Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa(MG), em 1º de julho de 2026.
Vivemos na região de Minas Gerais conhecida, há muito tempo, como Zona da Mata. Esse termo ainda é utilizado, mas passou a coexistir com outras denominações adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como a Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora. A antiga Microrregião de Viçosa passou a ser denominada Região Geográfica Intermediária de Viçosa, assim como ocorreram mudanças semelhantes nas regiões intermediárias de Ubá, Ponte Nova, Muriaé e Manhuaçu. Nossa região geográfica imediata é formada por mais 11 municípios: Araponga, Cajuri, Canaã, Coimbra, Ervália, Paula Cândido, Pedra do Anta, Porto Firme, Presidente Bernardes, São Miguel do Anta e Teixeiras.
Desde 2018, há também o conceito de “arranjo populacional”, criado com o propósito de oferecer um modelo territorial capaz de representar as relações econômicas e sociais. Com isso, o IBGE ampliou a noção do urbano. A fragmentação entre o local de moradia e o local de trabalho nos centros urbanos responde a uma nova organização mundial do trabalho, dando origem a distintos arranjos no território. Esses instrumentos contribuem para a compreensão da complexa rede de cidades em que vivemos.
Os arranjos populacionais, segundo o IBGE, são unidades territoriais compostas por mais de um município que apresentam integração significativa, seja pela contiguidade das áreas urbanizadas (conurbação), seja pela existência de deslocamentos frequentes de seus habitantes para trabalho ou estudo. O objetivo é integrar informações e estatísticas para coleta e divulgação de dados, auxiliando o planejamento territorial, que não deve mais se restringir aos limites administrativos dos municípios. O IBGE identificou 294 arranjos populacionais no país, compostos por 938 municípios.
O Arranjo Populacional de Viçosa (MG) é classificado pelo IBGE como um polo da hierarquia urbana voltado à prestação de serviços, ao comércio regional e, sobretudo, à educação. Viçosa destaca-se por centralizar uma intensa dinâmica de deslocamentos pendulares, atraindo diariamente milhares de pessoas de municípios vizinhos para estudar, para trabalhar ou para utilizar serviços de saúde, especialmente de Teixeiras e Cajuri. Municípios como Ponte Nova, Ubá e Cataguases configuram arranjos populacionais com base em outros aspectos socioeconômicos.
O perfil desse arranjo populacional é fortemente moldado pela presença da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Univiçosa e dos cursos pré-universitários, uma vez que a população estudantil acrescenta cerca de 20 mil pessoas ao município. Esse contingente impacta os dados do Censo, pois parte significativa dessa população flutuante — aproximadamente 20% — não é contabilizada como moradora permanente, embora determine o fluxo diário e a sazonalidade da cidade. Esse excedente populacional, por outro lado, exerce forte influência na economia local, especialmente nos setores da construção civil, serviços de saúde, alimentação, papelaria e prestação de serviços domésticos. Também há impacto no fluxo de automóveis, muitos deles emplacados em outros municípios, o que resulta em menor arrecadação de IPVA.
Todos esses dados e estatísticas constituem instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de políticas de planejamento municipal e, de forma ainda mais relevante, microrregional, nos âmbitos econômico, social e físico-territorial. Torna-se necessário estabelecer consórcios e outras formas de parceria entre os municípios, uma vez que a preservação ambiental, a produção de água e o uso do solo já não se limitam às fronteiras administrativas municipais.
Mapa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Geogr%C3%A1fica_Intermedi%C3%A1ria_de_Juiz_de_Fora