Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
27 setembro 2026
Minha Pequena Cajuri
20 setembro 2026
O ALTO PREÇO DOS IMÓVEIS
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 17/09/2026
O mercado imobiliário brasileiro vive um período de valorização imobiliária acima da inflação, acumulando altas consecutivas nos últimos anos. No Brasil, em 2025, os preços residenciais subiram 6,52% (segunda maior alta em 11 anos) e, nos levantamentos recentes de 2026, a alta média nacional atinge 5,49% nos últimos 12 meses, superando o IPCA de 4,14%. Esse fenômeno pode ser chamado de “supervalorização”; contudo, não é uniforme nas nossas cidades.
Fora do eixo tradicional Rio-São Paulo, algumas cidades vêm apresentando picos de supervalorização (altas de dois dígitos) devido a fatores específicos, como a escassez territorial, em função de limitações geográficas da topografia, como é o caso da Zona da Mata mineira. A falta de terrenos para novas construções sufoca a oferta enquanto a demanda cresce, empurrando os preços para cima. Outro fator é o custo de construção, pois a alta nos preços de materiais e de mão de obra pressiona as construtoras. Em Minas Gerais, segundo o Sinduscon-MG, o Custo Unitário Básico (CUB) de edificações de até oito pavimentos, em junho de 2026, atingiu R$ 3.098,67 por metro quadrado.
Recentemente, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Vitória (ES) assumiu o posto de capital com o metro quadrado mais caro do país, superando praças tradicionalmente associadas ao alto luxo. Em Viçosa, podemos indicar três fatores que influenciam o alto preço dos imóveis, especialmente no entorno da UFV. Um deles é a população flutuante: a Universidade Federal de Viçosa atrai milhares de estudantes anualmente, mantendo alta a demanda por locação e compra de imóveis. Por exemplo, um estúdio de 14 m² é oferecido a R$ 280.000,00, e uma sala e quarto de 36 m², por R$ 394.000,00.
Outro fator é a concentração urbana: Viçosa se destaca nacionalmente (6º lugar) pela alta proporção de habitantes vivendo em apartamentos em relação ao tamanho da população. Por fim, há a expansão e a qualidade de vida: o avanço da cidade em rankings de desenvolvimento e qualidade de vida, como o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), acaba por atrair novos investimentos residenciais. O mercado imobiliário traz novas roupagens, o que significa apartamentos do tipo estúdio ou de um quarto, com menos de 30 metros quadrados, que chegam a alcançar valores de venda de R$ 12.000,00 a R$ 20.000,00 o m², valores semelhantes aos de cidades bem maiores, como Juiz de Fora, ou aos de bairros de classe média em Belo Horizonte.
Há que se considerar outros três fenômenos urbanos comuns, como a retenção especulativa, que consiste em esperar que as melhorias públicas de infraestrutura (como transporte, asfalto e segurança) valorizem o patrimônio para posterior revenda ou incorporação, capturando um lucro massivo sem aplicar nenhuma melhoria direta.
Outro fenômeno é a regulação urbanística restritiva, na qual a lei de zoneamento limita o potencial construtivo de determinadas áreas centrais, mesmo que generosas, e cria uma escassez artificial de espaço urbano útil, onde há grande infraestrutura instalada. Adicionalmente, mais recentemente há a influência das plataformas de temporada, como o Airbnb, em que a oferta de locações de curtíssimo prazo ocupa imóveis que antes serviam ao mercado de locação residencial tradicional de longo prazo.
As consequências práticas disso provocam o aumento artificial dos preços, elevando o custo de venda e locação de forma não natural. Surge uma contradição diante do déficit habitacional, com situações paradoxais em que o número de imóveis residenciais desocupados ou ociosos supera numericamente o tamanho do déficit habitacional local. Por fim, há a expansão da malha urbana, com o consequente aumento do custo público: ao pular os “vazios urbanos” deixados pela especulação, a cidade cresce de forma espalhada. Isso exige investimentos estatais ineficientes para levar transporte, saneamento e energia a distâncias cada vez maiores.
