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11 agosto 2024

TODO CUIDADO É POUCO

 Artigo publicado no jornal Folha da Mata, em 9/8/2024

O sociólogo Roberto da Matta lançou, há uns quinze anos, quando publiquei um artigo sobre trânsito urbano, um livro chamado "Fé em Deus e pé na tábua", após estudar o comportamento do brasileiro no trânsito. Mesmo sem ler a obra, todos nós podemos imaginar como é. O autor confirma a imagem do "bom" motorista, que é aquele que não segue as regras de trânsito. Para ele, há um estilo bem brasileiro que apavora observadores externos, como entrar na vaga na frente do outro, fechar o motorista do lado; "costurar" entre pistas diferentes. Acrescento ao conjunto da obra: não usar cinto de segurança; usar aplicativo para saber onde há blitz; passar pelo acostamento ou subir nas calçadas; buzinar sem necessidade; aproveitar os primeiros segundos após o sinal ficar vermelho etc.

Da Matta chamou de estilo "Carlota Joaquina", que reproduz relações aristocráticas e atrasadas. Quando Dona Carlota passava, todos tinham de parar, ajoelhar e tirar o chapéu em reverência. O trânsito é um meio repleto de embates entre os motoristas; que se consideram melhores que os outros. Há, no trânsito, disputas entre motoristas e motoqueiros, motoristas e ciclistas ou pedestres, idosos e jovens, homens e mulheres. São, como todos sabemos, disputas covardes para os pedestres e ciclistas, muitas vezes danosas, até mesmo letais. Passam os anos e essas infrações, ainda, na quase totalidade, permanecem impunes. Todos sabemos que são muitas as pessoas acidentadas por causa das motos que dão entrada nos hospitais todos os dias. Os jornais noticiam, todas as semanas acidentes graves e até mortes, com envolvimento de motocicletas. Em qualquer cidade onde há sinalização semafórica, em um dia qualquer, é absolutamente certo que haja ultrapassagens de sinal vermelho. A toda hora vemos motoristas dirigindo e falando ao celular. A bebida alcoólica continua a ser amplamente consumida por motoristas. Faixa dupla não inibe ultrapassagens. O som altíssimo de alguns automóveis despeja ruídos como se nossos ouvidos fossem penicos. Motoboys apressados e imprudentes nos assustam a cada momento. Faixas elevadas e quebra-molas não são obstáculos para os motoqueiros.

O jeitinho brasileiro, o estilo “Carlota Joaquina”, a certeza da impunidade são marcas que precisam ser apagadas e substituídas por relações de educação e de respeito, e quando isso não ocorre, por uma penalização efetiva. O trancamento de um cruzamento precisa ser substituído pela gentileza, a travessia de faixas de pedestres deve ser garantida.  A preferência da travessia nas faixas ainda não “pegou” em muitas cidades, mas deve ser “negociada”, como se faz em Brasília, onde quase todos os motoristas param com a sinalização do pedestre. Esse hábito saudável acaba de ser considerado como patrimônio imaterial na nossa capital federal. Em Viçosa, há um certo descuido, pois os pedestres imprudentemente atravessam sem olhar. 

A educação (entende-se o termo em toda a sua amplitude, onde entram o conhecimento, o respeito, a ética, a cidadania, a alteridade, a polidez, a prudência, a paciência e os bons modos) é a melhor forma para resolver grande parte os problemas de trânsito, mas demanda muito tempo. No Brasil, "ser um bom motorista significa dirigir com o pé na tábua. Quem dirige bem é barbeiro". Até quando isso ficar assim? Até quando haverá tanta impunidade? Até quando este estilo deplorável vai continuar ferindo e matando muitas pessoas, alterando destinos de famílias inteiras? Quinze anos se passaram desde o livro, e os índices de acidentes continuaram a crescer.


06 abril 2023

EVENTO SOBRE ASSÉDIO NA UFV

Evento sobre assédio, organizado pelo DCE/UFV, parte da Campanha Nacional Movimento Olga Benário e Movimento Correnteza. Auditório do DED, em 04 de abril de 2023.
Foto Ítalo Stephan. 

