01 agosto 2026

POLUIÇÃO VISUAL

Em Viçosa (MG), esse belo edifício eclético centenários, em frente ao Balaústre e à estação Cultural Hervê Cordovil, merece ser melhor cuidado, com os letreiros e painéis comerciais compatíveis. Se não é poluição visual. 

O que acham?

Foto: Ítalo Stephan, agosto de 2026.

POLUIÇÃO VISUAL

Em Viçosa(MG), ao lado do Balaústre, perto da Estação Cultural Hervê Cordovil, ambos tombados como patrimônio arquitetônico, esse conjunto de lojas improvisadas ao longo da linha férrea dá um desagradável aspecto. Algo a ser  melhorado, não acham?

Deixe sua opinião.

Foto Ítalo Stephan, agosto de 2026.

25 julho 2026

BARREIRAS FÍSICAS E SIMBÓLICAS

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 30/o7/26.

A segregação socioespacial, comum em nossas cidades, organiza o espaço de forma desigual. Ela decorre de fatores econômicos, políticos e históricos, como também impacta a mobilidade, as oportunidades e a qualidade de vida da população. Além disso, interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos, afetando o acesso à educação, aos serviços de saúde, ao transporte, aos espaços de cultura e às oportunidades de trabalho.

Barreiras físicas existem na maioria de nossas cidades. Às vezes, são representadas por morros, rios, linhas férreas ou pistas de pouso e decolagem. Outras vezes, decorrem da própria infraestrutura urbana, quando esta é inexistente ou precária, bem como dos inúmeros obstáculos à acessibilidade, como calçadas irregulares, ausência de rampas, desníveis e grandes inclinações. Muitas vezes, essas barreiras contribuem para a valorização de determinadas áreas em detrimento de outras, separando populações de diferentes faixas de renda. Há também, em muitas cidades, barreiras constituídas por muros de condomínios verticais (presentes em diferentes padrões de renda) e de condomínios horizontais fechados (predominantemente de alta renda), além de vias expressas que separam bairros ricos e pobres. Tais barreiras promovem a segregação socioespacial e podem ser reforçadas, inclusive, por um zoneamento urbano inadequado.

Além das barreiras físicas, existe outro tipo de segregação no espaço urbano: as barreiras simbólicas. Já se foi o tempo dos elevadores separados e dos quartos de empregada. Outras barreiras mais sutis persistem, impedem ou dificultam o acesso de determinados grupos a certos espaços, limitando a igualdade por meio da deslegitimação e da invisibilidade social. São barreiras muitas vezes invisíveis, mas que discriminam o uso dos espaços, inibem a livre circulação e transmitem a impressão de que determinados locais pertencem a grupos restritos. Dessa forma, algumas regiões passam a ser vistas como "proibidas" para certos segmentos da população, mantendo a divisão territorial mesmo na ausência de barreiras materiais evidentes. Essas barreiras criam um sentimento de pertencimento restrito.

Por outro lado, há regiões da cidade que estigmatizam seus próprios moradores, reforçando a exclusão social. Em geral, são bairros periféricos ou comunidades frequentemente carentes de infraestrutura e, muitas vezes, considerados perigosos. Em inúmeros casos, seus moradores são alvo de preconceitos, o que pode limitar até mesmo o acesso a oportunidades de emprego. Um exemplo de barreira simbólica foi o termo “favela” (embora tenha readotado recentemente pelo IBGE). Outro exemplo é quando alguma audiência pública acontece em um local frequentado por pessoas de alta classe econômica. Essa condição parece dizer que o evento é dirigido apenas a essa classe e que as demais não são desejadas. 

Uma barreira simbólica existente em Viçosa é a entrada do Campus da UFV, materializada pelas Quatro Pilastras. Incrivelmente, ainda hoje, elas parecem sinalizar, ainda que de forma implícita, que aquele espaço não deve ser ultrapassado por todos. Não há qualquer informação, em lugar algum, que impeça os cidadãos de utilizar o principal parque público da cidade. Isso é real. Essa barreira simbólica precisa ser superada. O câmpus é um espaço de todos. Além de abrigar uma importante instituição de ensino superior, que obviamente não atende a toda a população, mas oferece um patrimônio paisagístico, ambiental e cultural que pode e deve ser usufruído por todas as comunidades e tribos, independentemente de renda, instrução ou cor da pele.

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21 julho 2026

VITÓRIA DOS MORADORES

Neste terreno na Quinta dos Guimarães, em Viçosa, havia uma torre de celular. 
Os moradores lutaram e depois de alguns anos, finalmente venceram. 
A torre foi desmontada, trazendo sossego para os moradores.

