31 outubro 2026

PATRIMÔNIO EM RISCO : ASSU (RN)

 

Assu (RN)  é um importante município polo no interior  do Rio Grande do Norte, com população estimada de9.278 habitantes (dados de 2026),. Localizado na região do Vale do Açu. Situado a cerca de 210 km da capital Natal, destaca-se fortemente por sua relevância econômica, histórica e cultural na região oeste do estado.

"Preservação" do patrimônio" arquitetônico em Assu, RN. Apenas a parte frontal da edificação centenária mantida, colorida e engolida pelo grande volume e pelas cores do mercado.

Imagens: https://www.facebook.com/rafaelmottarn/posts/hoje-a-cidade-de-assu-completa-172-anos-parab%C3%A9ns-ao-povo-desta-terra-t%C3%A3o-importa/604753042982014/

ENANPARQ 2026 - EAU UFMG - BELO HORIZONTE

Escola de Arquitetura da UFMG, sede do 9º Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo

Evento da maior importância nacional, com cerca de 1800 inscritos

Tema do evento: "Em tempos de múltiplas crises: novas epistemes em Arquitetura, Cidade e Objeto"

Fotos Ítalo Stephan, outubro de 2026

26 outubro 2026

VELOCIDADE DE CARROÇA

Segundo o IBGE, os dados de 2023 apontavam que Viçosa tinha uma frota de 54.182 veículos. Eram 24.647 automóveis, 856 caminhões, 5.353 caminhonetes e camionetas, 188 microônibus, 20.542 motocicletas e motonetas e 289 ônibus. Há, portanto, mais de 170 mil pneus circulando em Viçosa, o que significa mais pneus do que pés. Isso sem contar os muitos veículos emplacados em outras cidades.

As ruas centrais são praticamente as mesmas de 40 ou 50 anos atrás. Muitas delas são centenárias. Ao mesmo tempo, é nessa porção da cidade que se multiplicam os novos edifícios de apartamentos e salas comerciais. Ao longo dos anos, edifícios unifamiliares foram sendo substituídos por enormes torres, várias delas acima da capacidade de suporte da infraestrutura viária. Em ruas estreitas, além dessas torres, há escolas antigas e supermercados que foram criados e ampliados. Tudo isso significa mais trânsito, mais congestionamentos e maior demanda por vagas de estacionamento. Em diversos momentos do dia, especialmente nos horários de pico, coincidentes com a entrada e a saída do trabalho e das escolas, formam-se engarrafamentos. Essa realidade não é diferente em outras cidades, como Ubá, Manhuaçu, Muriaé e Ponte Nova, para citar apenas algumas vizinhas.

No centro e na avenida Castelo Branco, em vários momentos do dia leva-se de 15 a 20 minutos para percorrer um quilômetro. Isso significa que a velocidade dos veículos chega a apenas 3 ou 4 km/h, inferior à de uma carroça e até mesmo à do passo humano. Daí a alternativa da multiplicação do número de motocicletas, conduzidas tanto por motociclistas educados e prudentes quanto por motoqueiros apressados, submetidos, em seu dia a dia, às exigências do trabalho precarizado. Consequentemente há o aumento dos acidentes de trânsito. Por exemplo, segundo noticiou este mesmo jornal, entre 2022 e 2023, o Samu atendeu a 491 ocorrências de acidentes, das quais 242 envolveram motocicletas, o que corresponde a 49,2% do total. É provável que esse número tenha aumentado, acompanhando o crescimento dos serviços de entrega rápida. Outras fontes indicam que 70% das vítimas de acidentes de trânsito atendidas no Hospital São Sebastião eram motociclistas.

Não é mais possível alargar as vias arteriais existentes (Joaquim Lopes de Faria, Jacob Lopes de Castro, Antônio Lelis, Gumercindo Iglesias e Misael Lustosa), como se previa e se reivindicava há mais de 25 anos. O Plano de Mobilidade prevê algumas soluções macro, que não são baratas nem podem ser implementadas em curto prazo, como a implantação das alças de um futuro anel viário, com o objetivo de retirar da cidade o tráfego de passagem, especialmente o de veículos pesados.

