sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Cidade doente




Como arquiteto e urbanista, sou uma espécie de “médico da cidade” e digo que Viçosa está muito doente, pois possui tumores crescendo e espalhados por todo o seu corpo;  sofre de anemia, cardiopatia, má circulação, subnutrição, verminoses, infestação por carrapatos, desidratação, pneumonia, amnésia, desorientação, estresse, fraturas etc. Viçosa está a ponto de sofrer "falência renal",  “infarto”, "AVC" e "septicemia". Portanto, o município carece urgentemente de “médicos”, “remédios”, “cirurgias”, “vacinas” e um longo “tratamento de saúde”, para não ficar o resto da vida num "CTI", ou "inválido" e "tetraplégico".

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Na contramão dos trilhos

O Brasil na contramão dos trilhos. O país corre risco de entrar em colapso na próxima década.

Entrevista com o Urbanista Carlos Leite acerca de mobilidade urbana e o retorno dos trens urbanos e regionais.

Circular no trânsito e andar nas médias e grandes cidades serão, em breve, tarefas quase impossíveis. A situação caótica, já anunciada, só tem se aprofundado em função da opção preferencial pelo modal rodoviário. O império do pneu não pode mais adiar a decisão em favor do transporte de pessoas e carga sobre trilhos — opção estratégica já adotada pela maioria dos países, principalmente aqueles com melhores índices de desenvolvimento. O que era uma projeção de especialistas passou a ser exigência popular por um sistema de transporte público com um mínimo de eficácia. Sem a opção ferroviária, o resultado é a perda da qualidade de vida nas cidades e de competitividade da nossa economia.

O urbanista brasileiro Carlos Leite é cético ao analisar o Brasil. “Ainda não temos cidades inteligentes no país. Não se trata da falta de dinheiro, mas bons planos raramente saem do papel por falta de gestão eficiente.” A malha ferroviária brasileira, que já se aproximou dos 40 mil quilômetros, em vez de avançar, encolheu. Hoje resta menos da metade, em condições econômicas de uso. O investimento em trilhos nos últimos dez anos nunca ultrapassou míseros 0,3% do PIB nacional, enquanto nos EUA atinge 4% do PIB. O modal ferroviário patina nos 20% da matriz de transportes, absurdo para um país de dimensões continentais como o nosso. A tendência seguiu em direção contrária à necessidade nacional e ao padrão mundial.

Na Rússia, os trilhos representam 81% do transporte de carga e pessoas. No Canadá, EUA, China, Austrália e Europa, aproximam-se dos 50%. O país precisa priorizar os trilhos para melhoria urgente da mobilidade urbana e regional, assim como para desatar o nó do gargalo logístico do escoamento da produção se quisermos ter algum futuro.

E o que dizer das rodovias esburacadas e das filas de caminhões a cada ano de boa safra agrícola, pela absoluta falta de malha ferroviária razoável para escoar a produção. Perdemos competitividade no mercado internacional. O preço do frete no país é dos mais caros do mundo. O outro drama é aquele vivido por quem mora nas grandes cidades e sente na pele o inferno da (i)mobilidade. Gastam-se, em média, três horas no deslocamento diário para o trabalho ou para a escola.

O economista Marcos Cintra (FGV), estima que só o município de São Paulo perca 40 bilhões a cada ano com os engarrafamentos, em função do tempo de trabalho jogado fora e do aumento no consumo de combustível, sem falar nas perdas com acidentes e saúde pública. Os sistemas de Trânsito de Ônibus Rápido, os BRTs, moda em algumas cidades, ajudam, mas são soluções paliativas. “Os políticos preferem o BRT porque fica pronto no mesmo mandato. Uma faixa de ônibus separada numa pista que já existe não aumenta a capacidade de tráfego. Melhora, mas a infraestrutura continua a mesma”, diz Peter Wanke, especialista em transportes da UFRJ.