19 julho 2026

Juiz de Fora ano 2001


Capa do jornal Diário da Tarde, possivelmente de 1974. 
Adolescente na época, sonhei muito com essa imagem. Decepção? Não! Não dá para adivinhar o futuro. 

Ver também: https://www.instagram.com/reel/DS-JpdBjvH9/

18 julho 2026

IMPASSE NO PATRIMÔNIO

Edifício Alcântara, no centro de Viçosa(MG).
Em processo de tombamento, as obras de recuperação estão paradas. 
A família proprietária troca de inventariante, o engenheiro responsável técnico foi trocado. 
Enquanto isso, coloca-se tapume, tira-se tapume, agride-se mais o bem com fechamentos indevidos, expondo os transeuntes a riscos causados pelo desgaste.
O Ministério Público está a par; a família e a Segeplan da Prefeitura vêm  sendo notificadas. 

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05 julho 2026

ARRANJO POPULACIONAL DE VIÇOSA

 


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa(MG), em 1º de julho de 2026.

    Vivemos na região de Minas Gerais conhecida, há muito tempo, como Zona da Mata. Esse termo ainda é utilizado, mas passou a coexistir com outras denominações adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como a Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora. A antiga Microrregião de Viçosa passou a ser denominada Região Geográfica Intermediária de Viçosa, assim como ocorreram mudanças semelhantes nas regiões intermediárias de Ubá, Ponte Nova, Muriaé e Manhuaçu. Nossa região geográfica imediata é formada por mais 11 municípios: Araponga, Cajuri, Canaã, Coimbra, Ervália, Paula Cândido, Pedra do Anta, Porto Firme, Presidente Bernardes, São Miguel do Anta e Teixeiras.

    Desde 2018, há também o conceito de “arranjo populacional”, criado com o propósito de oferecer um modelo territorial capaz de representar as relações econômicas e sociais. Com isso, o IBGE ampliou a noção do urbano. A fragmentação entre o local de moradia e o local de trabalho nos centros urbanos responde a uma nova organização mundial do trabalho, dando origem a distintos arranjos no território. Esses instrumentos contribuem para a compreensão da complexa rede de cidades em que vivemos.

    Os arranjos populacionais, segundo o IBGE, são unidades territoriais compostas por mais de um município que apresentam integração significativa, seja pela contiguidade das áreas urbanizadas (conurbação), seja pela existência de deslocamentos frequentes de seus habitantes para trabalho ou estudo. O objetivo é integrar informações e estatísticas para coleta e divulgação de dados, auxiliando o planejamento territorial, que não deve mais se restringir aos limites administrativos dos municípios. O IBGE identificou 294 arranjos populacionais no país, compostos por 938 municípios.

    O Arranjo Populacional de Viçosa (MG) é classificado pelo IBGE como um polo da hierarquia urbana voltado à prestação de serviços, ao comércio regional e, sobretudo, à educação. Viçosa destaca-se por centralizar uma intensa dinâmica de deslocamentos pendulares, atraindo diariamente milhares de pessoas de municípios vizinhos para estudar, para trabalhar ou para utilizar serviços de saúde, especialmente de Teixeiras e Cajuri. Municípios como Ponte Nova, Ubá e Cataguases configuram arranjos populacionais com base em outros aspectos socioeconômicos.

    O perfil desse arranjo populacional é fortemente moldado pela presença da Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Univiçosa e dos cursos pré-universitários, uma vez que a população estudantil acrescenta cerca de 20 mil pessoas ao município. Esse contingente impacta os dados do Censo, pois parte significativa dessa população flutuante — aproximadamente 20% — não é contabilizada como moradora permanente, embora determine o fluxo diário e a sazonalidade da cidade. Esse excedente populacional, por outro lado, exerce forte influência na economia local, especialmente nos setores da construção civil, serviços de saúde, alimentação, papelaria e prestação de serviços domésticos. Também há impacto no fluxo de automóveis, muitos deles emplacados em outros municípios, o que resulta em menor arrecadação de IPVA.

    Todos esses dados e estatísticas constituem instrumentos fundamentais para o desenvolvimento de políticas de planejamento municipal e, de forma ainda mais relevante, microrregional, nos âmbitos econômico, social e físico-territorial. Torna-se necessário estabelecer consórcios e outras formas de parceria entre os municípios, uma vez que a preservação ambiental, a produção de água e o uso do solo já não se limitam às fronteiras administrativas municipais.

Mapa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Geogr%C3%A1fica_Intermedi%C3%A1ria_de_Juiz_de_Fora

28 junho 2026

NATUREZA

No Campus da UFV, árvores que se foram com a tempestade.

