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06 junho 2024

NÃO PASSE MAL EM VIÇOSA!

Texto publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 07 de junho de 2024


Este texto é um desabafo de um cidadão indignado. O péssimo atendimento dos hospitais em Viçosa é uma vergonha, é uma doença crônica, parece incurável. Vivenciamos uma situação criminosa, pois coloca toda uma população microrregional em risco de graves consequências, podendo levar à morte. Nada disso é exagero. É uma situação de calamidade pública que se arrasta há anos e não há sinais de mudanças. Viver em Viçosa é muito perigoso. Qualquer um de nós pode morrer por problemas de atendimento médico precaríssimo que enfrentamos há décadas.  A população, não só de Viçosa, mas das cidades vizinhas, fica à mercê da situação abominável, corre riscos, sofre. Isso é de indignar qualquer um, exigir providências sérias e de responsabilizar os causadores dessa situação. Só há notícias ruins sobre os hospitais, que, se somados, não valem por um. Eis apenas algumas notícias recentes sobre os hospitais de Viçosa.

“Hospital São João Batista é alvo de nova operação contra desvio de dinheiro público em Viçosa” (g1 Zona da Mata, 04/04/2023).  

“Pronto Atendimento do HSS ficará fechado neste final de semana - O hospital enviou um ofício à Secretaria Municipal de Saúde comunicando a situação, no qual afirmou que foi "absolutamente impossível conseguir médicos plantonistas para atender neste final de semana" (Folha da Mata, 01/09/2023).

“Novos desvios de dinheiro público são investigados no Hospital São João Batista, em Viçosa” (G1 Zona da Mata, 21/09/2023).

“Hospital em MG é investigado por suspeita de desvio de dinheiro público” (Estado de Minas, 21/09/2023).

“Ex-funcionária é denunciada por desviar verba de hospital em Viçosa” (Tribuna de Minas, 07/12/2023). 

“Conselho de Saúde de Viçosa pede intervenção nos hospitais da cidade - Ofício neste sentido foi encaminhado ao Ministério Público” (Site de Marcelo Lopes em 22/04/2024).

Quais são os responsáveis? O Ministério da Saúde formula políticas nacionais de saúde, mas não realiza as ações. Para a realização dos projetos, depende de seus parceiros (estados, municípios, ONGs, fundações, empresas etc.). Os Estados possuem secretarias específicas para a gestão de saúde; o gestor estadual deve aplicar recursos próprios, inclusive nos municípios, e os repassados pela União. Os municípios são responsáveis pela execução das ações e serviços de saúde no âmbito do seu território. O gestor municipal deve aplicar recursos próprios, os repassados pela União e pelo estado. A Lei Orgânica de Viçosa deixa claro que compete ao Município garantir atendimento integral à saúde, criando condições para o pleno exercício da profissão e satisfação das necessidades da população.

Não culpamos os médicos, enfermeiros, auxiliares e funcionários, pois todos sabemos da falta de pagamento, da insegurança, da falta de condições de trabalho. Esses fazem o que podem.  Culpam-se alguns dos administradores de incompetência e irresponsabilidade, mas tudo parece que é muito mais que isso. Depois de 31 anos em Viçosa, posso afirmar que, quando precisei, raras vezes fui bem atendido, assim como toda gente que sofre, quase sempre calada, à espera de atendimento.  Essa situação vai continuar assim, indefinidamente? O nosso melhor hospital é o de Ponte Nova? Isso tudo é sério; é grave, muito grave. Cadê o Prefeito para tomar providências?  Se não consegue, que mostre responsabilidade buscando solução! Se não tiver tomado as devidas providências, que seja responsabilizado pelo mal que está fazendo ou deixando acontecer. O que não pode acontecer mais é deixar uma população inteira ameaçada. 

Enquanto isso, cidadãos, sobrevivam se puderem, não ousem passar mal em Viçosa!


12 maio 2023

SOCORRO!

 



SOCORRO!

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, MG, em 11 de maio de 2023.

O atendimento nos setores de emergência nos hospitais de Viçosa é um absurdo, uma vergonha! O cidadão que não ouse passar mal e precisar deles nos finais de semana. É uma situação gravíssima e crônica, que preocupa a todos, que coloca em risco a saúde e a vida de quem desafortunadamente depende dele. 

Minhas poucas experiências foram muito ruins. Recentemente, precisei levar minha esposa duas vezes nos nossos hospitais no final de semana. Num deles, ao final da noite, depois de uma hora, ela foi atendida. Ela recebeu um diagnóstico que se mostrou posteriormente errado, o que a forçou a comprar e a tomar um antibiótico caríssimo e a prolongar o sofrimento dela, sem melhoras. No dia seguinte, as dores aumentaram, eu a levei ao outro hospital. Esperamos por duas horas e quarenta minutos, ela com pulseira amarela, até desistirmos e irmos embora. Deixamos para trás uma senhora, que aguardava atendimento, essa havia chegado uma hora e meia antes de nós. Um absurdo. Nestas e em outras longas espera nos hospitais, às vezes infrutífera, somos obrigados a presenciar o sofrimento, a ver pessoas com graves ferimentos, crianças inquietas, cadáveres em macas, pessoas em estado crítico sendo carregadas e embarcadas em UTI para outras cidades, tudo isso bem na nossa frente.  Sem falar em encarar paredes sujas, portas enferrujadas, paredes com infiltrações, banheiros imundos além de aguardar sentados em cadeiras quebradas ou em gelados bancos em concreto. Nenhum cidadão merece isso. Quando cansados de esperar, ao reclamar junto aos pobres atendentes e seguranças, recebemos respostas evasivas. É o que podem fazer.

É só tocar nesse assunto que nossos conhecidos narram péssimas experiências enfrentadas. São muitas as pessoas, com condições financeiras que foram embora daqui, por causa do temor, do horror de ter que enfrentar o calvário dos hospitais em casos de emergência. Não critico os médicos, que são em número insuficiente, embora haja alguns inexperientes, para dar conta de uma demanda de emergência que abrange as cidades vizinhas. Isso facilmente ultrapassa os cem mil habitantes. Médicos e enfermeiros têm de dar conta dos pacientes internados e da emergência, o que é insano. Não critico os planos de saúde, pois não fazem nenhuma diferença quando o caso é de emergências nos finais de semana. Agradeço às pessoas que trabalham nos hospitais, que se desdobram para dar um atendimento minimamente digno, e sei que há muita gente dedicada e educada, e nem sei se recebem bem para isso. No entanto, quero ressaltar as más soluções arquitetônicas que surgem de improvisos que cruzam os fluxos inadequados, ajeitam espaços de qualquer maneira. Lamento saber das denúncias de má gestão e da escassez de recursos minguados que os hospitais recebem, recursos que parecem não chegar aonde deviam. 

Viçosa tem ótimos médicos, boas clínicas e, pessoalmente, não tenho o que reclamar, muito pelo contrário. Tive boas experiências do setor de internação em um deles, embora haja vários problemas de manutenção (instalações elétricas, sinalização, cortinas). Mas lamento muito ao continuar a ouvir, e isso já abrange os mais de trinta anos que aqui moro, que os melhores hospitais, quando a gente mais precisa, estão em Ponte Nova, Ubá e Juiz de Fora e Belo Horizonte. Isso é um vexame, uma vergonha para Viçosa. O péssimo atendimento das emergências não pode continuar. Cobro aqui providências das autoridades. O povo que aqui mora não merece isso. Os melhores atendimentos de emergência de Viçosa têm de estar aqui, em Viçosa!

Imagem: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/07/eps/1525709074_004502.html