25 julho 2026

BARREIRAS FÍSICAS E SIMBÓLICAS


A segregação socioespacial, comum em nossas cidades, organiza o espaço de forma desigual. Ela decorre de fatores econômicos, políticos e históricos, como também impacta a mobilidade, as oportunidades e a qualidade de vida da população. Além disso, interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos, afetando o acesso à educação, aos serviços de saúde, ao transporte, aos espaços de cultura e às oportunidades de trabalho.

Barreiras físicas existem na maioria de nossas cidades. Às vezes, são representadas por morros, rios, linhas férreas ou pistas de pouso e decolagem. Outras vezes, decorrem da própria infraestrutura urbana, quando esta é inexistente ou precária, bem como dos inúmeros obstáculos à acessibilidade, como calçadas irregulares, ausência de rampas, desníveis e grandes inclinações. Muitas vezes, essas barreiras contribuem para a valorização de determinadas áreas em detrimento de outras, separando populações de diferentes faixas de renda. Há também, em muitas cidades, barreiras constituídas por muros de condomínios verticais (presentes em diferentes padrões de renda) e de condomínios horizontais fechados (predominantemente de alta renda), além de vias expressas que separam bairros ricos e pobres. Tais barreiras promovem a segregação socioespacial e podem ser reforçadas, inclusive, por um zoneamento urbano inadequado.

Além das barreiras físicas, existe outro tipo de segregação no espaço urbano: as barreiras simbólicas. Já se foi o tempo dos elevadores separados e dos quartos de empregada. Outras barreiras mais sutis persistem, impedem ou dificultam o acesso de determinados grupos a certos espaços, limitando a igualdade por meio da deslegitimação e da invisibilidade social. São barreiras muitas vezes invisíveis, mas que discriminam o uso dos espaços, inibem a livre circulação e transmitem a impressão de que determinados locais pertencem a grupos restritos. Dessa forma, algumas regiões passam a ser vistas como "proibidas" para certos segmentos da população, mantendo a divisão territorial mesmo na ausência de barreiras materiais evidentes. Essas barreiras criam um sentimento de pertencimento restrito.

Por outro lado, há regiões da cidade que estigmatizam seus próprios moradores, reforçando a exclusão social. Em geral, são bairros periféricos ou comunidades frequentemente carentes de infraestrutura e, muitas vezes, considerados perigosos. Em inúmeros casos, seus moradores são alvo de preconceitos, o que pode limitar até mesmo o acesso a oportunidades de emprego. Um exemplo de barreira simbólica foi o termo “favela” (embora tenha readotado recentemente pelo IBGE). Outro exemplo é quando alguma audiência pública acontece em um local frequentado por pessoas de alta classe econômica. Essa condição parece dizer que o evento é dirigido apenas a essa classe e que as demais não são desejadas. 

Uma barreira simbólica existente em Viçosa é a entrada do Campus da UFV, materializada pelas Quatro Pilastras. Incrivelmente, ainda hoje, elas parecem sinalizar, ainda que de forma implícita, que aquele espaço não deve ser ultrapassado por todos. Não há qualquer informação, em lugar algum, que impeça os cidadãos de utilizar o principal parque público da cidade. Isso é real. Essa barreira simbólica precisa ser superada. O câmpus é um espaço de todos. Além de abrigar uma importante instituição de ensino superior, que obviamente não atende a toda a população, mas oferece um patrimônio paisagístico, ambiental e cultural que pode e deve ser usufruído por todas as comunidades e tribos, independentemente de renda, instrução ou cor da pele.

Deixe seu comentário.

21 julho 2026

VITÓRIA DOS MORADORES

Neste terreno na Quinta dos Guimarães, em Viçosa, havia uma torre de celular. 
Os moradores lutaram e depois de alguns anos, finalmente venceram. 
A torre foi desmontada, trazendo sossego para os moradores.

19 julho 2026

Juiz de Fora ano 2001


Capa do jornal Diário da Tarde, possivelmente de 1974. 
Adolescente na época, sonhei muito com essa imagem. Decepção? Não! Não dá para adivinhar o futuro. 

