26 abril 2026

VIÇOSA CIDADE DESIGUAL


Bairros Fátima e Ramos: alta densidade residencial.

Próximo ào Júlia Molá: expansão urbana com verticalização. Isso é realmente necessário?  .

Coelhas 1/ MCMV: abandono, muros e portões sem janelas, longe da cidade. 

Vale do Sol: grande loteamento em área de vazio urbano.

Fotos Ítalo Stephan, abril de 2026.

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL DIGNA

 

Conjunto Coelhas I, do Programa Minha casa Minha Vida em Viçosa: péssima solução urbanística: isolamento, abandono, sérios problemas sociais. desfiguração, reformas e ampliações sem orientação técnica.   

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 23/04/2026

Recentemente, a Prefeitura Municipal de Viçosa lançou o programa “Reformando com Dignidade”, que atenderá pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio da concessão de um cartão com crédito para a compra de materiais de construção. O objetivo é promover melhorias nas residências, seja por meio de reformas, ampliações, conclusões de obras ou adaptações necessárias. O programa se restringe a imóveis localizados fora de Áreas de Preservação Permanente, bem como de áreas de ocupação irregular. O auxílio financeiro poderá chegar a até R$ 5 mil por grupo familiar.

Trata-se de uma iniciativa importante, de alcance social voltado aos mais necessitados, mas que precisa ser complementada por outras ações igualmente essenciais. Antes de utilizar o crédito, é fundamental saber quais materiais adquirir, em que quantidade, para qual finalidade e como aplicá-los corretamente. Para isso, é necessária a assistência técnica de profissionais de arquitetura e urbanismo. Caso contrário, o uso inadequado dos materiais para resolver um problema pode acabar mascarando outros.

Há um enorme déficit qualitativo nas habitações, com domicílios sem acesso a padrões mínimos de serviços adequados. Esse déficit ocorre, principalmente, em edificações autoconstruídas, improvisadas ou erguidas em áreas exíguas, muitas vezes junto a encostas. Ele é significativamente maior do que o déficit quantitativo e se manifesta em todo o país. Segundo o Observatório do Terceiro Setor, o déficit habitacional quantitativo no Brasil é de 5,9 milhões de moradias, enquanto o qualitativo atinge cerca de 24,9 milhões de unidades habitacionais. Esse quadro abrange moradias localizadas em áreas urbanas inadequadas, com espaços insuficientes, baixa qualidade construtiva, ausência de cálculo estrutural, paredes sem reboco, telhados sem forro ou laje, além de infiltrações, mofo e trincas. Essas condições resultam em ambientes insalubres, mal ventilados e pouco iluminados, com uso inadequado de materiais, por vezes prejudiciais à saúde, além de instalações elétricas precárias, sistemas hidráulicos mal dimensionados e redes sanitárias e pluviais com descarte irregular.

Municípios como Juiz de Fora instituíram Escritórios Públicos de Arquitetura e Engenharia para melhorar as condições de moradia. Viçosa possui uma Lei de Arquitetura e Engenharia Públicas - Lei nº 1.637/2005, alterada pela Lei nº 2.170/2011 - que precisa ser colocada em prática. Essa política pública envolve o planejamento, o projeto e a execução de obras e serviços técnicos voltados ao interesse social, especialmente na habitação de baixa renda e na infraestrutura urbana. Impõe-se a boa aplicação de recursos acessíveis, porém limitados.

O artigo 1º dessa lei assegura “o direito à assistência pública e gratuita nas áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia para estudos, pesquisas, planejamentos, projetos e execução, bem como toda e qualquer atividade técnica atribuída a essas áreas de atuação, inclusive as voltadas à regularização urbanística e fundiária para a habitação de interesse social direcionada às populações de baixa renda”. Já o artigo 2º afirma que o direito à assistência técnica “abrangerá todas as necessidades apresentadas, como: novas edificações, reformas, adequações e intervenções, ampliação, recuperação e compensação, para viabilizar a habitação”.

