Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
15 junho 2019
DESRESPEITO
Uma notícia de alerta para a falta de respeito de uma rede de supermercados com a cidade. Depois de ter removido meia montanha para sua instalação, o supermercado deixa de atender as medidas para adequação do trânsito.
Teremos problemas de congestionamentos e possivelmente acidentes na área.
O poderio econômico fala mais alto, novamente.
Se não corrigir os problemas, não comprarei nada lá.
Um desrespeito com Viçosa.
03 julho 2018
TRAVESSA?
Lamentáveis as condições da Travessa Purdue. As calçadas são inacessíveis: estreitas e cheias de obstáculos. As construções estão abandonadas e dentro de APP do Córrego de Fátima. É preciso e possível melhorar a iluminação, alargar as calçadas, retirar os obstáculos, demolir as edificações e "redescobrir" o córrego. Hora de avaliar o que o Código Florestal permite numa área tão antropizada.
Foto Ítalo Stephan, 01/07/2018.
25 março 2012
2600
Em dinheiro, isto significa algo em torno de R$468 milhões (base, por baixo de R$180 mil por apartamento). Quem é que compra isto?
À medida que eles forem sendo ocupados, o trânsito ficará ainda mais complicado.
Haja calçadas!
12 março 2011
R$1,80?!
O Conselho Municipal de Transportes discutiu, mostrou-se planilha prá cá, planilha pra cá, argumentou , o aumento foi "justificado" e o povo, usuário compulsório dos ônibus, mais uma vez perdeu. Isto não é política pública! O custo das passagens teria que ser subsidiado (a partir de uma política nacional). O monopólio em Viçosa deveria ser questionado. Na Câmara Municipal, os vereadores contemporizaram e ficou por isso mesmo.
Por isso as pessoas, mesmo as mais humildes, quando podem, colocam mais automóveis e motos nas ruas, quando não, deslocam-se a pé por grandes distâncias horizontais e, em Viçosa, (por que não?) verticais.
31 agosto 2010
Sonho e pesadelo
Enquanto na UFV se discute a viabilidade da implantação de um VLT em Viçosa, em bases não tão distantes da realidade: R$ 8.000.000,00 com retorno de 5 anos, na cidade se discute a derrubada de parte de um bem tombado para tentar solucionar uma pequena parte do grande transtorno que é o trânsito. Enquanto o sonho de décadas de alguns de nós, tidos como lunáticos pode trazer muitos benefícios para a cidade, a pressa, a curta visão, o imediatismo, de alguns fazem da vida em Viçosa um pesadelo diário. E sem garantia nenhuma que as mudanças terão algum resultado.
Não está havendo sintonia entre o que a UFV pensa, trabalha e apresenta para a comunidade e e o que a prefeitura aparenta querer fazer de forma muito imediatista, sem um projeto global e sem ser amplamente discutido
Mas que UFV e a Prefeitura de Viçosa precisam conversar, precisam.
10 março 2010
Forma urbana e os meios de transporte
A evolução dos sistemas de transportes sempre transformou as cidades, em sua conformação e crescimento. As cidades, até o início do século XVIII, tinham como meios de circulação os pés humanos e a tração animal, por isso eram compactas. Bem depois vieram os trens e os bondes, que induziram o crescimento das cidades ao longo dos seus trilhos. Na vez dos automóveis, as cidades se esticaram para todas as direções possíveis, gerando bairros pouco adensados, cada vez mais longe das áreas centrais. Mais à frente, vieram os ônibus para alcançar onde os trilhos não chegavam e, nas grandes cidades, os metrôs. De compactas, as formas das cidades se alteraram para a dispersão quase sem fim, primeiramente nas cidades- jardim aos subúrbios, depois com a conurbação (quando as áreas urbanas de cidades vizinhas se juntam) e rurbanização (quando as áreas rurais passam a ser ocupadas por usos não rurais, como os condomínios residenciais).
