06 setembro 2026

SOCIEDADE DA PRESSA


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG,  em 3 de setembro de 2026.

Já são conhecidos alguns termos ligados aos nossos tempos recentes e à velocidade em que imprimimos aos nossos cotidianos. Basta olhar nas ruas das cidades a pressa dos motociclistas, a pressa dos que precisam atravessar as ruas e a pressa com que queremos novidades e reações às nossas postagens nas redes sociais. Entre os termos utilizados, estão “doença da pressa” ou “síndrome da pressa”, expressões associadas a um estado de permanente urgência, causado principalmente pelo ritmo frenético ao qual estamos todos submetidos. O aumento excessivo da ansiedade é um dos principais fatores associados a esse fenômeno.

A urbanização acelera o ritmo de vida e gera a chamada sociedade da pressa. Temos pressa de sair de casa, de almoçar, de realizar as tarefas, de voltar para casa e de comer sem contato social com as pessoas de carne e osso, para continuarmos conectados às redes; ansiosos para ver as novidades: vídeos, fofocas, reels, memes ou fake news. Com isso, vivemos cansados, ansiosos, sem convívio social, de olho na grama do vizinho. Sequer conhecemos os vizinhos. Temos milhares de contatos virtuais e, paradoxalmente, temos dificuldade para estabelecer relações sociais. 

Nas lojas, demoramos para ser atendidos e, quando somos atendidos, tudo é feito com pressa para que os vendedores voltem para suas telinhas. Corremos para entrar nas longas filas dos supermercados. Corremos para enfrentar um trânsito parado; para ficar parados aguardando o sinal verde; esperamos por muito tempo os ônibus atrasados e, depois, enfrentamos a disputa por cadeiras vazias.

A pressa produz ansiedade coletiva. Não temos apenas pressa para fazer; temos pressa para ser. Pressa para conquistar, para enriquecer, para aparecer, para mudar de emprego, para viajar pelo mundo, para alcançar o sucesso. A sociedade da pressa pressiona os jovens a procurar, muitas vezes em vão, atalhos para serem economicamente bem-sucedidos na vida, além de estimulá-los a comprar veículos mais velozes e celulares com internet ultrarrápida. Não querem ter patrão, mas são submissos à enorme cobrança por produtividade em um contexto de precarização do trabalho, como, por exemplo, nos serviços de entrega rápida, que potencializam os acidentes por causa da danada da pressa. Há pressa para sair dos hospitais e dos prontos-socorros, mas muitas pessoas acabam permanecendo semanas internados ou até mesmo ficando permanentemente inválidos.

O planejamento urbano priorizou o automóvel e a rapidez e ignorou os sinais da necessidade de melhorar as condições e as dimensões das vias, bem como de implementar um transporte coletivo de qualidade e fluido. Sucumbiu às pressões do setor imobiliário e dos agentes ávidos por verticalizar exageradamente as cidades em áreas valorizadas e por rapidamente expandir os limites urbanos. 

Não há tempo para reivindicar melhorias das nossas cidades nem para planejar a médio e longo prazos. Governos são pressionados a apresentar resultados imediatos. Prefeitos têm de gastar, muitas vezes mal, rapidamente e de maneira inconsequente, os recursos das emendas parlamentares. Pressa por lucros, pressa de viver, pressa de chegar e de sair. A sociedade da pressa nos cobra velocidade; entretanto, nos entrega cansaço e doenças. Promete conexão, mas produz isolamento. Promete liberdade, mas nos mantém permanentemente ocupados.


REDE MIKRIPOLI

 

Reunião da Rede nacional de pesquisadores de pequenas cidades  Mikripoli, realizada junto com o VIII Sinapeq, na Unimontes, em Montes Claros. 
Rede se que se expande com pesquisadores sobre pequenas cidades de todas as regiões do país.

VIII SINAPEQ - MONTES CLAROS

Foi realizado em Montes Claros o VII Simpósio Nacional sobre de Pequenas Cidades.

Evento realizado em  parceria entre a Unimontes e a Rede Nacional de Pesquisadores de Pequenas cidades, denominada Mikripoli.

Pequenas cidades, grandes assuntos.

