o estímulo à geração de empregos próximos aos bairros residenciais. São importantes ações efetivas complementares à regularização fundiária, à assistência técnica para habitação social, à fiscalização e ao controle adequados, tanto das edificações quanto dos loteamentos e da ocupação de áreas de risco.
23 janeiro 2026
18 janeiro 2026
11 janeiro 2026
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