As cidades atuais, portanto, têm estruturas espaciais complexas, definidas pela topografia, cursos d’água, pela distribuição dos bairros residenciais, pela localização dos empregos e equipamentos urbanos. A forma com que esses componentes são distribuídos muda durante o dia, por causa dos deslocamentos necessários das pessoas para suas atividades (moradia, trabalho, escola, médico, lazer etc.). A falta de política eficiente de transporte coletivo faz com que cada pessoa solucione suas necessidades de mobilidade. O uso das bicicletas é uma boa solução, mas fica desestimulado se a topografia ou grandes distâncias não ajudam, é perigoso se não existir um bom sistema de ciclovias, pois coloca os iclistas em competição desproporcional com os veículos motorizados. Antes, a grande maioria resolvia os problemas de mobilidade, quando tinha condições financeiras, com a aquisição de automóveis. Aos poucos, as motocicletas, pela sua agilidade e baixo custo, também ganharam espaço. Quem perdeu espaço foram os pedestres, com a contínua ocupação dos espaços públicos por comércio ambulante, o avanço das edificações, obstáculos diversos como rampas das garagens e em muitas cidades, com as péssimas condições das caçadas.
Há, portanto, uma crise de mobilidade, e em seu centro estão os automóveis e as motocicletas, causadoras dos congestionamentos, do aumento da poluição, dos acidentes. As cidades pagam muito caro por isso. Enquanto a política federal e a de alguns estados injetam bilhões e isentam impostos para manter o financiamento dos automóveis, para enfrentar uma crise, geram outra, com acidentes, doenças e muita insegurança. Erradamente não há políticas de desoneração e de criação de infra-estrutura adequada para o transporte coletivo. Não há incentivos para o uso de meios não motorizados. Então, como devem crescer as cidades? Podem crescer horizontalmente desde que estejam ocupadas as áreas centrais e os vazios urbanos que não cumprem à função social. Podem crescer verticalmente desde que a infra-estrutura (redes de abastecimento de água, de esgotos, de drenagem e capacidade da estrutura viária) dê suporte. Mas têm também que planejar com políticas que contemplem um bom sistema de transporte coletivo e o uso de meios não motorizados, com a construção de passeios acessíveis e mais largos, ciclo faixas seguras.
01 novembro 2009
Paradigma do automóvel

Eu e outros arquitetos, como o Aguinaldo Pacheco e o José Luiz de Freitas, defendemos que o paradigma do automóvel, ou seja, as soluções para o trânsito tendo como ponto de partida o transporte individual, deve ser revisto.
A solução é um conjunto de medidas nas quais a prioridade é o pedestre, a ciclovia, o transporte coletivo, o táxi e, depois de tudo, o automóvel particular.
Cobrir a linha férrea de asfalto é um erro sem tamanho. Criar estacionamentos em terrenos vagos é paliativo.
É claro que a cidade precisa ter mais vias para articular o trânsito, mas é preciso rever o que temos. Não está bom.
Alguns defendem que deve-se transformar ruas em calçadões na área central, além de acabar com vagas de estacionamento ao longo das vias.
É preciso garantir a mobilidade e acessibilidade para que hajam condições para que os pedestres e ciclistas possam caminhar ou pedalar seguros.
Esquecidos ou subutilizados são os amplos corredores da linha férrea e do Ribeirão São Bartolomeu, potenciais suportes para soluções para o trânsito e para a mobilidade.
27 outubro 2009
As águas vão rolar
Passou o período de consertar os estragos do início do ano e de preparação do que está por vir. Quem não fez isso conta apenas com a ajuda dos céus acima das nuvens carregadas. Para quem já esqueceu, em novembro do ano passado choveu muito todos os dias. Até março deste ano, tivemos muitos temporais, com ruas alagadas (como a Bernardes Filho) e deslizamentos de terra que ainda estão visíveis e ameaçadores, como vemos ao longo da Avenida Marechal Castelo Branco. A prefeitura não exerceu com eficácia sua função de fiscalização para impedir ocupações e obras que possam provocar danos menos ou mais graves. Pessoas, presas às necessidade diárias e imediatas, acabam acreditando apenas em proteções divinas e aceitando os riscos como se fossem fatalidades. Alguns tentam resolver os problemas sem as devidas providências técnicas e acabam complicando ainda mais a situação. Em um ano, mais uma grande parcela do solo urbano foi impermeabilizada, o que significa que mais água vai chegar mais depressa nas partes mais baixas, procurando rápida saída nos córregos e ribeirões. A Defesa Civil que se prepare para ter muito trabalho.
