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11 junho 2021

JOGO DOS 13 (ou mais) ERROS

 

Você consegue identificar 13 ou mais erros,  quanto ao uso e ocupação do solo, que esse desenho mostra?

1.

2.

3....

14 fevereiro 2020

A FÁBULA DE QUALQUERLÂNDIA


Uma das minhas fábulas do livro "Fábulas urbanas e outras lições sobre as cidades", publicado em 2019.

Qualquerlândia era uma cidade pequena, espremida entre muitas montanhas, num lugar quase esquecido pelo mundo, mas importante para alguns políticos, os de lá da capital do estado e os de lá da capital do país. Quem mandava na cidade não era o prefeito, pois a cada hora havia um. Quem mandava eram os grandes fabricantes de caixotes, pois caixotes serviam para guardar coisas e guardar coisas era coisa muito importante. Então, quanto mais caixotes melhor. Os fabricantes descobriram que ganhavam mais dinheiro fabricando caixotes cada vez menores, mas em quantidade cada vez maior.

Em Qualquerlândia, também tinha uma fábrica de sábios.  Muitos sábios eram ali produzidos, mas quase nenhum ficava na cidade, pois ali não parecia ser lugar para sábios ficarem. Enquanto se fabricavam os sábios, os que ainda não eram sábios precisavam guardar seus livros e coisas nos caixotes por algum tempo. Não importava muito a qualidade dos caixotes, pois um dia, os sábios  iriam embora. Aos poucos, os caixotes foram sendo empilhados, até em cima dos leitos dos riozinhos. Não tinha problema; há muito tempo o riozinho não enchia até ali. Se precisassem, os fabricantes chegavam o riozinho para lá. Quando o vale encheu de caixotes, colocaram mais caixotes até o topo dos morros. Se precisasse, tiravam-se os morros. Tinha tanto morro que mais um menos um, não tinha problema. Tinha tanta árvore que remover algumas dezenas não era problema.

Havia alguns dos fabricantes de sábios, menos sábios, menos sabidos até, que ali insistiam em ficar e azucrinar os fabricantes de caixotes que ocupavam tudo, desde as margens dos riozinhos aos topos dos morros. Aqueles queriam organizar o empilhamento de caixotes e impedir que os caixotes mais antigos, amplos e bonitos fossem destruídos. Os fabricantes sempre queriam pilhas maiores e ficavam muito brabos quando os sábios queriam disciplinar a cidade e alertar que não era possível guardar caixotes daquele jeito. Os prefeitos da ocasião, ainda menos sábios, apoiavam os fabricantes de caixotes e concordavam quando estes, os seus apoiadores, chamavam de cabeças de bagre ou até de marcianos os fabricantes de sábios.

Os fabricantes estavam muito satisfeitos, vendendo caixotes com nomes bonitos, (de preferência nomes que juntassem palavras francesas ou inglesas com outras que fizessem referência à sustentabilidade), vendendo até mesmo para alguns fabricantes de sábios, que não davam importância ao assunto. Pregavam aos quatro cantos que fabricar caixotes criava muitos empregos, e ameaçavam dizendo que, se não pudessem aumentar as pilhas, iriam embora fabricar caixotes em outro lugar. Mas também sabiam que, em outro lugar, não iriam vender tantos caixotes e a preços tão elevados.

E lá ficavam, fabricando mais e mais caixotes. Sabiam que, quando seus próprios caixotes enchessem de dinheiro, iriam embora de Qualquerlândia, deixando-a ao deus-dará e à mercê dos fabricantes de sábios, que não saberiam onde eles e os futuros sábios a serem fabricados colocariam mais suas coisas importantes. Eram tantos caixotes empilhados, tão próximos uns dos outros, que não se chegava mais até eles. Mas todos sabiam que um dia, os caixotes, úmidos, mofados e muitos vazios, desabariam, ficariam inacessíveis ou seriam engolidos pela raiva dos riozinhos que se cansariam de serem estrangulados.