Circuito de Conhecimento, na Unimontes.

Fotos Ítalo Stephan, agosto de 2026

23 agosto 2026

REGIÃO IMEDIATA DE VIÇOSA

 


Artigo publicado no jornal Folha da Mata em 20/08/2026

REGIÃO IMEDIATA DE VIÇOSA

O IBGE criou uma nova nomenclatura para o que antes era conhecido como Microrregião de Viçosa. Agora, a denominação é Região Geográfica Imediata de Viçosa, que faz parte da Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora, na Zona da Mata. O intuito da Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias (2017) é contribuir para a compreensão territorial do Brasil, dividindo-o em partes menores, mas coerentes entre si. Nesse sentido, os municípios são pontos de partida para organizar o território e compreender a maneira como se relacionam, seja pelos fluxos de serviços, informações, consumo e outros recursos. Essa divisão busca subsidiar a organização de políticas públicas com base na rede urbana e na demanda por serviços essenciais de proximidade, como saúde, educação, serviços e comércio. Também procura compreender a dinâmica econômica real e o fluxo cotidiano de pessoas em torno de um centro urbano principal. Viçosa é o polo dessa região imediata, composta por 12 municípios e com cerca de 180 mil habitantes, sendo Viçosa o município mais populoso e Pedra do Anta, o menos populoso.

Outro conjunto de dados atual é o Índice de Progresso Social (IPS), que reúne diversos indicadores. O índice serve para medir a qualidade de vida da população de um lugar utilizando dados sociais e ambientais, sem considerar diretamente aspectos econômicos, como o PIB ou a renda. Ele permite verificar quais municípios oferecem melhores condições de vida aos seus moradores e compará-los. 

O IPS também possibilita avaliar se os investimentos públicos estão, de fato, produzindo resultados práticos para a população. O IPS apresenta 57 indicadores, divididos em grupos temáticos, tais como cuidados médicos, saneamento, saúde e bem-estar e inclusão social. Os indicadores dos municípios da nossa região são, em geral, apenas regulares. Destaca-se, porém, um indicador no qual Viçosa ocupa a primeira posição no país: o acesso ao ensino superior, o que muito nos orgulha.

Viçosa tem nota 67,99 e ocupa a 181ª posição no Brasil. Gavião Peixoto (nota 73,10) e Jundiaí (71,80) lideram a lista nacional. Em Minas Gerais, Viçosa está em 21º lugar, enquanto Nova Lima (nota 71,20) ocupa a primeira posição, seguida do município turístico de Córrego Bom Jesus (70,23) e de Ouro Branco (70,20). Mas há também pontos negativos, como os índices relacionados à violência contra mulheres e negros. 

Na nossa Região Geográfica Imediata, alguns indicadores positivos merecem destaque, como as notas do IDEB, em Coimbra, e a cobertura vacinal, em Araponga. No entanto, as notas gerais são baixas, colocando os demais municípios da Região Geográfica Imediata de Viçosa em posições que variam entre a 2.488ª (Ervália) e a 4.434ª (Cajuri) entre os 5.570 municípios brasileiros.

No IPS de 2026, aparecem aspectos negativos relacionados à violência contra mulheres e negros (Viçosa, Canaã, Presidente Bernardes e Pedra do Anta); ao índice de homicídios (Cajuri, Coimbra e Teixeiras); ao índice de obesidade (Pedra do Anta, Teixeiras e Paula Cândido); à evasão no ensino médio (Pedra do Anta e São Miguel do Anta); ao abastecimento de água (Canaã, Ervália e Presidente Bernardes); à deficiência na coleta de esgoto e de resíduos (Araponga e Coimbra); e à mortalidade infantil (Cajuri).

Há, portanto, muitos aspectos a serem melhorados e que devem ser objeto de políticas públicas efetivas. Os dados da nossa Região Geográfica Imediata mostram deficiências que podem e devem ser tratadas em conjunto, por meio de planejamento e cooperação entre os municípios. Eles estão disponíveis no site do IPS Brasil. Confira!