As soluções são efêmeras porque, na maioria das vezes, não se pensa em projetos estruturantes de Estado, mas em ações de Governo limitadas a uma gestão temporal de quatro anos e motivadas pelo calendário político-eleitoral. Nenhuma mobilidade é comparável à alta capacidade de transporte do metrô — 90 mil passageiros por hora – ou trens urbanos ou semiurbanos de superfície. O VLT — Veículo Leve sobre Trilhos, largamente utilizado na Europa, Ásia e América, pode transportar 40 mil pessoas por hora. Em tese, são 20 mil veículos ou 600 ônibus a menos circulando nas ruas. A vida útil do metrô ou do VLT é de 30 anos. Um BRT ou ônibus convencional dura apenas cinco anos.

As vantagens ambientais do trem são incomparáveis — elétricos, não emitem gases de efeito estufa. O veículo automotivo, ao contrario, é o grande vilão do Aquecimento Global em função da queima de combustível fóssil. Como pode o Brasil, segundo maior produtor e exportador de minério de ferro — matéria-prima do trilho — do mundo, não ter instalado em seu território, há mais de 15 anos, uma fábrica de trilhos para enfrentar graves problemas de logística e mobilidade que impactam negativamente no crescimento econômico e na qualidade de vida dos brasileiros?

O trem da esperança precisa partir. Resta chegar à estação dos que querem realmente desenvolvimento justo e acessível para muitos. Se a cidade parar, que seja por cidadania e busca de dias melhores; nunca, pelo congestionamento do seu presente e futuro.

http://www.cliptvnews.com.br/mma/amplia.php?id_noticia=63428

terça-feira, 29 de julho de 2014

CARTA ABERTA ÀS LIDERANÇAS DE VIÇOSA


A AMEVIÇOSA está muito preocupada com os rumos da política em nossa cidade. A instituição não vê com bons olhos a judicialização do processo político, uma vez que isso, em função da incompetência/inoperância do atual grupo gestor, está travando a máquina pública administrativa.

Mas o que significa a judicialização do processo político? A Judicialização na política significa o deslocamento do pólo de decisão de certas questões que tradicionalmente cabiam aos poderes Legislativo e Executivo para o âmbito do Judiciário. Na nossa singela opinião, é no mínimo preocupante, pois coloca em cheque a autonomia dos poderes Executivo e Legislativo (direitos esses garantidos pela Constituição Federal), que estão nas mãos do poder Judiciário, que também não tem estrutura suficiente para operar e resolver as questões. O problema é que lutamos tanto pela liberdade de expressão, democracia e eleições diretas e elegemos os nossos representantes, que tem obrigação de zelar pelos nossos interesses. Esses representantes estão no Executivo e Legislativo, certo? Portanto, cabe a eles garantir o bom funcionamento da máquina pública. Como isso não acontece, obriga o Judiciário a agir e, diante da pressão da sociedade civil organizada, como tem feito a AMEVIÇOSA, e da mídia, vem o Judiciário, que você não elegeu, e que teoricamente não lhe representa, e tenta fazer o que tem que ser feito. Infelizmente, também sem estrutura, com as mesas abarrotadas de processos, o Judiciário leva anos para dar a decisão. Daí, todos nós perdemos.

POR UMA VIÇOSA CONVERGENTE, IDEALISTA E PROGRESSISTA! NÃO QUEREMOS A JUDICIALIZAÇÃO!

Estamos realmente preocupados e, por isso, a AMEVIÇOSA está tentando conversar com todas as lideranças e forças políticas viçosenses para que haja uma negociação entre elas e coloquem Viçosa em primeiro lugar. Pressionado, o grupo do Dr. Celito  reconhece que não tem condições de gerenciar o município, mas diz que vão “cair atirando” e “que não entregam a Prefeitura para outro grupo de maneira alguma”. Acontece que, se não fizerem isso, Viçosa vai morrer.

