Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 8 de janeiro de 2026
Chegamos ao fim de 2025. Um ano, como vários outros, pleno de fatos para refletir e lamentar. Guerras intermináveis, como as em Gaza, na Etiópia e na Ucrânia, no Sudão e no Iêmen; insurgências do Boko Haram e islâmicas no Magrebe... Vivemos um xadrez político internacional nas mídias, com muitas fake news no cotidiano e uma polarização em crescimento, tendo em vista 2026. A extrema direita avança em muitos países, com apagamento das lições da História. A soberania dos países tem sido ameaçada pelas potências, vide o que aconteceu no Irá e agora na Venezuela.
O meio ambiente, mais uma vez como preocupação, continua ignorada pelas grandes potências. Mais um ano em que se bate recordes em extremos de temperaturas, em número de tufões, ciclones, furacões, tempestades, enchentes e secas prolongadas. Cada ano será o ano mais frio dos próximos cinquenta. Prejuízos enormes em vidas e em posses materiais são contabilizados em gráfico ascendente. 2025 foi o anos da primeira vez que a média de temperatura s ultrapassou o limite estabelecido no Acordo de Paris de 2015, que visa limitar o aquecimento a no máximo 1,5 graus Celsius. Tudo indica que o limite continuará a subir.
O planeta Terra vem sinalizando, pedindo socorro, já há algumas décadas, aos humanos e os seus governantes, que negam ou empurram para 2030, que já está logo ali, ou para anos futuros, postergando ações necessárias conhecidas que já estão defasadas. Representantes de países se encontram, discutem, mas chegam a pequenos acordos; geram indicadores para adaptação futuros, sem abrir mão das inexauríveis exigências capitalistas. Deixam para que nossos filhos e netos resolvam. Saem desses encontros sem compromissos com a redução do uso dos combustíveis fosseis. Criam metas sem ambição, abaixo do da urgência científica. Isso tudo configura um quadro de insustentabilidade. As diferenças sociais se ampliam.
O ser humano influencia a natureza desde o estabelecimento em sociedades. Sabemos, há muito que, para desenvolver o caminho da sustentabilidade, são necessárias grandes mudanças na forma de pensar e em como usar os recursos naturais. Muitos de nós temos consciência que os recursos naturais não são ilimitados e que eles estão se esgotando, e tudo isso vem acontecendo, devido a ação irresponsável dos seres humanos. Há muito conhecemos os “R” s - reciclar, reutilizar, reduzir, repensar, reintegrar, restaurar... Praticamos vários deles, mas isso é insuficiente. Podemos e devemos nos habituar a ações sustentáveis individualmente ou em pequenos grupos, mas as grandes reformas estão nas mãos da dúzia de poderosos que manda no planeta.
As cidades, maiores invenções humanas, são os ambientes de maior risco, pois concentram pessoas. Inundações, deslizamentos, incêndios e destruições de imóveis apagam cada vez mais vidas e custam cada vez mais caro. Qualquer que seja o porte das cidades, os desafios para planejadores, gestores e construtores serão como se adaptar a esses extremos. Em contrapartida, absurdamente, na contramão, a legislação ambiental fica cada vez mais fragilizada pela voracidade ignorante do capital, que constrói cada vez mais próximo dos cursos d’água, impermeabiliza as cidades, invade encostas e desmata ao se estender sem fim em direção às áreas rurais.
Os recursos que chegam são politiqueiros. Os governos municipais estão quase totalmentel dependentes de obscuras emendas parlamentares, nem sempre prioritárias para a população. Essas não chegam para saneamento - uma vergonha nacional -, para melhorias de escolas e postos de saúde, para pagar melhor professores, para regularização fundiária ou para a estruturação de um planejamento territorial adequado. Nosso destino é incerto. O antropoceno e o capitaloceno, marcas dos tempos atuais, podem não durar tanto quanto os poderosos querem. Poderemos ser felizes em 2026... 2029... 2038... 2040...!?
Foto: https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2021/04/04/o-que-sao-as-mudancas-climaticas.ghtml
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