26 março 2023

SER CIDADÃO


 SER CIDADÃO

Ser cidadão é exercitar seus direitos e deveres. Dos direitos reclamamos quase sempre, mas quase sempre com os vizinhos ou em papos com os amigos. Não levamos adiante. Dos nossos deveres, às vezes os desconhecemos, outras vezes os ignoramos. Uma das formas de cidadania é a de participar das discussões sobre políticas públicas, que geralmente ocorrem em audiências participativas. Mas, quem vai ouvir, refletir, questionar, propor? 

A mais recente oportunidade perdida foi a importantíssima audiência de apresentação, na Câmara Municipal de Viçosa, do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental – APA - do São Bartolomeu, a principal microbacia totalmente dentro do município. É a microbacia mais judiada pelas ocupações irregulares e que precisa urgentemente de um conjunto de ações para salvá-la e futuramente recuperá-la. Esse é o papel do Plano. A audiência foi apresentada por representantes de uma empresa de Sergipe, que venceu a concorrência para desenvolvê-la. Não me pergunte o porquê de ser uma empresa de tão longe. Enfim, os técnicos com muita capacidade e simpatia apresentaram o plano para apenas 3 vereadores e uma meia dúzia de cidadãos. Uma vez apresentado um trabalho de fôlego, várias questões foram levantadas, mas o debate poderia ter sido mais rico. 

Na audiência também surgiu uma reclamação de que a audiência fora pouco divulgada e que o horário – 16:00 h de uma sexta-feira não era apropriado. Houve também um comentário de que a população não vai mais às audiências porque os resultados não aparecem. Concordo parcialmente com isso, pois em Viçosa, uma cidade universitária, sempre há algum grupo consultando a população a respeito de algo, com raras realizações.  Logo, os moradores estariam cansados, sem estímulos a participar. Mas, quem disse que avançar em políticas públicas, com sucessos é fácil? Reclamar é fácil; basta xingar um prefeito, basta postar nas redes sociais sua insatisfação, basta ir uma vez cobrar na tribuna da Câmara Municipal, para depois parar de agir. 

Aprendi que não é assim que se faz. Ser cidadão é exigir seus direitos uma, dez, cem vezes. Lutar por avanços, mesmo que poucos, é nosso dever. Ser cidadão não é arrumar desculpas para não ir às reuniões em que poderia se manifestar, ou cobrar por algo previsto e não cumprido. Ser cidadão não é arrumar desculpas que o dia e o horário não são adequados, que não houve divulgação dos eventos de participação. Este jornal divulga com grande visibilidade o que está para acontecer na cidade. As emissoras de rádio, os sites dos órgãos e as redes sociais também divulgam sempre. Quem se interessa verdadeiramente, arruma um jeito de ir, faça sol ou faça chuva. Quem se interessa pela sua cidade consegue uma forma de se manifestar. 

Como planejador urbano, já coordenei algumas centenas de reuniões sobre planos diretores, planos de mobilidade e de saneamento, com dezenas de pessoas, com cinco pessoas, com apenas um cidadão. Em várias reuniões, os presentes reclamavam dos vizinhos que não vinham, também reclamavam que souberam da reunião de última hora, ou da pouca divulgação. Como cidadão participei de várias audiências públicas, bem organizadas ou não, quase sempre com pouquíssimos cidadãos presentes. É assim, é difícil.   Mas o que não concordo é com reclamações vagas, com desculpas de que havia compromissos, ou com a simples omissão. Vejam que aqui tem uma grande universidade, temos profissionais, professores e estudantes de políticas públicas. Recomendo que aqueles que se interessam pela nossa cidade não se esquivem de se manifestar, mesmo que os resultados não sejam imediatamente atendidos, mesmo que suas reivindicações demorem anos.