Era apenas uma questão de tempo.


23 janeiro 2018

QUALQUERLÂNDIA - COMO NÃO SE DEVE FAZER


Em Qualquerlândia constrói-se de qualquer jeito, sem controle da prefeitura. Constrói-se mal, colocando em risco os moradores e os vizinhos, as patologias de uma estrutura mal feita estão visíveis (paredes tortas e trincas). Usa-se parte da via como parte da rampa de acesso à garagem.  Avança-se por sobre os passeios e as vias públicas. Tudo errado!

Fotos Ítalo Stephan, janeiro de 2018.

09 janeiro 2016

Lixo de paisagens

Em Qualquerlândia

Mesmo que por algumas horas, não haveria uma ideia menos porca do que deixar o lixo no meio da rua?

Toda uma rua "decorada".

Os "pirulitos" são decorados com latões e sacos de lixo por horas e até dias.

06 outubro 2015

Qualquerlândia: Operação menos asfalto!

Chegou às minhas mãos um convite da Prefeitura Municipal de Qualquerlândia, com os seguintes dizeres:

OPERAÇÃO + ASFALTO

Prezado Morador,
Em 2015 iniciamos em Qualquerlândia a "Operação + asfalto", o maior programa municipal de recuperação de vias urbanas dos últimos tempos em nossa cidade. Por isso, é com imensa alegria que vimos convidá-lo a participar do ato de assinatura da Ordem de Serviço das obras de asfaltamento da Avenida Oliva dos Castro.

Na ocasião, também ápresentaremos, com a empresa vendedora da licitação, o cronograma do processo de asfaltamento, para que você possa nos ajudar a fiscalizar o andamento da obra.
Destacamos que é de extrema importância sua participação neste momento tão importante para o seu bairro.  

A reunião será no dia .... no Salão Paroquial da Igreja de Fátima

Contamos com a sua participação. Ela é fundamental para que possamos construir uma cidade melhor a cada dia.
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Que participação é essa que se restringe a assistir a assinatura de uma ordem de serviço para asfaltar uma rua de um bairro de classe média e a fiscalizar a execução do asfalto?

Enquanto se aplica o asfalto, temos uma crise hídrica castigando o município, juntamente com  problemas gravíssimos de infraestrutura nos bairros mais humildes.

Deveríamos ter Operação - Asfalto; Operação + Educação; Operação + Conservação do Meio Ambiente; Operação + Cultura

11 agosto 2013

Qualquerlândia: sem afastamentos


Em algum lugar qualquer de Qualquerlândia. Em cima da via pública. Sem iluminação. Sem ventilação. Sem privacidade.

05 julho 2013

Qualquerlândia: acessibilidade em Viçosa


Mesmo quando a rua é plana (o que é raro) criam-se barreiras físicas nas calçadas, que é espaço público.
Viva eu!  Dane-se o resto! Viva o automóvel!

28 junho 2013

Qualquerlândia: Inhapim, MG




Como tantas outras cidades brasileiras, a pequena Inhapim, em Minas Gerais, não  foge à regra das invasões sobre os leitos dos rios e os eternos ciclos de enchentes/tragédias e da conivência do Poder Público. Triste, triste...
Na foto de cima é possível ver a marca de até onde a água já subiu.

14 setembro 2012

Rua de Qualquerlândia

Esta foto é tão representativa que resolvi postar novamente.
É uma típica rua de Qualquerlândia:
- deserta,  murada e insegura;
- moderna e sem identidade;
- com apartamentos mínimos sem iluminação e sem ventilação;
- com materiais de qualidade e passeios inacessíveis;
- estreitas, com varandas por sobre os passeios;
- com taxa de ocupação quase total mas a preços absurdos;
- com habite-se  e desobediente à legislação urbanística;
- sem afastamentos e sem jardins;
- sem pavimentação e sem captação de bocas águas pluviais;
- com alguma engenharia e nenhuma arquitetura.