Ver: https://ipsbrasil.org.br/


17 agosto 2026

PATRIMÔNIO EM RISCO: ANTIGO CEDRUS

Viçosa-MG. Casarão que abrigava o antigo restaurante Cedrus, atualmente abandonado, em péssimo estado de conservação.

Vista do telhado em péssimas condições. Os proprietários têm sido notificados pelo Conselho Municipal de Patrimônio - Compath e pelo Ministério Público para tomar providencias para recuperá-lo.

Vista da varanda com várias patologias surgidas pelo abandono.

Interior, parte do  telhado caído, divisórias quebradas.

Fotos Ítalo Stephan, agosto de 2026.

15 agosto 2026

URBAN PATTERN: PRIPRYAT


Pripryat, Ucrânia, cidade fantasma. Vizinha à usina de Chernobyl.  Planejada  para 50 mil habitantes; modernista, inaugurada em 1970, abandonada em 1986. Sua área precisa de  900 a 20.000 anos para poder ser reocupada.
Pripryat, acrílico sobre base de MDF, 90x90 cm, agosto de 2026.

10 agosto 2026

Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026

 


Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) defende, em Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026, um pacto pelo planejamento urbano e ambiental. O documento defende que os desafios impostos pelas mudanças climáticas, pelas desigualdades urbanas e pela precariedade da infraestrutura exigem políticas públicas permanentes e articuladas, capazes de preparar as cidades brasileiras para o futuro.

https://caubr.gov.br/cau-br-defende-pacto-pelo-planejamento-urbano-em-carta-aos-candidatos-de-2026/


09 agosto 2026

JARDIM BOTÂNICO DA UFJF

Antigo Sítio Malícia, hoje lindo parque urbano, o mais bonito de Juiz de Fora

Inúmeras espécies de flora atraem fauna diversa.

Ambientes de descanso e encontro

Decks nas margens do lago

Lindo lago cercado da Mata do Krambeck.

O que precisa melhorar: acessibilidade para cadeirantes; idosos, carrinhos de bebê.

Fotos Ítalo Stephan, agosto de 2026

BAR DO ABÍLIO


O tradicionalíssimo Bar do Abílio, aberto em 1969, no centro de Juiz de Fora.
Patrimônio cultural da cidade.
Não à toa campeão duas vezes de Comida de Buteco.
Foto Ítalo Stephan, agosto de 2026.

 

01 agosto 2026

POLUIÇÃO VISUAL

Em Viçosa (MG), esse belo edifício eclético centenários, em frente ao Balaústre e à estação Cultural Hervê Cordovil, merece ser melhor cuidado, com os letreiros e painéis comerciais compatíveis. Se não é poluição visual. 

O que acham?

Foto: Ítalo Stephan, agosto de 2026.

POLUIÇÃO VISUAL

Em Viçosa(MG), ao lado do Balaústre, perto da Estação Cultural Hervê Cordovil, ambos tombados como patrimônio arquitetônico, esse conjunto de lojas improvisadas ao longo da linha férrea dá um desagradável aspecto. Algo a ser  melhorado, não acham?

Deixe sua opinião.

Foto Ítalo Stephan, agosto de 2026.

25 julho 2026

BARREIRAS FÍSICAS E SIMBÓLICAS

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 30/o7/26.

A segregação socioespacial, comum em nossas cidades, organiza o espaço de forma desigual. Ela decorre de fatores econômicos, políticos e históricos, como também impacta a mobilidade, as oportunidades e a qualidade de vida da população. Além disso, interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos, afetando o acesso à educação, aos serviços de saúde, ao transporte, aos espaços de cultura e às oportunidades de trabalho.

Barreiras físicas existem na maioria de nossas cidades. Às vezes, são representadas por morros, rios, linhas férreas ou pistas de pouso e decolagem. Outras vezes, decorrem da própria infraestrutura urbana, quando esta é inexistente ou precária, bem como dos inúmeros obstáculos à acessibilidade, como calçadas irregulares, ausência de rampas, desníveis e grandes inclinações. Muitas vezes, essas barreiras contribuem para a valorização de determinadas áreas em detrimento de outras, separando populações de diferentes faixas de renda. Há também, em muitas cidades, barreiras constituídas por muros de condomínios verticais (presentes em diferentes padrões de renda) e de condomínios horizontais fechados (predominantemente de alta renda), além de vias expressas que separam bairros ricos e pobres. Tais barreiras promovem a segregação socioespacial e podem ser reforçadas, inclusive, por um zoneamento urbano inadequado.

