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27 janeiro 2020

INUNDAÇÕES E DESABAMENTOS : COMO O PLANEJAMENTO URBANO PODE INFLUENCIAR

Manhuaçu-MG - chuvas de janeiro de 2020.

Excelente texto sobre o processo de expansão urbana de Manhuaçu:

CRESCIMENTO URBANO X ÁREA NÃO EDIFICANTES: UMA ANÁLISE DAS
OCUPAÇÕES IRREGULARES DA CIDADE DE MANHUAÇU.

Matheus Pinheiro de Almeida e Fernanda Cota Trindade

Texto:
http://pensaracademico.facig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/view/456

Foto:
https://cartadenoticias.com.br/?p=35423


15 dezembro 2019

SOBRE AS NOTÍCIAS A RESPEITO DO PLANO DE MOBILIDADE


Vista do Shopping Chequer - improviso, irregular, esteticamente  desagradável.

Temos sempre de tomar cuidado ao ler e depois avaliar as notícias. Tem havido mal entendidos. Recentemente, a notícia foi a de que o  Plano de Mobilidade iria acabar com o Shopping Chequer.  Não é bem assim. Todo o processo deverá ser bem discutido, principalmente com os ocupantes das lojas atuais.

É importante fazer alguns esclarecimentos e alertas sobre o assunto.

Vamos ao ponto noticiado. O melhor é consultar a fonte, ou seja, o plano.

Eis o que está previsto no PlanMob:

“Caberá à Administração Municipal providenciar a elaboração de projetos urbanísticos para, pelo menos, os seguintes logradouros públicos, dentre eles a área do atual Terminal Rodoviário e do Shopping Chequer. Isso é um processo que poderá durar alguns anos. O projeto deverá prever a desativação do atual terminal rodoviário e a implantação de novo terminal num dos eixos de expansão da cidade, em local a ser definido.

O atual terminal passará a receber os ônibus da microrregião. A proposta é a de que seja acrescentado um pavimento, ao nível da avenida, para receber as lojas do atual shopping popular. O local do atual shopping será transformado em uma agradável praça.

Caberá até mesmo uns quiosques nesta futura praça.

14 fevereiro 2018

PONTO PERIGOSO


Esse "ponto" de ônibus serve a muitos moradores do bairro Jóquei Clube, Zona Norte de Juiz de Fora. É muitíssimo perigoso, pois se encontra em uma avenida de grande fluxo, que liga toda a Zona Norte ao Centro.
Não tem travessia para pedestre, não tem proteção nenhuma contra o sol e os banhos de água das poças que se forma com a chuva. Não tem iluminação e a calçada é muito estreita.
Tem um muro quebrado que dá acesso à linha férrea, tornando um local muito perigoso.
Atenção autoridades: transformem esse ponto em algo adequado, sob o risco de continuar a oferecer alto risco de acidentes aos usuários.

Foto Ítalo Stephan, Fevereiro de 2018.

SEM SAL, SEM SOL



Os prédios mais altos do país tiram o sol da praia  Central em Balneário Camboriú (SC) - essa é uma notícia constante sobre a cidade.

A alta concentração de apartamentos, ou seja, a alta densidade permitida  ignora o planejamento urbano adequado.

A especulação ganha de goleada do bom senso. Um tiro no pé.

Faltam locais para estacionamento, o trânsito  está sempre congestionado, a coleta de lixo e o abastecimento de água são crônicos.

Fotos:
http://dimassantos.com.br/balneario-camboriu-sc-a-praia-dos-predios-mais-altos-do-brasil-ficou-sem-sol/
http://www.clickcamboriu.com.br/blogs/bc-acontece/2018/01/balneario-camboriu-no-fantastico-e-sombras-na-orla-182070.html


17 março 2017

OS JOVENS E OS ESPAÇOS PÚBLICOS

 

 DISCUSSÃO NECESSÁRIA

Recentemente a Prefeitura de Viçosa proibiu o uso de mesas e cadeiras  em espaços públicos. Isso repercutiu negativamente,  com muita força, entre os jovens, donos de bares e a população em geral. Veio à tona mais uma vez algo que já se tornou crônico: a falta de espaços destinados ao lazer e aos encontros, mesmo que isso inclua muita cerveja.

