Por amor às cidades
Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
13 setembro 2026
MONTES CLAROS: MERCADO MUNICIPAL
10 setembro 2026
MESTRADO E DOUTORADO EM ARQUITETURA E URBANISMO - SELEÇÃO 2027
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Departamento de Arquitetura e Urbanismo
Universidade Federal de Viçosa
Processo Seletivo 2027-1
Informamos que o Edital do Processo Seletivo 2027-1 encontra-se publicado!
Data de publicação: 03/09/2026 às 14h
Período de inscrição: Das 08h do dia 09/09/2026 às 17h do dia 15/10/2026
Data limite para o pagamento das inscrições: 16/10/2026
Inscrições pelo GPS/UFV = https://gps.ufv.br/gps-web/editais/1633/
Para mais informações, gentileza acessar a página https://ppgau.ufv.br/processos-seletivos/
https://ppgau.ufv.br/informativo/edital-publicado-processo-seletivo-2027-1/
06 setembro 2026
SOCIEDADE DA PRESSA
Já são conhecidos alguns termos ligados aos nossos tempos recentes e à velocidade em que imprimimos aos nossos cotidianos. Basta olhar nas ruas das cidades a pressa dos motociclistas, a pressa dos que precisam atravessar as ruas e a pressa com que queremos novidades e reações às nossas postagens nas redes sociais. Entre os termos utilizados, estão “doença da pressa” ou “síndrome da pressa”, expressões associadas a um estado de permanente urgência, causado principalmente pelo ritmo frenético ao qual estamos todos submetidos. O aumento excessivo da ansiedade é um dos principais fatores associados a esse fenômeno.
A urbanização acelera o ritmo de vida e gera a chamada sociedade da pressa. Temos pressa de sair de casa, de almoçar, de realizar as tarefas, de voltar para casa e de comer sem contato social com as pessoas de carne e osso, para continuarmos conectados às redes; ansiosos para ver as novidades: vídeos, fofocas, reels, memes ou fake news. Com isso, vivemos cansados, ansiosos, sem convívio social, de olho na grama do vizinho. Sequer conhecemos os vizinhos. Temos milhares de contatos virtuais e, paradoxalmente, temos dificuldade para estabelecer relações sociais.
Nas lojas, demoramos para ser atendidos e, quando somos atendidos, tudo é feito com pressa para que os vendedores voltem para suas telinhas. Corremos para entrar nas longas filas dos supermercados. Corremos para enfrentar um trânsito parado; para ficar parados aguardando o sinal verde; esperamos por muito tempo os ônibus atrasados e, depois, enfrentamos a disputa por cadeiras vazias.
A pressa produz ansiedade coletiva. Não temos apenas pressa para fazer; temos pressa para ser. Pressa para conquistar, para enriquecer, para aparecer, para mudar de emprego, para viajar pelo mundo, para alcançar o sucesso. A sociedade da pressa pressiona os jovens a procurar, muitas vezes em vão, atalhos para serem economicamente bem-sucedidos na vida, além de estimulá-los a comprar veículos mais velozes e celulares com internet ultrarrápida. Não querem ter patrão, mas são submissos à enorme cobrança por produtividade em um contexto de precarização do trabalho, como, por exemplo, nos serviços de entrega rápida, que potencializam os acidentes por causa da danada da pressa. Há pressa para sair dos hospitais e dos prontos-socorros, mas muitas pessoas acabam permanecendo semanas internados ou até mesmo ficando permanentemente inválidos.
O planejamento urbano priorizou o automóvel e a rapidez e ignorou os sinais da necessidade de melhorar as condições e as dimensões das vias, bem como de implementar um transporte coletivo de qualidade e fluido. Sucumbiu às pressões do setor imobiliário e dos agentes ávidos por verticalizar exageradamente as cidades em áreas valorizadas e por rapidamente expandir os limites urbanos.
Não há tempo para reivindicar melhorias das nossas cidades nem para planejar a médio e longo prazos. Governos são pressionados a apresentar resultados imediatos. Prefeitos têm de gastar, muitas vezes mal, rapidamente e de maneira inconsequente, os recursos das emendas parlamentares. Pressa por lucros, pressa de viver, pressa de chegar e de sair. A sociedade da pressa nos cobra velocidade; entretanto, nos entrega cansaço e doenças. Promete conexão, mas produz isolamento. Promete liberdade, mas nos mantém permanentemente ocupados.