Soluções? Há mais de uma medida capaz de amenizar os problemas, mas não há milagres. Pode-se incentivar alternativas como o trabalho remoto, a fim de reduzir o volume de deslocamentos. Também é necessário melhorar as condições de acessibilidade das calçadas, favorecendo os deslocamentos a pé. É possível implantar ciclovias, principalmente no leito da linha férrea, acompanhadas de ações que garantam mais segurança aos usuários desse meio de transporte.  Outras medidas incluem a implantação do estacionamento rotativo; a intensificação da fiscalização das infrações, como os corriqueiros avanços do sinal vermelho; a manutenção de programas de educação para o trânsito; e a melhoria substancial do transporte coletivo, atualmente lento, pouco pontual e marcado, em alguns casos, pelo comportamento inadequado de motoristas. 

Por fim, é necessário rever a legislação urbanística, restringindo a construção de grandes torres em áreas cuja infraestrutura não comporte o adensamento previsto e estimular a formação de novas centralidades na área urbana. Assim, será possível distribuir melhor as atividades e os serviços pela cidade, reduzir a necessidade de deslocamentos e contribuir para uma mobilidade urbana mais eficiente e segura.


04 outubro 2026

EXPANSÃO BIZARRA 1

 


A foto mostra como ocorre a expansão urbana em Floresta, PR. O perímetro urbano é alterado várias vezes para que propriedades rurais, longas tiras de terra, muito estreitas e esparsas sejam loteadas. Forma insustentável de expansão, gera dispersão e altos custos de gestão do território.
Fonte: Google Earth, acesso em 04/10/2026.





27 setembro 2026

Minha Pequena Cajuri


Cajuri, Região Geográfica  Imediata de Viçosa .Área central bem cuidada. Surgiu e cresceu a partir da  estação ferroviária inaugurada em 1885/1886 para escoar a produção de café.


População estimada em cerca de 4.195 habitantes (IBGE). Praças bem cuidadas.


Índice de Progresso Social  de 65,12, com posição no país 4.791 entre os 5571 municípios do Brasil. Patrimônio arquitetônico conservado.


Patrimônio e infraestrutura urbana bem conservados.

Fotos Ítalo Stephan, setembro de 2026.

20 setembro 2026

O ALTO PREÇO DOS IMÓVEIS


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 17/09/2026

O mercado imobiliário brasileiro vive um período de valorização imobiliária acima da inflação, acumulando altas consecutivas nos últimos anos. No Brasil, em 2025, os preços residenciais subiram 6,52% (segunda maior alta em 11 anos) e, nos levantamentos recentes de 2026, a alta média nacional atinge 5,49% nos últimos 12 meses, superando o IPCA de 4,14%. Esse fenômeno pode ser chamado de “supervalorização”; contudo, não é uniforme nas nossas cidades.

Fora do eixo tradicional Rio-São Paulo, algumas cidades vêm apresentando picos de supervalorização (altas de dois dígitos) devido a fatores específicos, como a escassez territorial, em função de limitações geográficas da topografia, como é o caso da Zona da Mata mineira. A falta de terrenos para novas construções sufoca a oferta enquanto a demanda cresce, empurrando os preços para cima. Outro fator é o custo de construção, pois a alta nos preços de materiais e de mão de obra pressiona as construtoras. Em Minas Gerais, segundo o Sinduscon-MG, o Custo Unitário Básico (CUB) de edificações de até oito pavimentos, em junho de 2026, atingiu R$ 3.098,67 por metro quadrado.

Recentemente, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Vitória (ES) assumiu o posto de capital com o metro quadrado mais caro do país, superando praças tradicionalmente associadas ao alto luxo. Em Viçosa, podemos indicar três fatores que influenciam o alto preço dos imóveis, especialmente no entorno da UFV. Um deles é a população flutuante: a Universidade Federal de Viçosa atrai milhares de estudantes anualmente, mantendo alta a demanda por locação e compra de imóveis. Por exemplo, um estúdio de 14 m² é oferecido a R$ 280.000,00, e uma sala e quarto de 36 m², por R$ 394.000,00. 

