terça-feira, 7 de setembro de 2010

Repúdio ao jornal Folha da Mata


Os trambolhos não são a Casa Verde nem o Balaústre (Foto Ítalo Stephan, 2010)

Queremos manifestar nosso repúdio com a forma vulgar, mal educada e desrespeitosa pela qual nós, professores da Universidade Federal de Viçosa, especialmente os professores do Departamento de Arquitetura e Urbanismo temos sido tratados. Nós, que temos a coragem de manifestar publica e criticamente a respeito da forma com que o patrimônio histórico local tem sido destruído, temos sido atacados como inimigos da cidade.Na semana passada, sobre a posição de alguns membros do Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Cultural de Viçosa, a respeito da inadequada proposta de criar uma rampa de acesso que liga o pátio da estação à av. Bueno Brandão, a partir de uma intervenção desnecessária e injustificada em um bem municipal tombado, um vereador de Viçosa, médico disse:"uns cabeças de bagres que vem da Universidade e que temos que tolerar". É uma pena termos esse tipo de comentário, de quem quer que seja, pior ainda de uma pessoa que deveria ter educação, que poderia provocar um diálogo em bom nível e que tem nas mãos a vida de muitos pacientes.

Na edição de número 165 do jornal Folha da Mata, em três matérias surgem expressões como a repetição do termo ""cabeça de bagre" dedicado aos professores do curso de Arquitetura e Urbanismo. No editorial usa-se o termo "alguém que gosta de tomar clister na nádega dos outros", referindo-se a alguns de nós. No mesmo termo contesta a validade do tombamento dos bens feito ao longo de 14 anos de existência do conselho, chama o Balaústre de "trambolho" e por fim, desmerece os estudos de viabilidade feito por técnicos da UFV, para a implantação de um veículo Leve sobre trilhos aproveitando a linha férrea.

A edição do jornal procurou em vários momentos desmerecer a atuação de um conselho que traz recursos para a cidade exatamente pelo cuidado dedicado ao patrimônio cultural tombado. Desmerece e achincalha com as nossas competências e com a credibilidade da Universidade, que é desnecessário dizer que prima pela sua excelência. Estamos certos que essas não são as formas civilizadas de lidar com as diferenças de opiniões e não gostaríamos que esses tristes episódios se repetissem e que o jornal continue a manifestar de forma ética e decente suas opiniões, mesmo que contrárias, pois isso sim é democrático.

6 comentários:

  1. Stephan! Conheço-os e os admiro. Pelo trabalho acadêmico competente. Pela contribuição dada ao Plano Diretor. Por todas as manifestações em defesa de uma Viçosa melhor. Lamento as expressões infelizes do vereador e do editor da Folha de Viçosa. Acima porém desses juízos "sem juízos", paira a conceito que vocês têm perante a comunidade ufeviana e viçosense. Parabéns pela luta. Abração, Dionísio.

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  2. Caro Ítalo.
    Esse é o preço que se paga pela inovação, pelo compromisso com o bem-estar e os interesses públicos e não com a especulação imobiliária que já sufoca nossa cidade. Parabéns a você e aos demais arquitetos (do DAU e fora dele) preocupados com os problemas da cidade.
    Nacif - Departamento de Direito

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  3. Numa cidade pequena como Viçosa, parabens aos professores do DAU por manifestarem a opinião corajosa.

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  4. Parabéns Italo,
    Sugiro que poste no site da UFV ou no Jornal da Instituição.

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  5. Natália de C Matta8 de setembro de 2010 18:00

    Ítalo,
    Fui aluna do DAU e sei o quanto os professores são engajados em causas que são extremamente importante. Não é um jornal que irá desmerecer a credibilidade de profissionais tão gabaritados como vocês, muito menos uma instituição da qual tenho muito orgulho de tem passado por ela.É preciso falar, quem sabe assim a população toma para sí essa causa.Parabens pela coragem.

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  6. Sou estudante de História da UFV e tenho acompanhado toda a trajetória da infeliz tentativa de intervenção desnecessária no balaústre. Creio que apenas estudos técnicos podem avaliar de forma eficiente esta situação, bem como será provada a inviabilidade de tal ação de destombamento. O jornal folha da mata é ridículo.

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