Prefeito, coloque seu programa de reforma em prática, mas não deixe de somá-lo à Lei de Arquitetura e Engenharia Públicas, ora ignorada. Há muito trabalho pela frente e, iniciando-o corretamente, poderão surgir desdobramentos futuros, com recursos federais ou, como tem sido comum, por meio de emendas parlamentares, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de grande parte da população viçosense.

24 abril 2026

CENTRO DO RIO DE JANEIRO: PATRIMÔNIO EM RISCO

Lapa, Centro da cidade do Rio de Janeiro. Centenas de imóveis vaziosem visível deterioração.
A prefeitura do Rio está leiloando imóveis abandonados na Lapa e Rua do Ouvidor para combater a vacância, com foco em reconversão residencial ou comercial via programas como o Reviver Centro Patrimônio ProApac. Soluções incluem intervenção em imóveis com dívidas de IPTU, leilões, e projetos de lei para reformas forçadas

Centro do Rio de Janeiro. Belos móveis centenários abandonados.  

Soluções incluem intervenção em imóveis com dívidas de IPTU, leilões, e projetos de lei para reformas forçadas. Incluem intervenção em imóveis com dívidas de IPTU, leilões, e projetos de lei para reformas forçadas. 
Intervenção Legal: Discussão de projetos de lei complementar para permitir que a prefeitura realize manutenções, intervenções ou desapropriações em imóveis abandonados com proprietários negligentes, cobrando os custos posteriormente.

Lapa. Imóvel Art Nouveau, beleza abandonada. 

Outras possibilidades: revisão do IPTU: Propostas para aplicar alíquotas de IPTU reduzidas ou flexíveis em perímetros específicos, incentivando a ocupação.

Fotos Ítalo Stephan. Abril de 2026.
 

18 abril 2026

PAÇO IMPERIAL - RIO DE JANEIRO

Paço Imperial aberto com exposição de mais de cem artistas. Foto do Pátio Interno.

Escada interna

Salão de exposições

Salão de exposições.

"Antiga residência do governador e do Vice-Rei no século XVIII, o Paço Imperial no Rio de Janeiro foi o centro das movimentações políticas e sociais da época, registrando importantes fatos históricos do Brasil Colônia, Real e Imperial. Entre eles, o Dia do Fico, a Abolição da Escravidão e a Proclamação da Independência do Brasil. Em 1808, com a vinda de Dom João VI, o local passou a se chamar Paço Real e recebeu o atual nome em 1822, com Pedro I e Pedro II, até a Proclamação da República, em 1889."

Fotos Ítalo Stephan, Abril de 2026
Texto, fonte: 
https://www.gov.br/iphan/pt-br/unidades-especiais/centro-cultural-paco-imperial 

12 abril 2026

CIDADES RESILIENTES

 

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 9 de abril de 2026

Segundo a ONU, resiliência significa “a habilidade de um sistema, comunidade ou sociedade exposta a riscos de resistir, absorver, acomodar-se e reconstruir-se diante dos efeitos de um desastre, em tempo e modo adequados, incluindo a preservação e restauração de suas estruturas e funções essenciais”. A ONU lançou uma Campanha Mundial de Redução de Desastres. A Secretaria Geral para a Redução de Riscos de Desastres lançou, em conjunto com a ONU, o manual “Minha cidade está se preparando”. Nele, define-se que uma cidade resiliente é aquela que deve atender a vários critérios.

O primeiro aspecto é que o município deve ter um prefeito competente e responsável, que garanta uma urbanização sustentável, com a participação de todos os grupos sociais. As mudanças climáticas precisam estar na agenda do planejamento territorial. 