04 junho 2022

INDIGNAÇÂO X BANALIZAÇÃO

Aqui fujo dos meus temas principais dos meus artigos. Mas não posso deixar de mostrar minha repulsa com os fatos que ocorrem no mundo. Tempos duríssimos esses de agora. Somos sacudidos o tempo todo com notícias de barbárie. Mas ficamos sem reação, anestesiados, letárgicos, omissos. Há tantos males nos afligindo que parece normal termos mais de cento e vinte mortes por Covid todo dia. Não parece mais nos comoverem as notícias diárias de extermínio, menos difundidas, das pessoas de pele menos branca, no Iêmen (alguém sabe onde fica o Iêmen?), no Iraque, no Afeganistão, em Mianmar (já ouviu falar?), no Haiti e Etiópia. São mais de 84 milhões de refugiados no mundo. Depois de quase três meses da estúpida invasão do criminoso de guerra Putin na Ucrânia (alguém viu o presidente do Brasil se posicionar contra isso?), as manchetes começam a rarear depois de uma ampla cobertura.  

A qualquer momento vem dos EUA novos massacres em escolas, shoppings ou igrejas (onde já há um ranking dos crimes com mais mortes), num país com 120 armas para cada 100 habitantes. Aqui em terras tupiniquins, as destrambelhadas operações policiais ganham manchetes no mundo todo. Indignado, vejo especialmente uma população carioca inteira acossada, atônita, entre bandidos, traficantes, milicianos e policiais corruptos. Assistimos ao presidente, ente uma e outra motociata, inspirada em Mussolini, elogiar operações policiais com mais de duas dezenas de mortos. Vemos gente apoiando policiais assassinando com requintes de barbárie por motivos fúteis; indígenas sendo violentadas e exterminados por garimpeiros. 

Além do negacionismo crônico, depois de meses de escândalos revelados numa longa CPI (sujeira escondida pelo Aras e pelos bandidos no Congresso Nacional), muito silêncio e pouco resultado. Chegaremos aos 700.000 mortos pela pandemia; acomodados, ignoramos o drama até que fiquemos doentes ou percamos entes queridos, silêncio. Depois das tragédias ambientais em Teresópolis, Angra dos Reis, Niterói, Petrópolis, Jaboatão dos Guararapes, em outras tantas cidades, silêncio, enquanto nada muda. Depois de denúncias sobre laranjas, rachadinhas, compras de mansões, desdém. Silêncio. Depois de saber que o governo investiu R$0,00 em habitação popular nos dois últimos anos, silêncio. Passaram boiadas no meio ambiente (incêndios e desmatamentos criminosos no Pantanal e na Amazônia), no patrimônio histórico (caso Véio ...), na saúde (caso Covaxin), na educação (Corrução da Bíblia, corte de verbas para pesquisa), nas relações internacionais (rusgas com os EUA de Biden, com França, com a China, visita a Putin às vésperas da invasão), silêncio.

Pouco nos importamos depois de assistir a tantos políticos trocarem de partido como trocam de roupa, de se esconderem em legendas criadas no atacado, nem sabemos mais suas reais “cores” políticas, se é que têm.  A promiscuidade é vergonhosa. Muda-se tudo para ficar tudo na mesma. Resolve-se tudo, com troca-troca nos comandos da Polícia Feral, nos ministérios, na Petrobrás e, mais silêncio, pois temos de torcer para nossos times. Na política rasteira, mente-se descaradamente, prostitui-se com verbas bilionárias dos fundos eleitorais, dos gabinetes paralelos, do orçamento secreto.

Não, não posso deixar de demonstrar minha indignação com o que tomo conhecimento.  A qualquer momento virão novas notícias horríveis que terão atenção por alguns dias, até serem abafadas pelas próximas desgraças. E assim vamos colecionando, entorpecidos e mais empobrecidos, mais mortos e tragédias, e vamos levando, vida besta que segue.


13 março 2022

AMONTOADO DE CASEBRES



 Nova Viçosa, Viçosa-MG. Fotos Ítalo Stephan, março 2022.

Nova Viçosa é um bairro cinquentão que nem pode ser chamado de bairro. Juntamente com Posses, é um "bairro" do tamanho de uma pequena cidade, escondido do resto da cidade, de difícil acesso, na encosta de um morro e no fundo de um vale. 

Seus moradores sofrem dramas diários já dentro de casas, muitas mais buracos que casas. As famílias se amontoam em quartos insalubres. Sofrem de enormes dificuldades financeiras. Sofrem com o risco o medo de serem soterrados por barrancos e pelos frágeis barracos.  Sofrem com o calor e com goteiras de seus telhados mal feitos. Mobilidade e acessibilidade são direitos que passam longe.

