Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 26/02/2026
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) formam um conjunto de 17 metas globais definidas pela ONU em 2015, integrando a Agenda 2030, com o objetivo de acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade. Eles abrangem aspectos sociais, econômicos e ambientais, visando ao desenvolvimento sustentável em nível mundial. Trato aqui do ODS11, mais específico da minha área de atuação. O ODS11 busca “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Neste texto, destaco quatro pontos desse ODS e os relaciono com os dados que o IBGE apresenta sobre Viçosa, alguns deles comparados com Ubá (cidade-polo vizinha), Juiz de Fora (polo da Região Intermediária, Belo Horizonte e Minas Gerais.
O primeiro ponto é: “até 2030, garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, aos serviços básicos e à urbanização de favelas”. O segundo item do ODS 11 é “aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos que adotam e implementam políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas e a resiliência a desastres”. Viçosa apresenta um indicador de 30% da população exposta ao risco (22,7% em Juiz de Fora; 6,9% em Ubá e 16,8% em Belo Horizonte), valor significativamente maior que o das referências. Essa exposição ao risco refere-se ao contingente de pessoas que residem em locais com alta probabilidade de ocorrência de desastres naturais, como deslizamentos, inundações e enxurradas.
O terceiro ponto é: “até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável e as capacidades para o planejamento e a gestão de assentamentos humanos participativos, integrados e sustentáveis”. Trago o indicador “Urbanização de vias públicas”, no qual são avaliados quesitos como pavimentação, drenagem e iluminação pública; mobilidade e acessibilidade (presença de calçadas, faixas de pedestres e rampas para cadeirantes); presença de lixo acumulado nos logradouros e capacidade da via. Viçosa apresenta 26%, enquanto as outras referências são significativamente maiores (53% em Juiz de Fora, 53% em Ubá e 44,2% em Belo Horizonte).
O quarto ponto é: “até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar e à gestão de resíduos municipais”. O IBGE apresenta os indicadores de esgotamento sanitário por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede (dados de 2022), com os seguintes percentuais: 88,71%, 94,04%, 85,88% e 96,97% (Viçosa, Juiz de Fora, Ubá e Belo Horizonte, respectivamente). Viçosa supera apenas o indicador de Ubá. O indicador de Minas Gerais é de 63,2%, bastante preocupante, pois há grande desigualdade socioeconômica no estado.
Chama atenção o fato de Viçosa apresentar renda média de 2,9 salários-mínimos (18ª posição em MG), maior que a de Juiz de Fora (2,3; 339ª posição) e de Ubá (1,7; 426ª posição), embora inferior à de Belo Horizonte (3,3 S.M., na 10ª posição), enquanto em Minas Gerais é de 1,4 salário-mínimo. Esse indicador, no caso de Viçosa, é discutível, pois há o fator UFV, que sabidamente paga salários mais elevados do que a média da cidade, o que indica uma realidade de desigualdade econômica.
Os dados, mesmo que aparentemente frios, estão postos, ao menos para provocar reflexões e sinalizar o que deve ser feito no campo das políticas urbanas. Há muito a ser feito por Viçosa: melhores condições de urbanização e de saneamento básico; diminuição dos riscos para a população e melhor distribuição de renda. 2030 está logo ali, sem perspectivas de que haja grandes melhoras. Uma sociedade desigual, em que grande parte da população é carente de serviços adequados, não faz bem a ninguém.
















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