Como lidar com a questão do uso dos espaços públicos e da demanda legítima ?
É possível chegar a uma solução? Há mais de uma?
É possível chegar a um acordo factível, onde a soma dos pontos em que alguns abram mão, com os benefícios  não seja positiva para a cidade?


Já se passou muito  tempo sem que a questão fosse discutida e resolvida. Já era necessária há mais de vinte anos, e a situação só vem se avolumando.

Encaminhei aos vereadores uma proposta de realização de uma audiência pública para discutir o assunto. Em breve poderemos ter a audiência. Deverá ser uma audiência que inclua a Prefeitura Municipal, a Câmara, a UFV, a Univiçosa, o DCE, os estudantes, enfim, quem quiser participar.

Bom, teremos uma audiência pública. A participação de todos os autores é essencial.  Mas nela é necessário que estejam participantes, que surjam  propostas, e que as propostas se tornem realidade. Um pacto é possível? Alternativas existem?

Sim, acredito.  Acreditem.

Foto:

http://www.montanhesa.am.br/vicosa/noticias/estudantes-tomaram-a-av-santa-rita-e-causaram-diversos-problemas-em-vicosa/

19 julho 2015

Água Clara-MS

Localização de Água Clara

Água Clara - MS. 180 km de Campo Grande, 11 031,073 km², 14 686 habitantes. 

Município de oportunidades, com potencialidades e ameaças visíveis no seu desenvolvimento.  

Cidade em franco desenvolvimento, com ruas e calçadas largas, mas com muitos vazios urbanos. Foto Ítalo Stephan, 2015

Expansão desenfreada de loteamentos, quase todos surgem sem quaisquer infraestrutura. Foto Ítalo Stephan, 2015

Praça em bairro. Foto Ítalo Stephan, 2015

Muitas serrarias. Mudança do pinus para o eucalipto. Foto Ítalo Stephan, 2015


12 março 2013

Responda, se puder


Responda, se puder!


Sua cidade tem:
- um setor de planejamento urbano?
- arquitetos e urbanistas nos setores da administração municipal?
- plano diretor urbano aplicado?
- conselho da cidade funcionando?
- a prefeitura exige RRT (Registro de responsabilidade técnica) de projeto arquitetônico?
- algum índice urbanístico é considerado para a aprovação de projetos residenciais multifamiliares?
- as APPs de cursos d´água são respeitados?
- fiscalização de obras e posturas eficiente?

Quem responder sim a algumas dessas perguntas, por favor espalhe aos quatro cantos do mundo!
Quem responder sim a  todas estas perguntas, só pode ser um mentiroso.

Isso deve ficar assim?
O que podemos fazer?


Um bom começo:
Sua cidade tem:
- um setor de planejamento urbano? Sim
- arquitetos e urbanistas nos setores da administração municipal? Sim, vários, mais de 20!
- plano diretor urbano aplicado? Sim. Já é o quarto, se não me engano...
- conselho da cidade funcionando? Sim
- a prefeitura exige RRT (Registro de responsabilidade técnica) de projeto arquitetônico?
Sim, ou ART para engenheiros...
- algum índice urbanístico é considerado para a aprovação de projetos residenciais multifamiliares?
Que tipo de índices? Essa é meio vaga... Temos índices que foram usados no zoneamento, alguns recursos como medidas mitigativas e compensatórias, essas coisas.
- as APPs de cursos d´água são respeitados? Sim, mas tem muita coisa antiga ainda a consertar.
- fiscalização de obras e posturas eficiente? Deficitária, mas tem. Caminhando.
Abraços,
Sérgio Stein de Uberlândia!


Bruno Sitta diz:
Estou morando em Ilhéus, e por aqui respondo as perguntas na ordem:
-Sim;
-Sim;
-Em partes apenas;
-Em partes apenas;
-Sim;
-Alguns;
-Não;
-Não.


Racchel Santiago diz:
Dionísio-MG -  arrasando e ganhando um "não" para todas as respostas.