REDE MIKRIPOLI
23 agosto 2026
REGIÃO IMEDIATA DE VIÇOSA
REGIÃO IMEDIATA DE VIÇOSA
O IBGE criou uma nova nomenclatura para o que antes era conhecido como Microrregião de Viçosa. Agora, a denominação é Região Geográfica Imediata de Viçosa, que faz parte da Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora, na Zona da Mata. O intuito da Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias (2017) é contribuir para a compreensão territorial do Brasil, dividindo-o em partes menores, mas coerentes entre si. Nesse sentido, os municípios são pontos de partida para organizar o território e compreender a maneira como se relacionam, seja pelos fluxos de serviços, informações, consumo e outros recursos. Essa divisão busca subsidiar a organização de políticas públicas com base na rede urbana e na demanda por serviços essenciais de proximidade, como saúde, educação, serviços e comércio. Também procura compreender a dinâmica econômica real e o fluxo cotidiano de pessoas em torno de um centro urbano principal. Viçosa é o polo dessa região imediata, composta por 12 municípios e com cerca de 180 mil habitantes, sendo Viçosa o município mais populoso e Pedra do Anta, o menos populoso.
Outro conjunto de dados atual é o Índice de Progresso Social (IPS), que reúne diversos indicadores. O índice serve para medir a qualidade de vida da população de um lugar utilizando dados sociais e ambientais, sem considerar diretamente aspectos econômicos, como o PIB ou a renda. Ele permite verificar quais municípios oferecem melhores condições de vida aos seus moradores e compará-los.
O IPS também possibilita avaliar se os investimentos públicos estão, de fato, produzindo resultados práticos para a população. O IPS apresenta 57 indicadores, divididos em grupos temáticos, tais como cuidados médicos, saneamento, saúde e bem-estar e inclusão social. Os indicadores dos municípios da nossa região são, em geral, apenas regulares. Destaca-se, porém, um indicador no qual Viçosa ocupa a primeira posição no país: o acesso ao ensino superior, o que muito nos orgulha.
Viçosa tem nota 67,99 e ocupa a 181ª posição no Brasil. Gavião Peixoto (nota 73,10) e Jundiaí (71,80) lideram a lista nacional. Em Minas Gerais, Viçosa está em 21º lugar, enquanto Nova Lima (nota 71,20) ocupa a primeira posição, seguida do município turístico de Córrego Bom Jesus (70,23) e de Ouro Branco (70,20). Mas há também pontos negativos, como os índices relacionados à violência contra mulheres e negros.
Na nossa Região Geográfica Imediata, alguns indicadores positivos merecem destaque, como as notas do IDEB, em Coimbra, e a cobertura vacinal, em Araponga. No entanto, as notas gerais são baixas, colocando os demais municípios da Região Geográfica Imediata de Viçosa em posições que variam entre a 2.488ª (Ervália) e a 4.434ª (Cajuri) entre os 5.570 municípios brasileiros.
No IPS de 2026, aparecem aspectos negativos relacionados à violência contra mulheres e negros (Viçosa, Canaã, Presidente Bernardes e Pedra do Anta); ao índice de homicídios (Cajuri, Coimbra e Teixeiras); ao índice de obesidade (Pedra do Anta, Teixeiras e Paula Cândido); à evasão no ensino médio (Pedra do Anta e São Miguel do Anta); ao abastecimento de água (Canaã, Ervália e Presidente Bernardes); à deficiência na coleta de esgoto e de resíduos (Araponga e Coimbra); e à mortalidade infantil (Cajuri).
Há, portanto, muitos aspectos a serem melhorados e que devem ser objeto de políticas públicas efetivas. Os dados da nossa Região Geográfica Imediata mostram deficiências que podem e devem ser tratadas em conjunto, por meio de planejamento e cooperação entre os municípios. Eles estão disponíveis no site do IPS Brasil. Confira!
