Segundo o IBGE, os dados de 2023 apontavam que Viçosa tinha uma frota de 54.182 veículos. Eram 24.647 automóveis, 856 caminhões, 5.353 caminhonetes e camionetas, 188 microônibus, 20.542 motocicletas e motonetas e 289 ônibus. Há, portanto, mais de 170 mil pneus circulando em Viçosa, o que significa mais pneus do que pés. Isso sem contar os muitos veículos emplacados em outras cidades.
As ruas centrais são praticamente as mesmas de 40 ou 50 anos atrás. Muitas delas são centenárias. Ao mesmo tempo, é nessa porção da cidade que se multiplicam os novos edifícios de apartamentos e salas comerciais. Ao longo dos anos, edifícios unifamiliares foram sendo substituídos por enormes torres, várias delas acima da capacidade de suporte da infraestrutura viária. Em ruas estreitas, além dessas torres, há escolas antigas e supermercados que foram criados e ampliados. Tudo isso significa mais trânsito, mais congestionamentos e maior demanda por vagas de estacionamento. Em diversos momentos do dia, especialmente nos horários de pico, coincidentes com a entrada e a saída do trabalho e das escolas, formam-se engarrafamentos. Essa realidade não é diferente em outras cidades, como Ubá, Manhuaçu, Muriaé e Ponte Nova, para citar apenas algumas vizinhas.
No centro e na avenida Castelo Branco, em vários momentos do dia leva-se de 15 a 20 minutos para percorrer um quilômetro. Isso significa que a velocidade dos veículos chega a apenas 3 ou 4 km/h, inferior à de uma carroça e até mesmo à do passo humano. Daí a alternativa da multiplicação do número de motocicletas, conduzidas tanto por motociclistas educados e prudentes quanto por motoqueiros apressados, submetidos, em seu dia a dia, às exigências do trabalho precarizado. Consequentemente há o aumento dos acidentes de trânsito. Por exemplo, segundo noticiou este mesmo jornal, entre 2022 e 2023, o Samu atendeu a 491 ocorrências de acidentes, das quais 242 envolveram motocicletas, o que corresponde a 49,2% do total. É provável que esse número tenha aumentado, acompanhando o crescimento dos serviços de entrega rápida. Outras fontes indicam que 70% das vítimas de acidentes de trânsito atendidas no Hospital São Sebastião eram motociclistas.
Não é mais possível alargar as vias arteriais existentes (Joaquim Lopes de Faria, Jacob Lopes de Castro, Antônio Lelis, Gumercindo Iglesias e Misael Lustosa), como se previa e se reivindicava há mais de 25 anos. O Plano de Mobilidade prevê algumas soluções macro, que não são baratas nem podem ser implementadas em curto prazo, como a implantação das alças de um futuro anel viário, com o objetivo de retirar da cidade o tráfego de passagem, especialmente o de veículos pesados.
Soluções? Há mais de uma medida capaz de amenizar os problemas, mas não há milagres. Pode-se incentivar alternativas como o trabalho remoto, a fim de reduzir o volume de deslocamentos. Também é necessário melhorar as condições de acessibilidade das calçadas, favorecendo os deslocamentos a pé. É possível implantar ciclovias, principalmente no leito da linha férrea, acompanhadas de ações que garantam mais segurança aos usuários desse meio de transporte. Outras medidas incluem a implantação do estacionamento rotativo; a intensificação da fiscalização das infrações, como os corriqueiros avanços do sinal vermelho; a manutenção de programas de educação para o trânsito; e a melhoria substancial do transporte coletivo, atualmente lento, pouco pontual e marcado, em alguns casos, pelo comportamento inadequado de motoristas.
Por fim, é necessário rever a legislação urbanística, restringindo a construção de grandes torres em áreas cuja infraestrutura não comporte o adensamento previsto e estimular a formação de novas centralidades na área urbana. Assim, será possível distribuir melhor as atividades e os serviços pela cidade, reduzir a necessidade de deslocamentos e contribuir para uma mobilidade urbana mais eficiente e segura.