06 junho 2012

Plano Diretor de Luz-MG: reuniões setoriais



Os trabalhos de elaboração do Plano Diretor Participativo de Luz continuam, agora na fase  das reuniões setoriais. As duas primeiras, realizadas nos dias 4 e 5 de junho, trataram do controle do uso do solo, zoneamento, parcelamento do solo.

24 setembro 2011

DESENCANTAMENTO POR VIÇOSA

Texto da professora gentilmente colocado à disposição para que fosse publicado neste blog.
Publicado esta semana no jornal "O Popular"
Maria José de Oliveira Fontes

Acolhedora, cidade de encontros, desencontros, paixões, alegrias, tristezas, sonhos, encantos e até desencantos. É assim que eu e grande parte da população que aqui desembarcou para estudar, trabalhar e... viver, sente por Viçosa. Há 23 anos, quando passei no concurso para docente, realizei dois dos meus grandes sonhos: ser professora e ser professora da Universidade Federal de Viçosa. Desde que me mudei para fazer o curso de Economia Doméstica, já se foram aproximadamente 30 anos aqui. Nascida em Piumhi, Sudoeste de Minas Gerais, tenho Viçosa como cidade do coração, que tão bem me acolheu e que escolhi para viver com minha família. Em 2006, um acidente de carro transformou completamente minha vida, pois sofri uma lesão na medula que me deixou paraplégica. A despeito do acidente e apaixonada por minha profissão, reassumi as funções na UFV, em 2008.
Ao vivermos nessas condições, milhares de brasileiros com dificuldades de locomoção, temos que enfrentar no cotidiano diversos tipos de barreiras. Acredito que isso não seja novidade para os leitores. Então, para mim e para muitos do meu convívio começaram, a partir daí, a surgir os desencantos por onde passo, inclusive pela nossa querida Viçosa.
Na UFV, apesar de já terem sido iniciadas obras com o propósito de atender às pessoas com deficiência, ainda há muito que fazer. Existem barreiras que, a meu ver, são as mais difíceis de serem transpostas: a do desrespeito e a do preconceito. Por exemplo: veículos estacionados em vagas destinadas às pessoas com deficiências e falta de condições adequadas de acessibilidade no trabalho. Outras como rampas inadequadas impedindo a circulação com independência e segurança; falta de sinalização ou sinalização inadequada; falta de elevadores nos prédios; vias que não permitem transitar com segurança com a cadeira de rodas são barreiras que precisam ser eliminadas. Tenho conhecimento de que a atual administração, sensível a esses problemas, tem desenvolvido projetos de acessibilidade no campus e espero que essa iniciativa venha beneficiar a todos – docentes, discentes, servidores técnico-administrativos e visitantes – pessoas com deficiências que circulam em nossa estimada UFV.
Quanto ao município de Viçosa, as ruas, calçadas e edificações impedem que nós, cadeirantes circulemos com independência, segurança e autonomia conforme estabelece a lei. A elevada taxa de crescimento da cidade, nos últimos anos, tem levado a consequências sérias do ponto de vista urbanístico. Não é necessário ser especialista para perceber que há algo de errado acontecendo na cidade. É comum ouvirmos: a cidade, ou melhor, o trânsito está um caos. O número de carros é assustador. As calçadas não comportam as pessoas que têm de andar nas ruas; as construções ultrapassam os limites com seus tapumes; o comércio coloca suas mercadorias nas calçadas, impedindo a circulação das pessoas; as bicicletas circulam na contramão causando riscos a pedestres e motoristas; as motocicletas cortam os carros desesperadamente. Esses são problemas comuns a quem anda “normalmente”; imagine-se o mesmo cenário para as pessoas que possuem alguma deficiência! Enfrentar tudo isso e mais: usando cadeira de rodas, muletas, bengalas, não enxergando, dependendo de cuidados para se locomover como um idoso, uma criança pequena, uma gestante, uma mãe com seu carrinho de bebê para atravessar uma rua? Ah, isso seria demais!
Viçosa seria uma cidade encantadora, com rampas adequadas e alinhadas com as faixas de pedestres, calçadas sem buracos e niveladas, prédios com elevadores, vagas apropriadas, bem sinalizadas e proporcionais nos estacionamentos, calçadas sem desníveis para garagens, dentre outros. Mas, como tudo isso é um sonho e está longe do real, resta-nos o isolamento em casa.
É comum ouvir comentários como esse: “em Viçosa existem poucos cadeirantes, por que fazer rampa em minha loja, se não vendo para nenhum deles?” Respondo por mim e por várias pessoas com outros tipos de deficiências que tive oportunidade e o prazer de conhecer nesses quase quatro anos. Não saímos de casa e não vamos às lojas, aos shoppings ou supermercados, restaurantes etc., por falta de condições das ruas, calçadas, vagas em estacionamentos e, principalmente, por falta de acesso a esses locais. Não escolhemos, não gostamos e não queremos isso para nossas vidas. Nossas famílias e nossos amigos também não. Essa, enfatizo, é a situação de todos nós, independente da classe social e das localidades em que moramos. Este é um dos desencantos que Viçosa nos mostra e, por conseguinte, aos nossos amigos, colegas de trabalho e até mesmo aos visitantes.