Há picadas que chamam de ruas, há algumas de terra e entulhos, umas de pedra fincada esburacadas, umas de blocos soltos, uma ou outra via asfaltada. Todas sem drenagem. Muitas dessas vias ameaçam desabar na próxima temporada de chuvas. 

Falta tudo em Nova Viçosa, a começar pelo Estado. Falta assistência técnica em qualidade e quantidade. Mas não faltam piadinhas preconceituosas sobre seus moradores, que não têm os direitos de cidadãos. Mas seus mais de 6.000 eleitores  serão lembrados novamente em 2022, 2024, 2026...

18 agosto 2021

08 julho 2021

CIDADÃO GILBERTO

 Esse é Gilberto, morador da Vila Alves, na região do Acamari, Viçosa-MG.

Humilde cidadão que cuida de toda a vizinhança, com puro amor. 

Caprichoso, educado: planta, capina, pinta, conserta e apanha lixo que os mal educados jogam nas ruas. Faz isso tudo por iniciativa própria, sem cobrar nada.

Grande cidadão! Pura inspiração!

Foto Ítalo Stephan, julho 2021.

03 fevereiro 2019

ARTIGO: EXPULSÕES


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 31/01/2019.

A socióloga holandesa Saskia Sassen, escreveu um livro muito importante, chamado “Expulsões – Brutalidade e complexidade na economia global” (Ed. Paz e Terra, 1ª ed., 2016).  Trago aqui algumas de suas principais colocações, as quais mostram como o mundo está mudando. Uma grande parte da humanidade possui um papel secundário ou até mesmo sem importância na sociedade contemporânea. Há vários processos em andamento na economia global, como a reorganização radical do capitalismo, feitos com brutalidade. A tese de Sassen  é a de que há uma constituição de “formações predatórias” (elites) facilitadas por um sistema financeiro que produz uma concentração extrema de riqueza. Para a autora, não há mais um sistema interessado em produzir um setor de média renda, como antes havia.

Nos forçados regimes de reestruturação do papel do governo, iniciados na década de 1980, os governos tinham de tornar seus braços executivos obedientes às organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial ou a Organização Mundial do Comércio (OMC). Esses programas pressionaram o pagamento das dívidas, mas os países que se sujeitaram às garras desses organismos não obtiveram sucesso na melhoria do crescimento econômico, nem na criação de governos democráticos fortes. O efeito foi o endividamento ainda mais pesado dos Estados, a falência sob regimes corruptos, fracos e insensíveis ao bem-estar dos seus habitantes. Bons líderes que tentaram resistir aos interesses das finanças poucas vezes persistiram. O setor privado passou a enfrentar falências das empresas locais, após a maciça entrada de empresas estrangeiras.

As condições atuais permitem a hipermobilidade do capital em escala global possibilitado pelas tecnologias da comunicação. Geram as invenções do ramo financeiro que dão liquidez aos capitais que não eram líquidos, favorecem a desregulamentação do mercado e o corte de gastos públicos. Corporações e governos adquirem enormes quantidades de terras em outros países com o objetivo de plantar palmeiras para a produção de biocombustível ou para retirar minerais. Esse crescimento de propriedades estrangeiras está alterando as economias locais e reduzindo as autoridades soberanas dos Estados sobre seus territórios. As consequências globais são o empobrecimento em expansão; a concentração de renda como nunca houve; o fim de projetos de vida, de meios de sobrevivência e de um pertencimento à sociedade.

Ao fim da segunda década do século XXI, não há mais a velha dinâmica keynesiana, a qual defende a tese de que o Estado é um agente ativo contra a recessão e a alta no desemprego, de forma a valorizar as pessoas como trabalhadoras e como consumidores. Nós, da espécie mais inteligente de todas, chegamos a uma realidade de um incrível aumento de imigrações forçadas, de exclusões hipotecárias, do número de pessoas encarceradas e do número de suicídios. Numa sociedade em que presídios são negócios lucrativos, o que conta é o número de “leitos” ocupados nos presídios; a produtividade do setor agrícola às custas de danos ao meio ambiente e os bilhões de dólares adquiridos por uns poucos.  Essas expulsões abriram espaços para as redes criminosas e para o tráfico de pessoas. Não importam o aumento do número de desempregados, nem o aumento da pobreza extrema. Não mais importam as expulsões da fauna, da flora ou das cidades inteiras.