Além das barreiras físicas, existe outro tipo de segregação no espaço urbano: as barreiras simbólicas. Já se foi o tempo dos elevadores separados e dos quartos de empregada. Outras barreiras mais sutis persistem, impedem ou dificultam o acesso de determinados grupos a certos espaços, limitando a igualdade por meio da deslegitimação e da invisibilidade social. São barreiras muitas vezes invisíveis, mas que discriminam o uso dos espaços, inibem a livre circulação e transmitem a impressão de que determinados locais pertencem a grupos restritos. Dessa forma, algumas regiões passam a ser vistas como "proibidas" para certos segmentos da população, mantendo a divisão territorial mesmo na ausência de barreiras materiais evidentes. Essas barreiras criam um sentimento de pertencimento restrito.

Por outro lado, há regiões da cidade que estigmatizam seus próprios moradores, reforçando a exclusão social. Em geral, são bairros periféricos ou comunidades frequentemente carentes de infraestrutura e, muitas vezes, considerados perigosos. Em inúmeros casos, seus moradores são alvo de preconceitos, o que pode limitar até mesmo o acesso a oportunidades de emprego. Um exemplo de barreira simbólica foi o termo “favela” (embora tenha readotado recentemente pelo IBGE). Outro exemplo é quando alguma audiência pública acontece em um local frequentado por pessoas de alta classe econômica. Essa condição parece dizer que o evento é dirigido apenas a essa classe e que as demais não são desejadas. 

Uma barreira simbólica existente em Viçosa é a entrada do Campus da UFV, materializada pelas Quatro Pilastras. Incrivelmente, ainda hoje, elas parecem sinalizar, ainda que de forma implícita, que aquele espaço não deve ser ultrapassado por todos. Não há qualquer informação, em lugar algum, que impeça os cidadãos de utilizar o principal parque público da cidade. Isso é real. Essa barreira simbólica precisa ser superada. O câmpus é um espaço de todos. Além de abrigar uma importante instituição de ensino superior, que obviamente não atende a toda a população, mas oferece um patrimônio paisagístico, ambiental e cultural que pode e deve ser usufruído por todas as comunidades e tribos, independentemente de renda, instrução ou cor da pele.

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21 julho 2026

VITÓRIA DOS MORADORES

Neste terreno na Quinta dos Guimarães, em Viçosa, havia uma torre de celular. 
Os moradores lutaram e depois de alguns anos, finalmente venceram. 
A torre foi desmontada, trazendo sossego para os moradores.

19 julho 2026

Juiz de Fora ano 2001


Capa do jornal Diário da Tarde, possivelmente de 1974. 
Adolescente na época, sonhei muito com essa imagem. Decepção? Não! Não dá para adivinhar o futuro. 

Ver também: https://www.instagram.com/reel/DS-JpdBjvH9/

18 julho 2026

IMPASSE NO PATRIMÔNIO

Edifício Alcântara, no centro de Viçosa(MG).
Em processo de tombamento, as obras de recuperação estão paradas. 
A família proprietária troca de inventariante, o engenheiro responsável técnico foi trocado. 
Enquanto isso, coloca-se tapume, tira-se tapume, agride-se mais o bem com fechamentos indevidos, expondo os transeuntes a riscos causados pelo desgaste.
O Ministério Público está a par; a família e a Segeplan da Prefeitura vêm  sendo notificadas. 

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05 julho 2026

ARRANJO POPULACIONAL DE VIÇOSA

 


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa(MG), em 1º de julho de 2026.

    Vivemos na região de Minas Gerais conhecida, há muito tempo, como Zona da Mata. Esse termo ainda é utilizado, mas passou a coexistir com outras denominações adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como a Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora. A antiga Microrregião de Viçosa passou a ser denominada Região Geográfica Intermediária de Viçosa, assim como ocorreram mudanças semelhantes nas regiões intermediárias de Ubá, Ponte Nova, Muriaé e Manhuaçu. Nossa região geográfica imediata é formada por mais 11 municípios: Araponga, Cajuri, Canaã, Coimbra, Ervália, Paula Cândido, Pedra do Anta, Porto Firme, Presidente Bernardes, São Miguel do Anta e Teixeiras.