Outra situação tem sido observada com certa freqüência é a seguinte: algumas autoridades se consideram conhecedoras das leis, mas, no momento de cumpri-las, parece que as esquecem e eu me pergunto: será que conhecem mesmo ou falta coragem política? Então entra o famoso jeitinho brasileiro! Fazer as coisas precariamente, de qualquer jeito, apenas para cumprir a lei... Nestes casos, perde-se tempo, dinheiro e mão de obra. Por quê? Porque não se pensa no usuário. Quem vai utilizar a plataforma ou o elevador? A cadeira de rodas vai entrar? Com acompanhante ou não? As vagas de estacionamento estão em número suficientes, dimensionadas e sinalizadas conforme determina a lei? Ou os responsáveis pela construção dos estacionamentos acham que os cadeirantes têm que pular pela janela para entrar no carro, quando fazem as vagas muito próximas, não deixando espaço suficiente para a cadeira de rodas? Com todo respeito aos especialistas que aqui não se incluem e a vocês, leitores, mas na maioria dos estacionamentos é isso o que ocorre.
Acredito que de leis, na área de acessibilidade, o Brasil não precisa mais; está recheado delas. Por exemplo, o Decreto Nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, define acessibilidade como a “condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida”. Em outras palavras, acessibilidade é um idoso poder entrar em um prédio utilizando um elevador com segurança para fazer um exame médico; é um cego que cruza a rua sozinho, porque o semáforo emite um sinal sonoro; é um anão que encontra um balcão de bilheteria da sua altura, na hora de ir ao cinema; é uma mulher grávida conseguir embarcar no ônibus (e passar pela roleta) sem nenhuma dificuldade; é uma pessoa obesa poder sentar-se confortavelmente na poltrona do ônibus; é uma criança surda ter à disposição intérpretes de libras na escola pública; é um cadeirante que pode se locomover com independência, segurança e autonomia numa cidade sem buracos nem obstáculos. Enfim, acessibilidade é a garantia plena do direito de ir e vir – e permanecer. Apesar das leis garantirem os direitos dessas pessoas o que é um grande passo, percebermos que a sociedade exclui as pessoas que considera diferente. E infelizmente, temos que assumir que essa é uma questão cultural, histórica e social. São várias gerações que excluíam e que o fazem até hoje. Precisamos, então, conhecer e reconhecer essas pessoas que vivem a nossa volta, excluídas por nossa própria ação. Ação manifestada pelos olhares, pelas atitudes, pela falta de tempo (“vou deixar meu carro só um minutinho!”) ou até mesmo pela agressividade que reagem quando são questionadas porque pararam numa vaga que não é permitida para elas. Parece que as pessoas desconhecem que ser ético é ter respeito ao outro, quando se vive em sociedade. Isso, infelizmente, é a pequenez humana.
Em Viçosa, estamos presenciando algumas ações sendo tomadas para solucionar os problemas de trânsito: semáforos entrando em operação e rampas sendo feitas (embora algumas estejam inadequadas), entre outros. Esperamos, no entanto, que esses sinais também sirvam como alerta para outras questões, além da organização do trânsito, como o respeito ao próximo e que as pessoas possam rever os conceitos de cidadania, humanidade, de se saber viver em coletividade. Diferentemente do trânsito, não percebemos qualquer ação no que se refere à adaptação ou projetos de acessibilidade em shoppings, lojas, restaurantes, supermercados e outros. As iniciativas de acesso em alguns desses locais ocorreram pela sensibilidade de seus proprietários, pelas ações do Ministério Público e outras por iniciativas dessa que ora aqui escreve. Esperamos que essas ações se multipliquem, a fim de atender todas as classes sociais, porque, afinal de contas, nós também somos cidadãos e temos os mesmos direitos de qualquer consumidor. Todos os indivíduos, moradores de uma cidade, independentemente de terem deficiências ou não, contam com as autoridades representadas pelos poderes legislativo, executivo e judiciário no cumprimento das leis. Se quisermos que essa sociedade se torne inclusiva, é preciso haver um esforço coletivo de todas as pessoas que priorizem o diálogo em busca do respeito e da igualdade. Ainda acredito que Viçosa poderá se transformar e ser uma cidade mais agradável para se viver. Se todos colaborarem, juntos, poderemos agir o mais rápido possível antes que o encanto por essa terra se dissipe para sempre.