A AMEVIÇOSA entende que Dr. Celito deve conversar sobre isso, pois, do contrário, com a Judicialização, não conseguirá dar um só passo. São dezenas de processos contra a administração Celito e, provavelmente, se ele não passar o “bastão”, esse número só aumentará. Sobram, então, os grupos Ângelo Chequer e Cristina Fontes, que estão com disposição para ajudar a cidade.

É possível fazer um pacto, uma boa composição, por amor à VIÇOSA? Achamos que sim e estamos trabalhando com muito empenho nisso. Já procuramos diversas lideranças e verificamos que isso pode acontecer. O que a AMEVIÇOSA não aceita, em hipótese nenhuma, é que o dinheiro público seja usado para essas composições. Não aceitamos corrupção, em qualquer nível.

Portanto, pedimos a todas as lideranças, sejam elas políticas ou não, que abram seus corações para que todos possam sentar-se à mesa para uma rodada de conversas. A Judicialização vai travar a máquina administrativa e não chegaremos a lugar algum. Precisamos retornar ao processo político, com o Legislativo e o Executivo participando, em consonância com os desejos da população de Viçosa.

Pedimos ao Dr. Celito que participe das conversas e, POR AMOR À VIÇOSA, reconheça que este é o momento de passar para outro o comando da Prefeitura. Viçosa deve estar acima do orgulho e da vaidade de um Prefeito e de seu secretariado.

Pedimos aos grupos do Ângelo Chequer e da Cristina Fontes que montem uma equipe técnica de trabalho e, POR AMOR À VIÇOSA, deixem de lado as paixões e as vaidades, e governem juntos a nossa cidade. Precisamos agora é da união de todos. Queremos voltar a sonhar.

É muito importante alertarmos que a AMEVIÇOSA não aceita a presença de políticos de última hora em nossa cidade. Estamos vendo as articulações de alguns grupos e vereadores para que alguns nomes de candidatos desconhecidos sejam lançados e, assim, sem compromisso com Viçosa e região, mais uma vez, depois de colhidos os votos, nos abandonam como sórdidos oportunistas. Não estamos satisfeitos com esses grupos que estão, por interesses próprios ou interesses partidários, dividindo a política da nossa região. Eles querem se manter no poder e prejudicam uma cidade inteira. Cada grupo está apresentando um candidato cujo nome é totalmente desconhecido. Isso é um ultraje!

A AMEVIÇOSA NÃO APÓIA NENHUM CANDIDATO, mas deseja que Viçosa escolha representantes que sejam fichas limpas, que tenham raízes e sejam comprometidos com a nossa terra, que lutem contra a corrupção e que nos defendam dos exploradores políticos e corruptos. Queremos ter representantes nas esferas estadual e federal que sejam fortes e que, finalmente, tragam recursos e desenvolvimento para a região.

Aproximam-se as eleições de outubro, mas ainda há tempo para que, nesse curto período que as antecede, as nossas lideranças façam esse acordo e salvem a nossa cidade. Caso contrário, seus nomes ficarão registrados e sempre serão lembrados como os políticos que conseguiram destruir uma cidade universitária.

Amantes de Viçosa, ainda há tempo!

Porque somos um grupo que se importa...
AMEVIÇOSA - ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DE VIÇOSA

Ficção


Inspiradora arte de Paulo José Tavares publicada em capa da revista "O Lince", de 1973, quando Juiz de Fora tinha uns 200 mil habitantes.

Fonte: Maria do Resguardo

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Qualquerlândia: Cidade do início do séc. XXI

Uma cidade do início do século XXI. Uma Qualquerlândia. Desenho, nanquim sobre papel. Ítalo Stephan, 2014.

domingo, 27 de julho de 2014

Stela Matutina

Colégio Stela Matutina e Capela - duas joias de Juiz de Fora

Demolição do Colégio em 1978. A capela ainda durou mais uns anos. Os artistas, escritores, políticos e admiradores tentaram repetir o sucesso do movimento "Mascarenhas meu amor", sem sucesso. Ambas foram demolidas e deram lugar a prédios sem nenhum valor arquitetônico. Duas das maiores perdas do patrimônio de  Juiz de Fora.