    Desde 2018, há também o conceito de “arranjo populacional”, criado com o propósito de oferecer um modelo territorial capaz de representar as relações econômicas e sociais. Com isso, o IBGE ampliou a noção do urbano. A fragmentação entre o local de moradia e o local de trabalho nos centros urbanos responde a uma nova organização mundial do trabalho, dando origem a distintos arranjos no território. Esses instrumentos contribuem para a compreensão da complexa rede de cidades em que vivemos.

    Os arranjos populacionais, segundo o IBGE, são unidades territoriais compostas por mais de um município que apresentam integração significativa, seja pela contiguidade das áreas urbanizadas (conurbação), seja pela existência de deslocamentos frequentes de seus habitantes para trabalho ou estudo. O objetivo é integrar informações e estatísticas para coleta e divulgação de dados, auxiliando o planejamento territorial, que não deve mais se restringir aos limites administrativos dos municípios. O IBGE identificou 294 arranjos populacionais no país, compostos por 938 municípios.

    O Arranjo Populacional de Viçosa (MG) é classificado pelo IBGE como um polo da hierarquia urbana voltado à prestação de serviços, ao comércio regional e, sobretudo, à educação. Viçosa destaca-se por centralizar uma intensa dinâmica de deslocamentos pendulares, atraindo diariamente milhares de pessoas de municípios vizinhos para estudar, para trabalhar ou para utilizar serviços de saúde, especialmente de Teixeiras e Cajuri. Municípios como Ponte Nova, Ubá e Cataguases configuram arranjos populacionais com base em outros aspectos socioeconômicos.

    O perfil desse arranjo populacional é fortemente moldado pela presença da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Univiçosa e dos cursos pré-universitários, uma vez que a população estudantil acrescenta cerca de 20 mil pessoas ao município. Esse contingente impacta os dados do Censo, pois parte significativa dessa população flutuante — aproximadamente 20% — não é contabilizada como moradora permanente, embora determine o fluxo diário e a sazonalidade da cidade. Esse excedente populacional, por outro lado, exerce forte influência na economia local, especialmente nos setores da construção civil, serviços de saúde, alimentação, papelaria e prestação de serviços domésticos. Também há impacto no fluxo de automóveis, muitos deles emplacados em outros municípios, o que resulta em menor arrecadação de IPVA.

    Todos esses dados e estatísticas constituem instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de políticas de planejamento municipal e, de forma ainda mais relevante, microrregional, nos âmbitos econômico, social e físico-territorial. Torna-se necessário estabelecer consórcios e outras formas de parceria entre os municípios, uma vez que a preservação ambiental, a produção de água e o uso do solo já não se limitam às fronteiras administrativas municipais.

Mapa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Geogr%C3%A1fica_Intermedi%C3%A1ria_de_Juiz_de_Fora

28 junho 2026

NATUREZA

No Campus da UFV, árvores que se foram com a tempestade.

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Em outro ponto do Campus da UFV, árvores que se foram com a tempestade.

Árvores que permanecem e nos brindam com flores.

Fotos Ítalo Stephan, junho de 2026

27 junho 2026

22 junho 2026

LEGISLAÇÂO DE USO DO SOLO EM VIÇOSA-MG

Efeitos da legislação urbanística modificada.  

A permissão de fazer mais dois pavimentos de garagem acima da loja+sobreloja cria paredões e impede que prédios vizinhos recebam iluminação e tenham suas vistas obstruídas. Essa alteração na lei do uso do solo prejudicou prédios mais antigos.

Essa construção nova encosta no beiral da casa antiga, impede a iluminação e ventilação das janelas laterais. Descuido da fiscalização?

É urgente revisar  a legislação, para impedir casos como esses.

Fotos Ítalo Stephan, junho de 2026

21 junho 2026

RECONSTRUIR O PATRIMÔNIO?