A autora é Economista Doméstica e MS em Psicologia. É professora do Departamento de Economia Doméstica da UFV

04 abril 2011

Nós e os nós


Uma lei desobedecida:

1.420/2000 - Institui a Lei de Ocupação, Uso do Solo e Zoneamento do Município de Viçosa

Art. 54 - Para a ZC, o gabarito máximo das edificações será de:
I - 10 (dez) pavimentos para vias com caixa de largura igual ou superior a 7m (sete metros) e vias com saída;
II – 6 (seis) pavimentos para vias com caixa de largura inferior a 7m (sete metros) e vias de pedestres ou vias sem saída.



Publicado no Tribuna Livre n. 1032, de 01 de abril de 2011

Vocês já pensaram quando aquele monte de apartamentos e lojas estiverem habitados e utilizados na Rua dos Estudantes? Lá terá em poucos meses mais de quatrocentos imóveis, dentre apartamentos, lojas e apart hotel. Se, para cada apartamento, loja, escritório, tiver que circular um automóvel (não é uma conta precisa, mas devem ser considerados também carros de donos de lojas, dos clientes, caminhões, táxis, carros de visitantes, carros procurando por vagas que não existem nas proximidades etc.) e se os enfileirarmos, teremos uma fila com pelo menos dois quilômetros de extensão. A rua tem uns 270 metros apenas. A sua via é estreita (não mais que 5,50 m), calçadas só de um lado, tem péssimos acessos. Atualmente já fica totalmente ocupada, servindo de estacionamento para as áreas próximas. E todo o fluxo será escoado para a congestionada Av. P. H. Rolfs e para o acesso à Vila Gianetti. Como será tal confusão? Ainda por cima, há ainda outros empreendimentos previstos para a área.

São Paulo acaba de comemorar a entrada em circulação do sétimo milionésimo. automóvel nas mesmas ruas onde antes circulavam 4, 5 ou 6 milhões. Nas milhares de "ruas dos Estudantes" no Brasil, os nós se fazem com facilidade e são desfeitos com muito stress. Há muitas cidades onde já existem mais rodas do que pés, como já ocorre em Viçosa. Os nós no trânsito vão surgindo e se ampliando. Imaginem quando ocorrer na nossa rua dos Estudantes algo que gere alguma situação de obra, transtorno ou mesmo de pânico na área (incêndio, carga e descarga com grandes veículos, correria de pessoas, tiros, acidentes, alagamentos, acúmulo de entulhos, obras de infraestrutura)? No simples dia-a-dia, como será se muitos quiserem chegar ou sair ao mesmo tempo?