Fotos obtidas no blog "Maria do Resgurado"

sábado, 26 de julho de 2014

Desenho

Área rural na Nova Scotia, Canadá. Nanquim s/ papel vegetal, 1995. Ítalo Stephan

Mobilidade possível

Mobilidade em Viçosa: um sonho possível. Ciclovia, passeios, VLT.

Desenho

Uma rua de Santa Tereza, RJ. Desenho feito durante uma aula de desenho artístico enquanto estudadnte de arquitetura na UFRJ, lápis s/papel, 1977.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Não às guerras!

Um desenho meu de 1979. Um palestino e um judeu mortos abraçados. Em tempos em que os conflitos nos mostram tanta dor, o desenho ajuda a questionar tamanha estupidez. Nanquim e lápis de cor.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pós-doutorado na UFV

UFV - Abertas inscrições para bolsa de Pós-doutorado em Arquitetura e Urbanismo

22/07/2014
Estão abertas, até 5 de setembro, as inscrições para a seleção de um candidato a pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFV (PPGAU). A bolsa será financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a partir do Programa Nacional de Pós-Doutoramento (PNPD).
Os interessados devem se inscrever das 8h às 12h e das 14h às 17h30, na Secretaria do PPGAU-UFV, apresentando os seguintes documentos:
- Cópia autenticada do diploma de Doutorado, ou declaração que possuirá o título no momento da implementação da bolsa;
- Cópia de RG e CPF;
- Currículo comprovado com produção científica dos últimos cinco anos (para artigos e livros, apresentar cópia da primeira página da publicação);
- Plano de trabalho da proposta, incluindo cronograma;
- Projeto ou pré-projeto de pesquisa relacionado às linhas de pesquisa do PPGAU-UFV; e
- Carta de anuência de um coordenador que pertença ao quadro de docentes permanentes do PPGAU-UFV, que será o supervisor durante o estágio pós-doutoral.

Mais informações sobre o processo de seleção podem ser obtidas no edital anexado e pelo telefone (31) 3899-3530.

https://www2.dti.ufv.br/ccs_noticias/scripts/exibeNoticia2.php?&codNot=21473

terça-feira, 22 de julho de 2014

Farra sem fronteiras?

Me pego questionando o programa Ciências sem Fronteiras. É uma oportunidade fantástica para os estudantes. Mas vejo alguns aspectos duvidosos como os critérios frouxos para seleção, pois quase todos que tentaram conseguiram a bolsa. Só na UFV são mais de 500 estudantes no programa! Nem há exigência de saber a língua. O estudante vai aprender lá, indo meses antes de começar os estudos.
Os estudantes vão sem obrigação de prestar contas. Partem sem sequer concluir o semestre, criando problemas na conclusão das disciplinas, e isso é resolvido em cada disciplina, sem uma posição da instituição.
O custo per capita, para um país pobre, chega a ser altíssimo, enquanto há tanto a ser feito por aqui.
O Programa precisa de uma reflexão sobre seus objetivos e de mudanças para ficar realmente válido e frutífero.

Comentários:
Paulo Tadeu Leite Arantes Esta é mais uma daquelas ideias incríveis que, de tempos em tempos, nossas ilustres autoridades têm, mas, pessimamente gerida o que está transformando o CSF (Ciência sem Fronteiras) num TSF (Turismo sem Fronteiras). São 3 bilhões gastos anualmente que poderiam agregar muito mais a nossa ciência do que tem agregado. Este artigo dá a dimensão exata do que estou falando: 

 http://ultimosegundo.ig.com.br/.../ao-custo-de-r-3-bi...

Não às guerras


Uma pintura de Beatriz Aurora

Desenho

Paisagem rural, Nova Scotia, Canadá. Nanquim, 1994. Ítalo Stephan