Ver também: https://www.instagram.com/reel/DS-JpdBjvH9/

18 julho 2026

IMPASSE NO PATRIMÔNIO

Edifício Alcântara, no centro de Viçosa(MG).
Em processo de tombamento, as obras de recuperação estão paradas. 
A família proprietária troca de inventariante, o engenheiro responsável técnico foi trocado. 
Enquanto isso, coloca-se tapume, tira-se tapume, agride-se mais o bem com fechamentos indevidos, expondo os transeuntes a riscos causados pelo desgaste.
O Ministério Público está a par; a família e a Segeplan da Prefeitura vêm  sendo notificadas. 

Deixe seu comentário.

05 julho 2026

ARRANJO POPULACIONAL DE VIÇOSA

 


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa(MG), em 1º de julho de 2026.

    Vivemos na região de Minas Gerais conhecida, há muito tempo, como Zona da Mata. Esse termo ainda é utilizado, mas passou a coexistir com outras denominações adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como a Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora. A antiga Microrregião de Viçosa passou a ser denominada Região Geográfica Intermediária de Viçosa, assim como ocorreram mudanças semelhantes nas regiões intermediárias de Ubá, Ponte Nova, Muriaé e Manhuaçu. Nossa região geográfica imediata é formada por mais 11 municípios: Araponga, Cajuri, Canaã, Coimbra, Ervália, Paula Cândido, Pedra do Anta, Porto Firme, Presidente Bernardes, São Miguel do Anta e Teixeiras.

    Desde 2018, há também o conceito de “arranjo populacional”, criado com o propósito de oferecer um modelo territorial capaz de representar as relações econômicas e sociais. Com isso, o IBGE ampliou a noção do urbano. A fragmentação entre o local de moradia e o local de trabalho nos centros urbanos responde a uma nova organização mundial do trabalho, dando origem a distintos arranjos no território. Esses instrumentos contribuem para a compreensão da complexa rede de cidades em que vivemos.

    Os arranjos populacionais, segundo o IBGE, são unidades territoriais compostas por mais de um município que apresentam integração significativa, seja pela contiguidade das áreas urbanizadas (conurbação), seja pela existência de deslocamentos frequentes de seus habitantes para trabalho ou estudo. O objetivo é integrar informações e estatísticas para coleta e divulgação de dados, auxiliando o planejamento territorial, que não deve mais se restringir aos limites administrativos dos municípios. O IBGE identificou 294 arranjos populacionais no país, compostos por 938 municípios.

    O Arranjo Populacional de Viçosa (MG) é classificado pelo IBGE como um polo da hierarquia urbana voltado à prestação de serviços, ao comércio regional e, sobretudo, à educação. Viçosa destaca-se por centralizar uma intensa dinâmica de deslocamentos pendulares, atraindo diariamente milhares de pessoas de municípios vizinhos para estudar, para trabalhar ou para utilizar serviços de saúde, especialmente de Teixeiras e Cajuri. Municípios como Ponte Nova, Ubá e Cataguases configuram arranjos populacionais com base em outros aspectos socioeconômicos.

    O perfil desse arranjo populacional é fortemente moldado pela presença da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Univiçosa e dos cursos pré-universitários, uma vez que a população estudantil acrescenta cerca de 20 mil pessoas ao município. Esse contingente impacta os dados do Censo, pois parte significativa dessa população flutuante — aproximadamente 20% — não é contabilizada como moradora permanente, embora determine o fluxo diário e a sazonalidade da cidade. Esse excedente populacional, por outro lado, exerce forte influência na economia local, especialmente nos setores da construção civil, serviços de saúde, alimentação, papelaria e prestação de serviços domésticos. Também há impacto no fluxo de automóveis, muitos deles emplacados em outros municípios, o que resulta em menor arrecadação de IPVA.

    Todos esses dados e estatísticas constituem instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de políticas de planejamento municipal e, de forma ainda mais relevante, microrregional, nos âmbitos econômico, social e físico-territorial. Torna-se necessário estabelecer consórcios e outras formas de parceria entre os municípios, uma vez que a preservação ambiental, a produção de água e o uso do solo já não se limitam às fronteiras administrativas municipais.

Mapa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Geogr%C3%A1fica_Intermedi%C3%A1ria_de_Juiz_de_Fora