É preciso tempo para planejar soluções nas cidades. Planejar é antecipar. Mas é o planejamento que os políticos e construtores dos muitos prédios não se interessam, pois visam, antes de mais nada, aos lucros. Querem apenas o "seu" progresso. Os resultados arquitetônicos e urbanos são muito ruins, diria mesmo insustentáveis. Os setores da construção civil e imobiliário mascaram empreendimentos com nomes pomposos e sugestivos como "Eco life", "Green Tower", "Vila Fiori", "Parque dos Pássaros", "Villa Gaia" etc., que não são nada mais que conjuntos de muitos apartamentos de área mínima, sendo que vários têm janelas abertas para orientação solar desfavorável e a maioria são mal isolados térmica e acusticamente.


As soluções, mais que conhecidas, passam por: pensar na qualidade de vida das pessoas, estabelecer uma densidade populacional compatível com a malha urbana e a capacidade de fornecimento de infraestrutura; reduzir o trânsito pesado da área central; pensar na cidade sem automóveis em algumas áreas, principalmente as centrais; melhorar em muito o transporte coletivo, torná-lo de boa qualidade, confortável, seguro, pontual, muito mais barato e acessível; criar pistas específicas para bicicletas e calçadas acessíveis. Tudo isto é perfeitamente possível em qualquer cidade. Se não aproveitadas, as oportunidades podem ser perdidas, como é o caso do leito da linha férrea em Viçosa. Atualmente o que vemos é improviso e é destinado a solucionar o trânsito de veículos. Será que só muito tarde as autoridades correrão para dar soluções mirabolantes cada vez mais caras? Ou devemos apenas esperar o teletransporte (tão comum na ficção científica)?

16 março 2011

Aqui e em todo lugar

Vocês já pensaram quando aquele monte de apartamentos e lojas estiverem habitados na rua dos Estudantes? Lá terá mais de duzentos imóveis. Se rolar um carro para cada um (considerem também carros de donos de lojas, clientes, caminhões, táxis, carros particulares de visitantes) se enfileirarmos, teremos uma fila com pelo menos um km de extensão. A rua tem uns 250 metros de extensão. A rua é estreita, tem péssimos acessos. E todo o fluxo será escoado para a congestionada Av. P. H. Rolfs e para a Vila Gianetti.Como será tal confusão?
Nas milhares de "rua dos Estudantes" no Brasil isto está acontecendo. 
Os nós vão acontecer. Só assim as autoridades correrão para dar soluções mirabolantes  e caras.
Planejar é antecipar: é o que os construtores não querem. Apenas mascaram empreendimentos com nomes bonitos e sugestivos como "Eco life", "Green tower", "Vila Fiori", "Parque dos Pássaros", "Villa Gaia" etc.
Solução: cidade sem automóveis; transporte coletivo, bom, confortável, seguro, barato e acessível; bicicletas, calçadas acessíveis. Ou devemos esperaro teletransporte? 

18 fevereiro 2011

Transtornos do trânsito


Temos assistido reportagens nos noticiários televisivos de várias cidades sobre os transtornos com que trânsito infligem aos cidadãos.  A cada dia chegam às cidades novos veículos que se somam aos já existentes. Faltam ruas, faltam estacionamentos. Os preços de estacionamento disparam.
Sobram motos e aumentam as mortes envolvendo motociclistas, ciclistas e pedestres. As deseconomias aumentam o custo das cidades. É um processo que só vai parar quando as cidades pararem de vez. Ninguém sabe quando isso acontecerá. Ao procurarmos soluções individuais, estamos preparando a nós mesmos para um stress sem fim e nossas cidades para o caos. Andar a pé é mais rápido em muitos lugares.


As soluções que vem sendo adiadas são para o coletivo, mas que são  ineficientes, desconfortáveis e caros.
Foto:
http://acertodecontas.blog.br/economia/o-caos-no-transito-uma-distopia-para-o-recife/
Veja também:
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/02/motoristas-nao-encontram-vagas-de-estacionamento-nas-grandes-cidades-do-brasil.html
http://www.arrobazona.com/carro-vs-onibus-vs-bicicleta/