Foto: https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/30-01-2019/bombeiro-de-jf-conta-sobre-trabalho-desgastante-em-brumadinho.html

13 janeiro 2019

PALAVRA MÁGICA


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, em 10/01/2019

Nessa minha coluna quinzenal não costumo escrever diretamente sobre política (partidária), embora tudo que faço tem conotação com ela (inerente a todos os Homo Sapiens).  Alguns não vão gostar, mas respeitarei as críticas e defenderei o direito das pessoas terem opiniões contrárias.  É um enorme equívoco achar que só PT e PMDB roubaram. Temos um ex-presidente preso, temos ex-governadores presos. Mas temos muitos governadores, senadores, deputados federais, ministros, juízes, deputados estaduais, secretários de Estado, vereadores, secretários municipais, assessores municipais, doleiros, laranjas corruptos e soltos, e que permanecem impunes. A sociedade civil entra nessa lista também.

A corrupção é uma estrutura gigantesca entranhada na nossa cultura. A corrupção tem uma enorme espectro em que sempre atinge a ética. É corrupção usar produtos produzidos às custas do trabalho infantil ou escravo; não devolver uma diferença a mais num troco; oferecer suborno a um Policial ou Fiscal; registrar um imóvel num valor menor para pagar menos impostos. A corrupção começa em casa com Skygato, programas pirata, atestados falsos, votos comprados, empregados sem carteira assinada.  Continua nas escolas, com colegas assinando lista de chamada por outros, colando nas provas, plagiando monografias nas faculdades. Segue pela vida profissional com engenheiros canetas-de-ouro, comerciantes com notas fiscais frias, empresários que não pagam impostos com manobras contábeis, juízes com sentenças compradas, médicos da rede pública que cobram extras.
Uma troca de lado no poder, com os mesmos vícios, de nada vai resolver. Há corruptos da esquerda, da direita, do centro ou do “Maria vai com as outras”. Há corruptos em casa, na rua, na igreja, no trabalho, no lazer. Isso acontece há séculos. Há, certamente, algumas dezenas de milhões de corruptos neste país (o Brasil não é o pior dos países que sofrem com a corrupção). Deixamo-nos ser corrompidos pela distorção que as correntes políticas de ideologias diferentes querem impor. Deixamo-nos levar pelas “verdades” que nos confundem, mas nos agradam. Isso também é corrupção.

O PT errou muito, mas acertou muito também. Criou políticas sociais que agora estão ameaçadas de desaparecer. Dilma foi golpeada com artimanhas políticas porque deixou que as investigações sobre corrupção começassem a abrir as portas, que agora começam a ser fechadas com total parcialidade. O PT não é o campeão de roubos. Houve corrupção no período militar. Houve corrupção durante os governos Floriano, Salles, Bernardes, Vargas, Dutra, Jânio, Sarney, Collor, FHC, Lula... Houve corrupção durante os governos Maluf, Íris Resende, Aureliano, Cardoso, Aécio, Barbalho, Magalhães, Calheiros, Alkmin, Cabral, Garotinho, Moreira Franco... Sempre houve corrupção durante os mandatos dos demais governantes, legisladores, assessores jurídicos. Sempre houve corrupção dos líderes religiosos... Houve corrupção e não acabou, vai continuar.

A solução da corrupção não será dada por um governo de extrema direita, não será resolvida por rezas ou orações, com o fuzilamento de traficantes nas favelas. Não acabará com a prisão dos partidários que agora não estão mais no poder. A solução começa dentro de cada um de nós, com uma palavrinha sensacional, mágica, mas muito ignorada: ética. Reconheçamos nossos erros, nossas omissões, nossas limitações, nossos egoísmos. Deixemos de ser corruptos, assim seremos menos hipócritas em cobrar a punição dos outros. Esta é a corrupção a combater, da raiz até o fruto. Essa é a evolução que precisa ser feita. Começa com a gente, começa em casa.