Outro fator é a concentração urbana: Viçosa se destaca nacionalmente (6º lugar) pela alta proporção de habitantes vivendo em apartamentos em relação ao tamanho da população. Por fim, há a expansão e a qualidade de vida: o avanço da cidade em rankings de desenvolvimento e qualidade de vida, como o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), acaba por atrair novos investimentos residenciais. O mercado imobiliário traz novas roupagens, o que significa apartamentos do tipo estúdio ou de um quarto, com menos de 30 metros quadrados, que chegam a alcançar valores de venda de R$ 12.000,00 a R$ 20.000,00 o m², valores semelhantes aos de cidades bem maiores, como Juiz de Fora, ou aos de bairros de classe média em Belo Horizonte.

Há que se considerar outros três fenômenos urbanos comuns, como a retenção especulativa, que consiste em esperar que as melhorias públicas de infraestrutura (como transporte, asfalto e segurança) valorizem o patrimônio para posterior revenda ou incorporação, capturando um lucro massivo sem aplicar nenhuma melhoria direta. 

Outro fenômeno é a regulação urbanística restritiva, na qual a lei de zoneamento limita o potencial construtivo de determinadas áreas centrais, mesmo que generosas, e cria uma escassez artificial de espaço urbano útil, onde há grande infraestrutura instalada. Adicionalmente, mais recentemente há a influência das plataformas de temporada, como o Airbnb, em que a oferta de locações de curtíssimo prazo ocupa imóveis que antes serviam ao mercado de locação residencial tradicional de longo prazo.

As consequências práticas disso provocam o aumento artificial dos preços, elevando o custo de venda e locação de forma não natural. Surge uma contradição diante do déficit habitacional, com situações paradoxais em que o número de imóveis residenciais desocupados ou ociosos supera numericamente o tamanho do déficit habitacional local. Por fim, há a expansão da malha urbana, com o consequente aumento do custo público: ao pular os “vazios urbanos” deixados pela especulação, a cidade cresce de forma espalhada. Isso exige investimentos estatais ineficientes para levar transporte, saneamento e energia a distâncias cada vez maiores.


19 setembro 2026

Seminário - VI Cidades, Territórios e Direitos: um sucesso


O Seminário - VI Cidades, Territórios e Direitos foi um sucesso. Sessões de altíssima qualidade.

Palestrantes professoras da UFJF, UFOP, UFMG. com assuntos atuais.

Em jantrar de confraternização com Professora Geógrafa Dra. Ângela Maria Endlich, a grande estrela do evento.

Dezenas de trabalhos apresentados.

Um evento de encontros entre professores, mestrandos, doutorandos e graduandos.

Fotos Ítalo Stephan, setembro de 2026

13 setembro 2026

MONTES CLAROS: MERCADO MUNICIPAL

O mercado Municipal Christo Raeff se destaca por ser um dos principais atrativos turísticos de Montes Claros e Região. Localizado no chamado “Corredor Cultural de Moc”, onde integra um circuito turístico contendo, a Igreja Matriz, o museu regional de Montes Claros, além do corredor e seus casarões tradicionais". 

No Mercado encontram-se diversos produtos da gastronomia local, como queijos regionais, licores, feijões, farinhas, rapaduras, artesanatos, doces, entre outros.

Fotos Ítalo Stephan, agosto de 2026

10 setembro 2026

MESTRADO E DOUTORADO EM ARQUITETURA E URBANISMO - SELEÇÃO 2027

UFV 100 Anos

Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo 

Departamento de Arquitetura e Urbanismo 

Universidade Federal de Viçosa


Processo Seletivo 2027-1

Informamos que o Edital do Processo Seletivo 2027-1 encontra-se publicado!

Data de publicação: 03/09/2026 às 14h

Período de inscrição: Das 08h do dia 09/09/2026 às 17h do dia 15/10/2026

Data limite para o pagamento das inscrições: 16/10/2026

Inscrições pelo GPS/UFV = https://gps.ufv.br/gps-web/editais/1633/

Para mais informações, gentileza acessar a página https://ppgau.ufv.br/processos-seletivos/

https://ppgau.ufv.br/informativo/edital-publicado-processo-seletivo-2027-1/

06 setembro 2026

SOCIEDADE DA PRESSA


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG,  em 3 de setembro de 2026.