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, 18 de junho de 2026

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou o município e os proprietários a reconstruírem uma casa demolida ilegalmente em Viçosa. O imóvel, localizado na avenida Bueno Brandão, estava catalogado na Lista de Bens Inventariados desde 2010, devido ao seu valor histórico. Também por fazer parte do conjunto eclético remanescente na área central, juntamente com o Balaústre, a Estação Hervê Cordovil, a Casa Arthur Bernardes. Criou-se um situação inédita em Viçosa, mas não no Brasil (exemplos: Carmo do Rio Claro e Paracatu, em MG e em Planaltina -DF). O Ministério Público de Minas Gerais, tem a função constitucional de defender e proteger o patrimônio público e social, o meio ambiente e outros interesses difusos e coletivos. O proprietário de um bem protegido, seja tombado ou inventariado, tem a responsabilidade de conservá-lo, conforme previsto no Decreto-Lei nº 25/1937 e na Constituição Federal.

Após dois pedidos de demolição negados em 2014 e 2017, os proprietários obtiveram autorização do Conselho Municipal de Cultura e do Patrimônio Cultural e Ambiental em 2019. No terceiro pedido de demolição, alegaram graves dificuldades financeiras para manter o imóvel, afirmando que este se encontrava em situação precária e sem condições de habitação. Com o aceno positivo a esse pedido, considerado equivocado aos olhos do Ministério Público, o imóvel foi rapidamente demolido. Após a derrubada da casa, foi instalado um estacionamento no terreno, posteriormente interditado pela Justiça.

Por estar em uma área nobre e central, o valor da terra é enorme. Para o mercado imobiliário, um terreno vazio vale mais que uma casa antiga. Há grande pressão dos construtores para que os proprietários consigam autorização para demolição. Essa pressão é acompanhada   pelo aceno de milhões de reais pelo terreno vazio, o que representaria significativa vantagem financeira.  

O Conselho de Patrimônio (Compath) precisa atuar, por um lado em conformidade com a lei, amparado e fiscalizado pelo Ministério Público e, por outro, em busca de soluções viáveis para permitir o desenvolvimento urbano junto com os proprietários e com o setor da construção civil. A casa, na esquina com a rua Silvio Romeu, ocupava menos de um terço da área do terreno; o restante era ocupado por construções sem qualquer valor, o que permitiria uma nova construção ao lado.  O Conselho, na época das duas negativas, tentou negociar, sem sucesso, alternativas, inclusive com vantagens por meio do uso do “Transferência do Potencial Construtivo”. Esse instrumento urbanístico já foi utilizado algumas vezes em Viçosa (na própria avenida e na rua Gomes Barbosa). Recentemente, negociações entre a preservação e o progresso resultaram na preservação da bela fachada do Hotel Rubim e de grande parte da primeira pousada de Viçosa, na mesma rua. 

Preservar o patrimônio é um desafio enorme em qualquer cidade. São muito comuns casos em que os proprietários simplesmente abandonem os imóveis, não façam manutenções periódicas, deixem janelas abertas, removam telhas deixando o tempo e o clima acelerarem sua deterioração.  Os aclamados ventos do “progresso” sopram forte para substituir exemplares constituintes da identidade local. No entanto, a convivência de arquitetura de diferentes épocas é saudável para a sociedade como um todo. A decisão da justiça em cobrar a reconstrução do imóvel não é simples, pois sua reconstrução geraria um falso patrimônio. A discutir como isso seria feito. Por outro lado, fica o aspecto didático de impedir novas tentativas de destruição do nosso valioso patrimônio arquitetônico e cultural.

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Foto retirada do Google Maps Street View.


13 junho 2026

RECONSTRUÇÃO ?

 



A Justiça de Minas Gerais determinou a reconstrução de uma casa histórica na Avenida Bueno Brandão, em Viçosa, demolida ilegalmente . O município e os proprietários do terreno foram condenados a pagar R$ 80 mil por danos morais coletivos. 
Agora, terão de reconstruir o imóvel com as mesmas características originais. 
Proposta controversa: reconstruir significa construir um pastiche, no entanto, a medida tem cunho didático, para que isso não se repita.