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Em outro ponto do Campus da UFV, árvores que se foram com a tempestade.

Árvores que permanecem e nos brindam com flores.

Fotos Ítalo Stephan, junho de 2026

27 junho 2026

22 junho 2026

LEGISLAÇÂO DE USO DO SOLO EM VIÇOSA-MG

Efeitos da legislação urbanística modificada.  

A permissão de fazer mais dois pavimentos de garagem acima da loja+sobreloja cria paredões e impede que prédios vizinhos recebam iluminação e tenham suas vistas obstruídas. Essa alteração na lei do uso do solo prejudicou prédios mais antigos.

Essa construção nova encosta no beiral da casa antiga, impede a iluminação e ventilação das janelas laterais. Descuido da fiscalização?

É urgente revisar  a legislação, para impedir casos como esses.

Fotos Ítalo Stephan, junho de 2026

21 junho 2026

RECONSTRUIR O PATRIMÔNIO?


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, 18 de junho de 2026

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou o município e os proprietários a reconstruírem uma casa demolida ilegalmente em Viçosa. O imóvel, localizado na avenida Bueno Brandão, estava catalogado na Lista de Bens Inventariados desde 2010, devido ao seu valor histórico. Também por fazer parte do conjunto eclético remanescente na área central, juntamente com o Balaústre, a Estação Hervê Cordovil, a Casa Arthur Bernardes. Criou-se um situação inédita em Viçosa, mas não no Brasil (exemplos: Carmo do Rio Claro e Paracatu, em MG e em Planaltina -DF). O Ministério Público de Minas Gerais, tem a função constitucional de defender e proteger o patrimônio público e social, o meio ambiente e outros interesses difusos e coletivos. O proprietário de um bem protegido, seja tombado ou inventariado, tem a responsabilidade de conservá-lo, conforme previsto no Decreto-Lei nº 25/1937 e na Constituição Federal.

Após dois pedidos de demolição negados em 2014 e 2017, os proprietários obtiveram autorização do Conselho Municipal de Cultura e do Patrimônio Cultural e Ambiental em 2019. No terceiro pedido de demolição, alegaram graves dificuldades financeiras para manter o imóvel, afirmando que este se encontrava em situação precária e sem condições de habitação. Com o aceno positivo a esse pedido, considerado equivocado aos olhos do Ministério Público, o imóvel foi rapidamente demolido. Após a derrubada da casa, foi instalado um estacionamento no terreno, posteriormente interditado pela Justiça.

Por estar em uma área nobre e central, o valor da terra é enorme. Para o mercado imobiliário, um terreno vazio vale mais que uma casa antiga. Há grande pressão dos construtores para que os proprietários consigam autorização para demolição. Essa pressão é acompanhada   pelo aceno de milhões de reais pelo terreno vazio, o que representaria significativa vantagem financeira.  

O Conselho de Patrimônio (Compath) precisa atuar, por um lado em conformidade com a lei, amparado e fiscalizado pelo Ministério Público e, por outro, em busca de soluções viáveis para permitir o desenvolvimento urbano junto com os proprietários e com o setor da construção civil. A casa, na esquina com a rua Silvio Romeu, ocupava menos de um terço da área do terreno; o restante era ocupado por construções sem qualquer valor, o que permitiria uma nova construção ao lado.  O Conselho, na época das duas negativas, tentou negociar, sem sucesso, alternativas, inclusive com vantagens por meio do uso do “Transferência do Potencial Construtivo”. Esse instrumento urbanístico já foi utilizado algumas vezes em Viçosa (na própria avenida e na rua Gomes Barbosa). Recentemente, negociações entre a preservação e o progresso resultaram na preservação da bela fachada do Hotel Rubim e de grande parte da primeira pousada de Viçosa, na mesma rua. 

Preservar o patrimônio é um desafio enorme em qualquer cidade. São muito comuns casos em que os proprietários simplesmente abandonem os imóveis, não façam manutenções periódicas, deixem janelas abertas, removam telhas deixando o tempo e o clima acelerarem sua deterioração.  Os aclamados ventos do “progresso” sopram forte para substituir exemplares constituintes da identidade local. No entanto, a convivência de arquitetura de diferentes épocas é saudável para a sociedade como um todo. A decisão da justiça em cobrar a reconstrução do imóvel não é simples, pois sua reconstrução geraria um falso patrimônio. A discutir como isso seria feito. Por outro lado, fica o aspecto didático de impedir novas tentativas de destruição do nosso valioso patrimônio arquitetônico e cultural.

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Foto retirada do Google Maps Street View.