Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
10 outubro 2021
21 abril 2021
CARTA ABERTA DOS CIENTISTAS
VIVA A CIÊNCIA!
Mais de 200 cientistas de todo o mundo, incluindo três vencedores do Prêmio Nobel, assinaram uma carta em apoio ao povo brasileiro e contra a gestão da pandemia do governo Bolsonaro.
O documento foi publicada em 7 de abril.
"Terça-feira, 6 de abril de 2021: o Brasil contabilizou 4.195 mortes ligadas à Covid-19. Ao todo, mais de 340 mil brasileiros já morreram desde o começo da pandemia. Se o coronavirus atinge todos os países do mundo, a amplitude da crise sanitária no Brasil não pode ser dissociada da gestão catastrófica do presidente Jair Bolsonaro. Ele deve ser denunciado por suas ações, que não apenas fez explodir o número de vítimas, mas acentuou a desigualdade no país.
Em várias ocasiões, o presidente da república do Brasil qualificou a Covid-19 como “uma gripezinha”, minimizando a gravidade da doença. Criticou as medidas preventivas, como o isolamento físico e a utilização de máscaras, e provocou inúmeras vezes aglomerações populares. Defendeu pessoalmente o uso da cloroquina, apesar de cientistas terem advertido sobre os efeitos tóxicos de sua utilização. Os pesquisadores que publicaram estudos científicos demonstrando que a utilização do medicamento aumentava o risco de morte de pacientes com Covid foram ameaçados no Brasil. Bolsonaro igualmente desencorajou a vacinação, chegando a sugerir, por exemplo, que as pessoas poderiam se transformar em “jacaré”. Entre o negacionismo, a proliferação de informações falsas e os ataques contra a ciência em plena crise sanitária, Bolsonaro mudou quatro vezes de ministro da Saúde.
A ciência no Brasil está sob fogo cruzado. De um lado, cortes orçamentários que golpeiam a pesquisa e ameaçam o trabalho de cientistas; de outro, a instrumentalização da ciência para fins eleitorais, como mostram as declarações do presidente. Não é possível esquecer também os ataques de Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), num contexto alarmante de altos níveis de desmatamento na Amazônia.
Negando a ciência, Bolsonaro não apenas atinge a comunidade científica, mas a sociedade brasileira em sua totalidade. Os números da devastação desde o início da pandemia só faz aumentar; de acordo com os dados da Fiocruz, quase 92 novas cepas de coronavirus foram identificadas, transformando o país numa verdadeira usina de variantes, e a estas estatísticas deve-se acrescentar os impactos sobre o meio-ambiente, sobre povos tradicionais da Amazônia e sobre o clima em todo o mundo.
Neste contexto de crise sanitária, agravamento da desigualdade e mudança climática, este tipo de comportamento é inaceitável e o presidente deve ser responsabilizado por seus atos. Estamos preocupados com o agravamento da crise no Brasil e os ataques à ciência. Nesta carta aberta, queremos manifestar nossa solidariedade com nossos colegas no Brasil, cuja liberdade está ameaçada. Manifestamos igualmente nossa solidariedade com a população brasileira, que vem sendo diariamente afetada por esta política destruidora."
VIVA A CIÊNCIA!
21 março 2021
DURANTE A PANDEMIA
Há mais de um ano fizemos nossa primeira quarentena. Acreditávamos que depois dos quinze dias tudo voltaria ao normal. Isso seria apenas um começo de outras quarentenas malfeitas. Jamais imaginaríamos passar pelo que estamos passando, pois essas coisas eram mais roteiros de filmes de ficção. Pois bem, a ficção se tornou realidade. A realidade no Brasil escancarou as desigualdades sociais e as desigualdades ideológicas. Muita coisa do cotidiano teve de ser modificada.
Escrevo este texto num momento em que nos aproximamos celeremente de ultrapassar as trezentas mil mortes, sem sequer imaginar aonde essa pandemia poderá chegar. Cheguei a escrever dois textos sobre o mundo pós-pandemia. Não ouso especular mais. Assisto à tal situação, quase anestesiado, depois de tanto estarrecimento, com o negacionismo que, sem dúvida agravou a crise sanitária e tem sido responsável por uma fração, senão a maior, do número de mortes.
Para uma parcela menor da população, foi difícil, mas houve a adaptação para o trabalho e a aprendizagem em casa, atividades que deverão influenciar a vida pós-pandemia. De fato, em casa dou aulas, oriento meus estudantes, dou palestras, participo de bancas, pago minhas contas, faço algumas compras, embora, quase todo dia fico irritado com a qualidade ruim da internet que as concessionárias nos entregam. No entanto, para a maior parte da população que precisou continuar a trabalhar, a precariedade da prestação dos serviços de transporte público ficou evidente. Ficaram mais visíveis as distâncias entre os que têm acesso à internet, o que deixou milhões de crianças sem condições de aprendizagem. Escancararam-se as diferenças entre os serviços médicos públicos e os particulares. Chegamos ao ponto em que nenhum deles dá mais conta da demanda, por mais dinheiro que alguns ainda possuem.