Já são conhecidos alguns termos ligados aos nossos tempos recentes e à velocidade em que imprimimos aos nossos cotidianos. Basta olhar nas ruas das cidades a pressa dos motociclistas, a pressa dos que precisam atravessar as ruas e a pressa com que queremos novidades e reações às nossas postagens nas redes sociais. Entre os termos utilizados, estão “doença da pressa” ou “síndrome da pressa”, expressões associadas a um estado de permanente urgência, causado principalmente pelo ritmo frenético ao qual estamos todos submetidos. O aumento excessivo da ansiedade é um dos principais fatores associados a esse fenômeno.

A urbanização acelera o ritmo de vida e gera a chamada sociedade da pressa. Temos pressa de sair de casa, de almoçar, de realizar as tarefas, de voltar para casa e de comer sem contato social com as pessoas de carne e osso, para continuarmos conectados às redes; ansiosos para ver as novidades: vídeos, fofocas, reels, memes ou fake news. Com isso, vivemos cansados, ansiosos, sem convívio social, de olho na grama do vizinho. Sequer conhecemos os vizinhos. Temos milhares de contatos virtuais e, paradoxalmente, temos dificuldade para estabelecer relações sociais. 

Nas lojas, demoramos para ser atendidos e, quando somos atendidos, tudo é feito com pressa para que os vendedores voltem para suas telinhas. Corremos para entrar nas longas filas dos supermercados. Corremos para enfrentar um trânsito parado; para ficar parados aguardando o sinal verde; esperamos por muito tempo os ônibus atrasados e, depois, enfrentamos a disputa por cadeiras vazias.

A pressa produz ansiedade coletiva. Não temos apenas pressa para fazer; temos pressa para ser. Pressa para conquistar, para enriquecer, para aparecer, para mudar de emprego, para viajar pelo mundo, para alcançar o sucesso. A sociedade da pressa pressiona os jovens a procurar, muitas vezes em vão, atalhos para serem economicamente bem-sucedidos na vida, além de estimulá-los a comprar veículos mais velozes e celulares com internet ultrarrápida. Não querem ter patrão, mas são submissos à enorme cobrança por produtividade em um contexto de precarização do trabalho, como, por exemplo, nos serviços de entrega rápida, que potencializam os acidentes por causa da danada da pressa. Há pressa para sair dos hospitais e dos prontos-socorros, mas muitas pessoas acabam permanecendo semanas internados ou até mesmo ficando permanentemente inválidos.

O planejamento urbano priorizou o automóvel e a rapidez e ignorou os sinais da necessidade de melhorar as condições e as dimensões das vias, bem como de implementar um transporte coletivo de qualidade e fluido. Sucumbiu às pressões do setor imobiliário e dos agentes ávidos por verticalizar exageradamente as cidades em áreas valorizadas e por rapidamente expandir os limites urbanos. 

Não há tempo para reivindicar melhorias das nossas cidades nem para planejar a médio e longo prazos. Governos são pressionados a apresentar resultados imediatos. Prefeitos têm de gastar, muitas vezes mal, rapidamente e de maneira inconsequente, os recursos das emendas parlamentares. Pressa por lucros, pressa de viver, pressa de chegar e de sair. A sociedade da pressa nos cobra velocidade; entretanto, nos entrega cansaço e doenças. Promete conexão, mas produz isolamento. Promete liberdade, mas nos mantém permanentemente ocupados.


REDE MIKRIPOLI

 

Reunião da Rede nacional de pesquisadores de pequenas cidades  Mikripoli, realizada junto com o VIII Sinapeq, na Unimontes, em Montes Claros. 
Rede se que se expande com pesquisadores sobre pequenas cidades de todas as regiões do país.

VIII SINAPEQ - MONTES CLAROS

Foi realizado em Montes Claros o VII Simpósio Nacional sobre de Pequenas Cidades.

Evento realizado em  parceria entre a Unimontes e a Rede Nacional de Pesquisadores de Pequenas cidades, denominada Mikripoli.

Pequenas cidades, grandes assuntos.

Circuito de Conhecimento, na Unimontes.

Fotos Ítalo Stephan, agosto de 2026