07 junho 2026

ÍNIDICE DE PROGRESSO SOCIAL BRASILEIRO


Dados socioeconômicos e físico-territoriais são ferramentas importantes para o planejamento em todos os níveis de governo. O Brasil precisava de uma nova medida para avaliar e quantificar o que realmente importa para as pessoas, além do contexto econômico, pois o desenvolvimento econômico não representa, necessariamente, desenvolvimento social.

Diferentemente dos índices do PIB (Produto Interno Bruto) e do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o IPS utiliza dezenas de indicadores exclusivamente sociais e ambientais. O Índice de Progresso Social Brasil, desenvolvido por meio da metodologia do Social Progress Imperative (organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos), foi criado para atender a essa necessidade. Desde 2024, ele tem sido uma ferramenta de gestão territorial baseada em dezenas de dados públicos, capaz de identificar e apresentar, em uma mesma escala, se as pessoas dispõem do que precisam para prosperar, desde necessidades básicas, como abrigo, alimentação e segurança, até o acesso à informação e à comunicação. Outro aspecto avaliado é se os brasileiros são tratados igualmente, independentemente de gênero, raça ou orientação.

O IPS Brasil é o índice mais completo da realidade socioambiental dos 5.570 municípios do país. Segundo os organizadores do SPI, o índice “proporciona um panorama multidimensional e acessível sobre a performance de municípios e estados em atender às necessidades básicas de seus cidadãos”. O IPS é composto por 57 indicadores secundários provenientes de fontes públicas, exclusivamente sociais e ambientais, que medem resultados, e não investimentos. Esses indicadores foram organizados em um índice geral, com nota de 0 a 100, além de índices para três dimensões (Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades) e doze componentes, entre eles: Água e Saneamento, Moradia, Segurança Pessoal, Acesso ao Conhecimento Básico, Saúde e Bem-Estar, Qualidade do Meio Ambiente, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior.

A maior nota do mundo é a da Noruega, que alcança 91,73 pontos. A nota do Brasil é 72,74, inferior às de Chile (79,50), Uruguai (79,33) e Argentina (75,93), ocupando a 55ª posição no ranking entre 170 países. No Brasil, a maior nota ficou com Gavião Peixoto (SP), que alcançou 73,10 pontos. Considerando que a nota máxima é 100, mesmo o município mais bem posicionado indica que ainda há muito a ser melhorado. 

Em Minas Gerais, Nova Lima aparece com nota 71,22, enquanto Belo Horizonte alcançou 69,66. Viçosa aparece em 21º lugar no estado, com nota 67,99. Entre os indicadores parciais, o município obteve 69,08 em Qualidade do Meio Ambiente (em comparação com Belo Horizonte, que registrou 65,32) e 46,87 em Inclusão Social, valor que precisa ser significativamente melhorado, embora ainda seja superior ao de Muriaé e ao de Juiz de Fora (43,50 e 38,35, respectivamente). Outro dado preocupante é o índice de perda de água na distribuição, de 38,16%, valor elevado quando comparado, por exemplo, aos 27,8% registrados em Alfenas, que também é alto. Por outro lado, Viçosa se destaca no indicador de acesso à educação superior, com nota 75,14, a maior de Minas Gerais. 

É possível conferir a situação de cada município por meio do portal do IPS Brasil, onde estão disponíveis os dados de Viçosa. A análise evidencia que a área mais crítica do município é a inclusão social. Outra área sensível é a segurança, que merece maior atenção dos governantes. Essas bases de dados são importantes para subsidiar a formulação de políticas públicas, fundamentais para a promoção da sustentabilidade social.


31 maio 2026

PALÁCIO DO GOVERNO DE MINAS GERAIS

 

O Palácio do Governo de Minas Gerais é uma construção sóbria, neoclássica. 
Frente: toda construída em pedra, simetria como aspecto a destacar.

Fundos, em alvenaria e reboco, com cores suaves e simetria mantida.



Amplos salões ricamente adornados e mobiliados.

Palácio da Liberdade, que continua sendo a sede oficial e histórica do governo, localizado na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

O Palácio da Liberdade foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 1975.

Fotos Ítalo Stephan, maio de 2026.