Um município resiliente deve evitar desastres, de modo que toda a sua população viva em residências e bairros providos de infraestrutura adequada e serviços básicos (escolas, coleta de lixo, serviços de emergência etc.). Devem ser tomadas medidas de prevenção e preparação para desastres, com o objetivo de proteger seus bens (pessoas, residências, mobiliário, patrimônio cultural e capital econômico) e minimizar perdas físicas e sociais decorrentes de eventos climáticos extremos. Para isso, deve investir na redução de riscos e ser capaz de se organizar antes, durante e depois de um desastre; deve estar apto a restabelecer rapidamente seus serviços básicos, bem como retomar suas atividades sociais, institucionais e econômicas após um desastre. Suas estruturas precisam atender aos padrões de construção, evitando a ocupação desordenada em áreas de encosta ou sujeitas a inundação. No município, deve ser desenvolvido um forte trabalho de educação, com base nas ameaças e vulnerabilidades às quais seus cidadãos estão expostos.

Liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNDRR), há uma iniciativa que, “por meio da articulação de vários atores, promove a resiliência local por meio da defesa política, da troca de conhecimentos e experiências e do estabelecimento de redes de aprendizagem entre as cidades”, buscando, simultaneamente, o “fortalecimento das capacidades técnicas, a conexão entre vários níveis de governo e o estabelecimento de alianças estratégicas”. 

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apoia as cidades em seu caminho para a redução de riscos e o desenvolvimento da resiliência por meio de um roteiro para a resiliência urbana, facilitando o acesso a ferramentas de conhecimento, diagnóstico, monitoramento e elaboração de relatórios. Também oferece orientação e apoio às cidades para melhorar seu entendimento sobre redução de riscos e resiliência, aprimorar o planejamento estratégico e executar ações que lhes permitam avançar. O objetivo é assegurar que as cidades se tornem mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis até 2030, contribuindo diretamente para a realização do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU 2030) e de outras iniciativas globais.

Como visto, prefeitos e gestores públicos locais são fundamentais para a construção de cidades resilientes. Atualmente, 31 municípios mineiros, inclusive Juiz de Fora, Divinésia, Conselheiro Lafaiete, Guidoval, Ubá, Santa Cruz do Escalvado, Barra Longa e Rio Doce, estão inscritos na iniciativa “Construindo Cidades Resilientes 2030”, uma campanha nacional em andamento para a redução de desastres. Além disso, os gestores devem impedir ocupações indevidas, definir estratégias para remover habitações em áreas de risco, planejar obras de contenção e ampliar políticas públicas de habitação. Não queremos mais assistir passivamente ao que acontece todo verão, como ocorreu em Petrópolis, São Sebastião, na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Juiz de Fora.

Imagem:
https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/governo-federal-e-parceiro-do-programa-construindo-cidades-resilientes-2030

11 abril 2026

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - RIO DE JANEIRO

Museu da Imagem e do Som, Copacabana, Rio de Janeiro.
Projeto de Diller Scofidio + Renfro
Obra arrojada de longo tempo, iniciada em 2014, está quase pronta. 
Inaugurações parciais a partir de abril

Foto Ítalo Stephan, abril, 2026



 

07 abril 2026

PARQUE DAS RUÍNAS - SANTA TERESA _ RIO DE JANEIRO


Belíssimo ponto turístico carioca.


Localizado no alto do morro em Santa Teresa, o parque é um belíssimo mirante. De lá é possível ter uma vista incrível do centro da cidade e de toda a orla carioca.


Batizado de Parque das Ruínas, o espaço foi inaugurado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 1997. O projeto é dos arquitetos Ernani Freire e Sônia Lopes e mistura as estruturas de ferro e vidro as paredes em ruínas.


As ruínas são o que sobrou da casa de Laurinda Santos Lobo (1878-1946). O casarão foi construído durante o Império para o Ministro Joaquim Murtinho Nobre. Sobrinha e herdeira, Laurinda reformou o lugar nos anos 1930, para sua moradia e ali mantinha uma vida cultural intensa. Promovia muitas festas e saraus que reuniam os intelectuais e artistas da época. Com sua morte, o palacete ficou totalmente abandonado


Texto:https://www.visitesantateresa.rio/parquedasruinas/
Fotos Ítalo Stephan, abril 2026.