Dados socioeconômicos e físico-territoriais são ferramentas importantes para o planejamento em todos os níveis de governo. O Brasil precisava de uma nova medida para avaliar e quantificar o que realmente importa para as pessoas, além do contexto econômico, pois o desenvolvimento econômico não representa, necessariamente, desenvolvimento social.
Diferentemente dos índices do PIB (Produto Interno Bruto) e do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o IPS utiliza dezenas de indicadores exclusivamente sociais e ambientais. O Índice de Progresso Social Brasil, desenvolvido por meio da metodologia do Social Progress Imperative (organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos), foi criado para atender a essa necessidade. Desde 2024, ele tem sido uma ferramenta de gestão territorial baseada em dezenas de dados públicos, capaz de identificar e apresentar, em uma mesma escala, se as pessoas dispõem do que precisam para prosperar, desde necessidades básicas, como abrigo, alimentação e segurança, até o acesso à informação e à comunicação. Outro aspecto avaliado é se os brasileiros são tratados igualmente, independentemente de gênero, raça ou orientação.
O IPS Brasil é o índice mais completo da realidade socioambiental dos 5.570 municípios do país. Segundo os organizadores do SPI, o índice “proporciona um panorama multidimensional e acessível sobre a performance de municípios e estados em atender às necessidades básicas de seus cidadãos”. O IPS é composto por 57 indicadores secundários provenientes de fontes públicas, exclusivamente sociais e ambientais, que medem resultados, e não investimentos. Esses indicadores foram organizados em um índice geral, com nota de 0 a 100, além de índices para três dimensões (Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades) e doze componentes, entre eles: Água e Saneamento, Moradia, Segurança Pessoal, Acesso ao Conhecimento Básico, Saúde e Bem-Estar, Qualidade do Meio Ambiente, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior.
A maior nota do mundo é a da Noruega, que alcança 91,73 pontos. A nota do Brasil é 72,74, inferior às de Chile (79,50), Uruguai (79,33) e Argentina (75,93), ocupando a 55ª posição no ranking entre 170 países. No Brasil, a maior nota ficou com Gavião Peixoto (SP), que alcançou 73,10 pontos. Considerando que a nota máxima é 100, mesmo o município mais bem posicionado indica que ainda há muito a ser melhorado.
Em Minas Gerais, Nova Lima aparece com nota 71,22, enquanto Belo Horizonte alcançou 69,66. Viçosa aparece em 21º lugar no estado, com nota 67,99. Entre os indicadores parciais, o município obteve 69,08 em Qualidade do Meio Ambiente (em comparação com Belo Horizonte, que registrou 65,32) e 46,87 em Inclusão Social, valor que precisa ser significativamente melhorado, embora ainda seja superior ao de Muriaé e ao de Juiz de Fora (43,50 e 38,35, respectivamente). Outro dado preocupante é o índice de perda de água na distribuição, de 38,16%, valor elevado quando comparado, por exemplo, aos 27,8% registrados em Alfenas, que também é alto. Por outro lado, Viçosa se destaca no indicador de acesso à educação superior, com nota 75,14, a maior de Minas Gerais.
É possível conferir a situação de cada município por meio do portal do IPS Brasil, onde estão disponíveis os dados de Viçosa. A análise evidencia que a área mais crítica do município é a inclusão social. Outra área sensível é a segurança, que merece maior atenção dos governantes. Essas bases de dados são importantes para subsidiar a formulação de políticas públicas, fundamentais para a promoção da sustentabilidade social.

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