O governo federal se omite das responsabilidades que são dele. Quis nos empurrar medicamentos que a ciência rejeita, criou fakenews para desqualificar as medidas básicas de proteção, trabalha incansavelmente para acirrar o ódio. Age covardemente ao expor e responsabilizar os governadores e prefeitos. Ao mesmo tempo, mais que negligenciar, presta um desserviço aos brasileiros ao confundi-los, ao menosprezar o que a ciência não se cansa de divulgar. Vejo parte da população culpar os prefeitos pelo desemprego, mas a culpa é de alguns líderes políticos e religiosos que estimulam um comportamento rebelde, para o mal, para a desobediência e para a indiferença em relação à pandemia. A mídia vem divulgando festas em boates lotadas, com presença de músicos e de atletas famosos, e de jovens de classe média e alta, que chegam a negar a existência de hospitais lotados. Divulgou também um forró dentro de um vagão de trem, com dezenas de pessoas, na cidade do Rio de Janeiro; uma festa feita em um meio de transporte que usam cotidianamente, sem opção; uma festa que nem é um pedido de socorro, é uma confissão de que os presentes se entregaram unicamente às mãos de Deus, ao expor nossa miséria.
09 março 2021
08 novembro 2020
NÃO ACABOU
23 agosto 2020
CIDADES PÓS-PANDEMIA II
CIDADES PÓS-PANDEMIA II
Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 20/08/2020
A menos que a raça humana consiga surpreender, o mundo pós Covid-19 tenderá a ter muitas coisas como antes, algumas delas apenas mais visíveis. Ainda é muito cedo para dizer como será o mundo pós essa condição que assola o planeta inteiro, mesmo que o afete de formas diferentes. Qualquer afirmação pode ser refutada. Qualquer conclusão poderá ser precipitada. Embora a pandemia revele e amplie as distâncias sociais e econômicas, e que muitos estudiosos apontem a necessidade de ampliação e aperfeiçoamento das políticas públicas, não creio que isso entrará na agenda dos governantes. Ainda mais aqueles que pregam aos quatro cantos a eficácia de medicamentos rejeitados pelos estudos médicos sérios. Estados Unidos e Brasil, países gigantescos, governados por chefes de estado negacionistas da ciência lideram não coincidentemente os tristíssimos números astronômicos de mortos.
A pandemia revelou as péssimas condições do transporte público. A consequência disso será a corrida para a aquisição de veículos particulares e mais notadamente ainda a de motocicletas. O que vai acontecer? O aumento da poluição, dos engarrafamentos e de acidentes. Outra consequência da pandemia é o aumento da procura de lotes para a construção de residências unifamiliares. Os períodos de isolamento social, mesmo que fragilmente praticados, mostraram o quanto é ruim morar em apartamentos. Quem tem recursos partiu para solucionar esse problema com o sonho de construir uma casa com quintal e varanda. O que acontece com esse fenômeno? O aumento de oferta de apartamentos pequenos e o rápido encarecimento do preço da terra. Confirme isso com os corretores de imóveis.
Além do amplo uso das máscaras e do álcool in gel, é provável que algumas coisas sejam acrescentadas no cotidiano, como as modificações em restaurantes a quilo, que não serão mais self service. Ganha força o tele trabalho feito em casa, o que vai diminuir a necessidade de deslocamentos nas cidades. Além da expansão dos serviços de motoboys e motoristas de aplicativos (uma forma de emprego sem nenhuma garantia), cresceram muito as demandas por serviços de arquitetura de interiores, gesseiros, marceneiros, pintores e pedreiros, para fazer adaptações de espaços de trabalho, de estudos e de lazer.
Quem não tem, ou quem vai perder o acesso a essas melhorias, terá as condições de vida iguais ou piores que antes da pandemia. A menos que muitas coisas mudem. Não são visíveis os sinais disso. São louváveis as ricas experiências de comunidades que conseguiram se organizar e manter os efeitos da pandemia sob controle. São também dignos de menção os ótimos resultados de controle da pandemia que algumas cidades conseguiram, o que é o caso de Viçosa. Com a proximidade das eleições, é provável que aumente o número de promessas politiqueiras e, em proporções bem mais modestas, reais melhorias futuras. As condições econômicas pioradas serão o maior argumento e, provavelmente também, a causa. Serão postergadas as prioridades como saneamento básico, melhorias nas condições de mobilidade e de programas de habitação social mais dignas.
A distância social, agravada pela insuficiência de políticas sociais e pelo o desaparecimento de empregos, poderá nos levar a um país ainda mais corrupto, impune, sob controle do deep fake, um país com mais pobres, um país mais inseguro, informal, uberizado e sem esperança de melhorias. Sair da pandemia, melhor do que éramos, será uma utopia, mas devemos nos nutrir dessa para seguir adiante.