19 setembro 2026
Seminário - VI Cidades, Territórios e Direitos: um sucesso
13 setembro 2026
MONTES CLAROS: MERCADO MUNICIPAL
10 setembro 2026
MESTRADO E DOUTORADO EM ARQUITETURA E URBANISMO - SELEÇÃO 2027
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Departamento de Arquitetura e Urbanismo
Universidade Federal de Viçosa
Processo Seletivo 2027-1
Informamos que o Edital do Processo Seletivo 2027-1 encontra-se publicado!
Data de publicação: 03/09/2026 às 14h
Período de inscrição: Das 08h do dia 09/09/2026 às 17h do dia 15/10/2026
Data limite para o pagamento das inscrições: 16/10/2026
Inscrições pelo GPS/UFV = https://gps.ufv.br/gps-web/editais/1633/
Para mais informações, gentileza acessar a página https://ppgau.ufv.br/processos-seletivos/
https://ppgau.ufv.br/informativo/edital-publicado-processo-seletivo-2027-1/
06 setembro 2026
SOCIEDADE DA PRESSA
Já são conhecidos alguns termos ligados aos nossos tempos recentes e à velocidade em que imprimimos aos nossos cotidianos. Basta olhar nas ruas das cidades a pressa dos motociclistas, a pressa dos que precisam atravessar as ruas e a pressa com que queremos novidades e reações às nossas postagens nas redes sociais. Entre os termos utilizados, estão “doença da pressa” ou “síndrome da pressa”, expressões associadas a um estado de permanente urgência, causado principalmente pelo ritmo frenético ao qual estamos todos submetidos. O aumento excessivo da ansiedade é um dos principais fatores associados a esse fenômeno.
A urbanização acelera o ritmo de vida e gera a chamada sociedade da pressa. Temos pressa de sair de casa, de almoçar, de realizar as tarefas, de voltar para casa e de comer sem contato social com as pessoas de carne e osso, para continuarmos conectados às redes; ansiosos para ver as novidades: vídeos, fofocas, reels, memes ou fake news. Com isso, vivemos cansados, ansiosos, sem convívio social, de olho na grama do vizinho. Sequer conhecemos os vizinhos. Temos milhares de contatos virtuais e, paradoxalmente, temos dificuldade para estabelecer relações sociais.
Nas lojas, demoramos para ser atendidos e, quando somos atendidos, tudo é feito com pressa para que os vendedores voltem para suas telinhas. Corremos para entrar nas longas filas dos supermercados. Corremos para enfrentar um trânsito parado; para ficar parados aguardando o sinal verde; esperamos por muito tempo os ônibus atrasados e, depois, enfrentamos a disputa por cadeiras vazias.
A pressa produz ansiedade coletiva. Não temos apenas pressa para fazer; temos pressa para ser. Pressa para conquistar, para enriquecer, para aparecer, para mudar de emprego, para viajar pelo mundo, para alcançar o sucesso. A sociedade da pressa pressiona os jovens a procurar, muitas vezes em vão, atalhos para serem economicamente bem-sucedidos na vida, além de estimulá-los a comprar veículos mais velozes e celulares com internet ultrarrápida. Não querem ter patrão, mas são submissos à enorme cobrança por produtividade em um contexto de precarização do trabalho, como, por exemplo, nos serviços de entrega rápida, que potencializam os acidentes por causa da danada da pressa. Há pressa para sair dos hospitais e dos prontos-socorros, mas muitas pessoas acabam permanecendo semanas internados ou até mesmo ficando permanentemente inválidos.
O planejamento urbano priorizou o automóvel e a rapidez e ignorou os sinais da necessidade de melhorar as condições e as dimensões das vias, bem como de implementar um transporte coletivo de qualidade e fluido. Sucumbiu às pressões do setor imobiliário e dos agentes ávidos por verticalizar exageradamente as cidades em áreas valorizadas e por rapidamente expandir os limites urbanos.
Não há tempo para reivindicar melhorias das nossas cidades nem para planejar a médio e longo prazos. Governos são pressionados a apresentar resultados imediatos. Prefeitos têm de gastar, muitas vezes mal, rapidamente e de maneira inconsequente, os recursos das emendas parlamentares. Pressa por lucros, pressa de viver, pressa de chegar e de sair. A sociedade da pressa nos cobra velocidade; entretanto, nos entrega cansaço e doenças. Promete conexão, mas produz isolamento. Promete liberdade, mas nos mantém permanentemente ocupados.
REDE MIKRIPOLI