Ver: https://ipsbrasil.org.br/
17 agosto 2026
PATRIMÔNIO EM RISCO: ANTIGO CEDRUS
15 agosto 2026
URBAN PATTERN: PRIPRYAT
10 agosto 2026
Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026
Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) defende, em Carta Aberta aos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026, um pacto pelo planejamento urbano e ambiental. O documento defende que os desafios impostos pelas mudanças climáticas, pelas desigualdades urbanas e pela precariedade da infraestrutura exigem políticas públicas permanentes e articuladas, capazes de preparar as cidades brasileiras para o futuro.
https://caubr.gov.br/cau-br-defende-pacto-pelo-planejamento-urbano-em-carta-aos-candidatos-de-2026/
09 agosto 2026
JARDIM BOTÂNICO DA UFJF
BAR DO ABÍLIO
01 agosto 2026
POLUIÇÃO VISUAL
Em Viçosa (MG), esse belo edifício eclético centenários, em frente ao Balaústre e à estação Cultural Hervê Cordovil, merece ser melhor cuidado, com os letreiros e painéis comerciais compatíveis. Se não é poluição visual.
O que acham?
Foto: Ítalo Stephan, agosto de 2026.
POLUIÇÃO VISUAL
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Foto Ítalo Stephan, agosto de 2026.
30 julho 2026
25 julho 2026
BARREIRAS FÍSICAS E SIMBÓLICAS
A segregação socioespacial, comum em nossas cidades, organiza o espaço de forma desigual. Ela decorre de fatores econômicos, políticos e históricos, como também impacta a mobilidade, as oportunidades e a qualidade de vida da população. Além disso, interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos, afetando o acesso à educação, aos serviços de saúde, ao transporte, aos espaços de cultura e às oportunidades de trabalho.
Barreiras físicas existem na maioria de nossas cidades. Às vezes, são representadas por morros, rios, linhas férreas ou pistas de pouso e decolagem. Outras vezes, decorrem da própria infraestrutura urbana, quando esta é inexistente ou precária, bem como dos inúmeros obstáculos à acessibilidade, como calçadas irregulares, ausência de rampas, desníveis e grandes inclinações. Muitas vezes, essas barreiras contribuem para a valorização de determinadas áreas em detrimento de outras, separando populações de diferentes faixas de renda. Há também, em muitas cidades, barreiras constituídas por muros de condomínios verticais (presentes em diferentes padrões de renda) e de condomínios horizontais fechados (predominantemente de alta renda), além de vias expressas que separam bairros ricos e pobres. Tais barreiras promovem a segregação socioespacial e podem ser reforçadas, inclusive, por um zoneamento urbano inadequado.
Além das barreiras físicas, existe outro tipo de segregação no espaço urbano: as barreiras simbólicas. Já se foi o tempo dos elevadores separados e dos quartos de empregada. Outras barreiras mais sutis persistem, impedem ou dificultam o acesso de determinados grupos a certos espaços, limitando a igualdade por meio da deslegitimação e da invisibilidade social. São barreiras muitas vezes invisíveis, mas que discriminam o uso dos espaços, inibem a livre circulação e transmitem a impressão de que determinados locais pertencem a grupos restritos. Dessa forma, algumas regiões passam a ser vistas como "proibidas" para certos segmentos da população, mantendo a divisão territorial mesmo na ausência de barreiras materiais evidentes. Essas barreiras criam um sentimento de pertencimento restrito.
Por outro lado, há regiões da cidade que estigmatizam seus próprios moradores, reforçando a exclusão social. Em geral, são bairros periféricos ou comunidades frequentemente carentes de infraestrutura e, muitas vezes, considerados perigosos. Em inúmeros casos, seus moradores são alvo de preconceitos, o que pode limitar até mesmo o acesso a oportunidades de emprego. Um exemplo de barreira simbólica foi o termo “favela” (embora tenha readotado recentemente pelo IBGE). Outro exemplo é quando alguma audiência pública acontece em um local frequentado por pessoas de alta classe econômica. Essa condição parece dizer que o evento é dirigido apenas a essa classe e que as demais não são desejadas.
Uma barreira simbólica existente em Viçosa é a entrada do Campus da UFV, materializada pelas Quatro Pilastras. Incrivelmente, ainda hoje, elas parecem sinalizar, ainda que de forma implícita, que aquele espaço não deve ser ultrapassado por todos. Não há qualquer informação, em lugar algum, que impeça os cidadãos de utilizar o principal parque público da cidade. Isso é real. Essa barreira simbólica precisa ser superada. O câmpus é um espaço de todos. Além de abrigar uma importante instituição de ensino superior, que obviamente não atende a toda a população, mas oferece um patrimônio paisagístico, ambiental e cultural que pode e deve ser usufruído por todas as comunidades e tribos, independentemente de renda, instrução ou cor da pele.











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