Os leitos dos cursos d´água e várzeas estarão sempre sujeitos às enchentes e isso tende a ser esquecido. Canalizar os córregos não resolve, pois dificilmente, tais canalizações terão dimensões suficientes para comportar os volumes das grandes cheias. A canalização promove uma confiança responsável pelo relaxamento das populações vizinhas, predispondo-as aos desastres, que podem demorar, mas que um dia acontecerão. Se as enchentes são praticamente inevitáveis, como fenômenos naturais, algumas tecnologias poderão ser adotadas para diminuir os escoamentos superficiais, evitando a chegada de grandes volumes aos cursos d’água, em curtos espaços de tempo. Reter volumes precipitados é um caminho básico, tanto no meio rural como no urbano. É preciso entender que o fenômeno das enchentes é passível de ser sanado ou minimizado com tecnologias apropriadas às especificidades urbanas. Planejar e executar sistemas de manejo de águas de chuvas nos meios urbanos são os únicos caminhos. Há projetos como os de reservatórios de amortecimento de águas pluviais sendo desenvolvidos na UFV para lidar com estes problemas. Projetos têm de sair do papel. Para o futuro, será preciso estimular, até mesmo exigir que os prédios também incluam reservatórios para o aproveitamento das águas da chuva, para usos como lavagem de garagens e irrigação de jardins. Por fim, começam-se a espalhar mundo afora as coberturas verdes, jardins gramados atuando como telhados, capazes de absorver e reter muita água da chuva.
31 julho 2009
Transtornos do trânsito
A busca de soluções para o conturbado trânsito é assunto cotidiano e o maior desejo é a colocação dos semáforos. Para melhorar a situação, será necessário um conjunto de medidas integradas que envolvem recursos, mudanças de hábito e a necessidade de planejamento.
O uso de semáforos, em princípio, é a solução mais requisitada pela população. Há alguns cruzamentos em que esse tipo de controle poderia ser a solução, como por exemplo: Av. Bueno Brandão com Av. Santa Rita, Rua Padre Serafim com Santa Rita, Av. Castelo Branco (trevo, acesso para a Joaquim Lopes de Farias, chegada na Av. P. Rolfs) etc. Entretanto, o uso do semáforo não resolve todos os problemas e pode causar outros, como interromper a fluidez do trânsito, gerar insegurança durante a madrugada. Sua instalação é cara. Por esses motivos, é preciso um estudo cauteloso antes de sua instalação. Há alguns hábitos a serem quebrados. Há comerciantes que deixam seus veículos estacionados o dia inteiro, tomando vagas, inclusive para seus clientes. Há os que deixam de caminhar 500, 600 metros em troca da comodidade do automóvel particular. Há, muitas vezes com razão, o desinteresse em trocar o veículo particular pelo transporte coletivo.
As ruas são as mesmas há muitas décadas. Com exceção da via alternativa de acesso ao Campus da UFV, via Villa Gianetti, não foram abertas novas vias: ao contrário, algumas foram fechadas. Abrir vias é uma maneira de melhorar o trânsito. Não há muitas alternativas, mas é possível tornar transitável toda a Rua dos Estudantes, incompreensivelmente com uma parte interditada por interesses particulares. É necessário pensar na solução para o gargalo causado pelos muros do Cemitério Dom Viçoso. É possível melhorar a Travessa Purdue. É possível trazer de volta a mão dupla em algumas vias. É preciso eliminar estacionamento ao longo de algumas vias. Há alternativas possíveis como a ligação da Rua dos Estudantes à Avenida Mal. Castelo Branco. É preciso descentralizar o comércio, a prestação de serviços (agências bancárias, escolas) e os futuros prédios para a instalação de órgãos públicos. É possível resgatar o leito do Ribeirão São Bartolomeu com uma proposta viária que atenda simultânea e eficientemente a pedestres, ciclistas e automóveis. É necessário alargar calçadas. Há todo o potencial da linha férrea para destinar uma pista adequada e segura para os ciclistas. Há outras medidas que podem melhorar as condições de trânsito na área central, que devem ser desenvolvidas: a mudança da estação rodoviária de local e a construção das alças viárias, conforme disposto no Plano Diretor de Viçosa.
A cada ano centenas de novos automóveis e motos se somam ao complicado trânsito. Portanto, para que haja melhorias, não basta apenas colocar semáforos. Somente um conjunto planejado de medidas, umas mais simples outras mais complexas, pode ser eficaz.


