A segregação socioespacial, comum em nossas cidades, organiza o espaço de forma desigual. Ela decorre de fatores econômicos, políticos e históricos, como também impacta a mobilidade, as oportunidades e a qualidade de vida da população. Além disso, interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos, afetando o acesso à educação, aos serviços de saúde, ao transporte, aos espaços de cultura e às oportunidades de trabalho.
Barreiras físicas existem na maioria de nossas cidades. Às vezes, são representadas por morros, rios, linhas férreas ou pistas de pouso e decolagem. Outras vezes, decorrem da própria infraestrutura urbana, quando esta é inexistente ou precária, bem como dos inúmeros obstáculos à acessibilidade, como calçadas irregulares, ausência de rampas, desníveis e grandes inclinações. Muitas vezes, essas barreiras contribuem para a valorização de determinadas áreas em detrimento de outras, separando populações de diferentes faixas de renda. Há também, em muitas cidades, barreiras constituídas por muros de condomínios verticais (presentes em diferentes padrões de renda) e de condomínios horizontais fechados (predominantemente de alta renda), além de vias expressas que separam bairros ricos e pobres. Tais barreiras promovem a segregação socioespacial e podem ser reforçadas, inclusive, por um zoneamento urbano inadequado.
Além das barreiras físicas, existe outro tipo de segregação no espaço urbano: as barreiras simbólicas. Já se foi o tempo dos elevadores separados e dos quartos de empregada. Outras barreiras mais sutis persistem, impedem ou dificultam o acesso de determinados grupos a certos espaços, limitando a igualdade por meio da deslegitimação e da invisibilidade social. São barreiras muitas vezes invisíveis, mas que discriminam o uso dos espaços, inibem a livre circulação e transmitem a impressão de que determinados locais pertencem a grupos restritos. Dessa forma, algumas regiões passam a ser vistas como "proibidas" para certos segmentos da população, mantendo a divisão territorial mesmo na ausência de barreiras materiais evidentes. Essas barreiras criam um sentimento de pertencimento restrito.
Por outro lado, há regiões da cidade que estigmatizam seus próprios moradores, reforçando a exclusão social. Em geral, são bairros periféricos ou comunidades frequentemente carentes de infraestrutura e, muitas vezes, considerados perigosos. Em inúmeros casos, seus moradores são alvo de preconceitos, o que pode limitar até mesmo o acesso a oportunidades de emprego. Um exemplo de barreira simbólica foi o termo “favela” (embora tenha readotado recentemente pelo IBGE). Outro exemplo é quando alguma audiência pública acontece em um local frequentado por pessoas de alta classe econômica. Essa condição parece dizer que o evento é dirigido apenas a essa classe e que as demais não são desejadas.
Uma barreira simbólica existente em Viçosa é a entrada do Campus da UFV, materializada pelas Quatro Pilastras. Incrivelmente, ainda hoje, elas parecem sinalizar, ainda que de forma implícita, que aquele espaço não deve ser ultrapassado por todos. Não há qualquer informação, em lugar algum, que impeça os cidadãos de utilizar o principal parque público da cidade. Isso é real. Essa barreira simbólica precisa ser superada. O câmpus é um espaço de todos. Além de abrigar uma importante instituição de ensino superior, que obviamente não atende a toda a população, mas oferece um patrimônio paisagístico, ambiental e cultural que pode e deve ser usufruído por todas as comunidades e tribos, independentemente de renda, instrução ou cor da pele.