24 dezembro 2018

FELIZ NATAL!


Nesta época do ano, desejamos Boas Festas e um bom Ano Novo.
Vale a pena refletir como é nosso papel de arquiteto e urbanista, ou de  geógrafo, ou de professor...
Desejamos paz, saúde, dinheiro... OK!! Tá certo!
Mas também podemos incluir nesta lista o desejo de que mais gente se interesse e se envolva em discussões essenciais, especialmente para as próximas gerações. Trata-se de sermos mais cidadãos.
Cidadãos ativos contra os maus governos, os maus tratos e contra a corrupção.
A corrupção é uma praga que rodeia a todos nós. Começa pequena, com um sky gato, um programa pirata, um atestado comprado ou falso, um emprego de cabide, um papel de laranja... e termina com a grande corrupção que contaminou muita gente, que mantém,  assume ou reassume o poder.
Lutemos contra a corrupção, sendo simpáticos, ou não, com quem vai nos governar.


17 novembro 2018

CIÊNCIA NA ALMA


Um novo livro de  um de meus autores favoritos, especialmente quanto à divulgação científica.
Ateu mais que confesso, assim como eu. Somos do tipo  "incréu profundamente religioso".
Cita Einstein, que cunhou a expressão, um dos seres humanos mais maravilhosos da história:

"Se existe alguma coisa que pode ser chamada de religiosa, é a admiração infinita pela estrutura do mundo até onde nossa ciência possa revelar."

Atualíssimo:
"As decisões políticas, as decisões de Estado e as diretivas para o futuro devem decorrer do exame racional e lúcido de todas as opções, corroboradas pelas evidências, e de suas consequências prováveis. As intuições, mesmo quando não surgem das remexidas águas escuras da xenofobia, da misoginia ou outros preconceitos cegos, precisam ficar de fora da cabine de votação."

Demagogos "proclamaram a temporada de preconceitos", já disse isso em 2016, quando da eleição de Trump. 


04 novembro 2018

GENTILEZA URBANA


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 01/11/2018

Observa-se cada vez mais contrastes enormes nas paisagens das cidades.  Em filmes e reportagens vemos, em cidades espalhadas mundo afora, obras fantásticas e bilionárias, símbolos de riqueza e do que a tecnologia já possibilita.  São, às vezes, símbolos do domínio do planejamento econômico, ou do capital sobre o judiado planejamento urbano tradicional. No Brasil, o melhor exemplo é o que aconteceu com as cidades que sediaram os jogos da Copa e especialmente com o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016. As grandes empreiteiras ditaram as regras, sem chances ao planejamento correto e à participação da população. Arrecadaram fortunas para elas e para as campanhas e patrimônios dos políticos que as apoiaram. O custo social foi enorme, pois a população de baixa renda foi altamente prejudicada. É o que ocorreu com o projeto do Porto Maravilha, com lançamentos adiados e investimentos malsucedidos.

Por outro lado, a nossa volta, multiplicam-se construções de concepção e concretização medíocres, feitas, em sua maioria apenas para permitir o aumento do patrimônio pessoal. Projetos arquitetônicos e estruturais são pessimamente remunerados e isto influencia na qualidade dos projetos e obras. O direito de propriedade, tão arraigado nos brasileiros, faz com que permaneça a ideia do direito de que tudo pode ser feito para que se aproveite o máximo possível do terreno, não importa o que isso influencie nos vizinhos e na cidade. Nas áreas valorizadas tudo vale. Com isso, as nossas cidades estão a cada dia mais insalubres, barulhentas, congestionadas, feias, injustas e insustentáveis. A ganância e miopia de alguns levam a constantes alterações das regras de construção, apenas por motivos econômicos pontuais e atropelam quaisquer chances de ocorrer algo criativo, novo, preocupado com alguma coisa além dos limites dos lotes e dos lucros. Há pouco lugar para o que chamamos de gentilezas urbanas. Quando ocorrem, é preciso mostrar, é preciso divulgar.