25 julho 2020
CIDADES PÓS-PANDEMIA
Como esta pandemia indica à ciência, as cidades precisarão oferecer condições de higiene e de saúde muito melhores do que as que temos. Isso deverá ser a base da construção e da requalificação de um novo ambiente urbano. É o que dizem o jurista José Castro e a bioquímica Ana Isabel Silva, ambos portugueses. De forma a contribuir com mais um ponto de vista, a arquitetura e o urbanismo vão ter de incorporar o desafio de contribuir para esse cuidado. Embora ainda seja muito cedo para tirar lições definitivas, algumas tendências parecem que vieram para ficar.
A pandemia que enfrentamos nos mostra que é necessário que o urbanismo, como intervenção no território, deixe de estar amarrado ao negócio imobiliário e se relacione, cada vez, com maior intensidade, com a saúde pública. Isso envolve vontade política verdadeira e muito investimento em saneamento básico e em melhores condições de moradia para uma grande maioria da população que mora mal. Conforme adiantou a publicação “Urban green spaces and health - a review of evidence”, da Organização Mundial da Saúde, (já em 2016), teremos de limitar a expansão urbana como tem sido praticada; aperfeiçoar modos de transporte não-poluentes e acrescentar mais áreas verdes nas cidades. Uma das formas é limitar a expansão urbana para reduzir deslocamentos por meio do automóvel. Aqui se incluem os carros particulares e as demandas consequentes da circulação de carros da polícia, dos caminhões de lixo e do transporte escolar. É necessário melhorar o transporte coletivo em quantidade e em qualidade.
Travar a expansão urbana significa também ocupar os inúmeros vazios urbanos, com a aplicação corajosa dos instrumentos urbanísticos previstos na Constituição e no Estatuto da Cidade, como o IPTU Progressivo no Tempo, a Outorga Onerosa e as parcerias público-privadas. Será necessária a requalificação das áreas urbanas periféricas, no sentido de dotá-las de equipamentos disponíveis, próximos aos seus habitantes, como escolas, creches, postos de atendimento à saúde, postos de trabalho, espaços culturais e espaços de lazer.
As moradias precisam ficar mais saudáveis, com ambientes mais ventilados, para evitar a proliferação de vírus e de bactérias; com a previsão de espaços que facilitem a higienização e as atividades físicas. O espaço para o tele trabalho e para estudos precisam ser integrados ao programa de necessidades de uma habitação; o que é fácil de resolver quando há recursos disponíveis. Quando esses são escassos (o que ocorre com a maior parte da população), será, mais necessário do que nunca, voltar atenção de vez para os programas de engenharia e arquitetura públicas (ATHIS), no sentido de requalificar as moradias, tanto no processo de torná-las mais saudáveis e seguras, quanto no de regularizá-las. Os programas de habitação de interesse social precisarão ser completamente revistos, tanto quanto os critérios de localização, os de concepção urbanística, quanto os de soluções arquitetônicas individualizadas e perfeitamente adequadas aos seus moradores.
Nada do que foi escrito aqui vai ser fácil ser feito. Depois de passada esta epidemia, corre-se o risco desses problemas serem esquecidos. No entanto, se o rumo puder ser diferente, aos governantes será necessário assumir responsabilidade como nunca. Aos arquitetos e urbanistas caberão papéis mais efetivos no planejamento e na gestão do território do município. O que se vislumbra é tirar lições do azedíssimo limão dessa pandemia dolorosa e ainda sem controle, para começar a mudar as condições oferecidas por nossas cidades a todos os seus moradores.
13 julho 2020
LIVE
Nossas conversas ocorrem às 20h, abertas e podem ser acessadas pelo Link:
Jitsi > https://meet.jit.si/UrbanismoDAUUFPR
E pelo Youtube:
LAHURB-UFPR > https://www.youtube.com/channel/UCNgezokKqBE-FXohxqiDg0A
24 junho 2020
ESTUDANTES DA UFV AJUDAM NO COMBATE AO COVID
Participação do DAU/UFV:
Trecho da matéria:
"o projeto passou por fases como a criação de um protótipo em papelão, a modelagem computacional dos itens e a impressão 3D da válvula. De acordo com o mestrando do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo na UFV André Costa, as placas de acrílico são cortadas a laser, sendo possível produzir uma cápsula por hora, enquanto que as válvulas são impressas durante dez horas. "Durante a graduação, eu havia feito iniciação científica nessa área de prototipagem, o que me ajudou bastante agora", comenta o arquiteto."
Matéria:
https://www2.dti.ufv.br/noticias/scripts/exibeNoticiaMulti.php?codNot=32687&link=corpo&fbclid=IwAR3S_h4Aswy4C0QrfNk8Wu4-ttkTykScsED8k5CuNBxHmCEf2C6473DOIV8