É com esse espírito que o Departamento de Minas Gerais do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-MG) vem premiando iniciativas diversas, de pessoas físicas ou jurídicas, que contribuam significativamente para a melhoria da qualidade de vida urbana, tornando a cidade um pouco mais amável, aprazível e humana. O prêmio IAB - MG Gentileza Urbana abrange seis categorias: 1.  Arquitetura e Urbanidade (atitudes de cuidado com a arquitetura e urbanismo, como por exemplo, um projeto arquitetônico importante e que embeleza); 2.  Direito à Paisagem Urbana (ações que recuperam a paisagem da cidade, através da limpeza e recuperação de pontos importantes e bonitos das áreas públicas; 3.   Respeito à Memória e ao Patrimônio (ações de preservação e valorização do patrimônio histórico e implantação de políticas que recuperem a história de cidades); 4.   Cidadania (gestos coletivos ou individuais, voluntários que contribuem para a melhoria da qualidade de vida); 5.  Sustentabilidade Ambiental (atitudes de cidadãos ligadas à preservação ambiental e ações ambientais de caráter privado que repercutem na cidade); 6. Generosidade (Práticas cotidianas individuais de pessoas que doam o seu tempo em prol da vida de outrem).

Já foram premiadas iniciativas como plantação de árvores (Salinas-MG); assistência técnica e fazendas urbanas (Belo Horizonte); voluntários que ensinam pessoas a andar de bicicleta (Maceió); arte e jardim na fachada (Porto Alegre). Lanço esta ideia, para aproveitar a oportunidade e divulgar o que há de bom nas nossas cidades. Se procurarmos, vamos achar e mostrar aos outros que gentilezas urbanas são boas para muita gente e também revertem economicamente para quem as promove.

28 setembro 2018

ESTÁ CERTO ISSO?



Na Estação Cultural Hervê Cordovil, em Viçosa-MG, colocaram uma imensa garrafa de cachaça em plástico inflável. 
Fica exposta à toda a população.
Não será uma apologia ao consumo de bebida alcoólica, ainda mais em uma cidade universitária?

Confiram a legislação federal, e tirem suas conclusões.

O Ministério da Saúde adverte toda propaganda que incentiva o consumo de álcool deve ser considerada proibida.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição .

§ 4º A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.

LEI Nº 9.294, DE 15 DE JULHO DE 1996.
Dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4° do art. 220 da Constituição Federal.

O  PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço  saber  que   o    Congresso  Nacional decreta e eu sanciono  a  seguinte Lei:

Art. 4° Somente será permitida a propaganda comercial de bebidas alcoólicas nas emissoras de rádio e televisão entre as vinte e uma e as seis horas.

22 setembro 2018

A aldeia e a criança

 

Provérbio africano:
"É preciso uma aldeia para educar uma criança."

Portanto, 
é preciso cuidar, e muito bem, de nossa aldeia.

08 agosto 2018

CIDADANIA

Parabéns ao 
único estudante de 
Arquitetura e Urbanismo 
que esteve na sessão da 
Câmara Municipal ontem!

03 outubro 2016

NOVA COMPOSIÇÃO DA CÂMARA

Em Viçosa-MG, assim ficou a composição da Câmara de Vereadores:

Idelmino Ronivon - Reeleito
Brenda - Eleita pela primeira vez
Sergio Construtor - Eleito pela primeira vez
Sávio José - Reeleito
Wallace - Eleito pela primeira vez 
Toti - - Eleito pela primeira vez  
Ronildo - Eleito pela primeira vez 
Antônio Elias - Reeleito
Edenilson 
Reeleito
Montanha -
Eleito pela primeira vez
Carlitos Meio Kilo - Reeleito
Helder Cheirinho - Reeleito
Raimundo Guimaraes - de volta
Joaquim Tristão - de volta
Geraldão - Reeleito
 

Por enquanto são esses os vereadores eleitos... novos nomes.. novos velhos nomes... é com essa composição que vamos lidar.
Que atuem para o bem de todos os viçosenses.

7 reeleitos, 6 nomes novos e 2 retornando, após vários anos.
14 vereadores, apenas uma vereadora? Continuamos conservadores demais neste aspecto.