17 maio 2014

Quem planeja aqui?

Em Viçosa, quem planeja são os donos das terras e os advogados. Arquitetos e urbanistas não conseguem interferir. A especulação imobiliária torna impossível o planejamento urbano. Construtores esburacam as terras, aterram nascentes e várzeas, despejam terra em vales. A administração só assiste e parece aplaudir e os "padrinhos" disso tudo multiplicam seus patrimônios.

Corte e aterro no Novo Silvestre. Foto Ítalo Stephan, 2014

Em Viçosa, surgem terrenos de uma hora para outra. Há bota-foras nas entradas da cidade e em locais afastados. Nova Viçosa, terras ao lado da usina de reciclagem, Palmital, Paraíso, Canela, Posses, Novo Silvestre, Violeira, Estação velha, Romão dos Reis,  Deserto são alguns desses locais.
Bota-fora nas proximidades do bairro Nova Viçosa. Foto Ítalo Stephan, 2014

São todas intervenções com consequências ambientais graves. Advogados fazem as regularizações e escrevem leis de ampliação do perímetro urbano. Os critérios nunca são técnicos, são politiqueiros e jurídicos.
Estão destruindo Viçosa e as possibilidades de que ela seja minimamente sustentável.
Uma vergonha, são crimes ambientais e só poucos ganham.


15 maio 2014

INACESSIBILIDADE URBANA


Texto  publicado  no jornal Tribuna Livre, Viçosa, 13 maio 2014

Ver: https://www.youtube.com/watch?v=bddjYyF0zhM
Sou um dos professores de projeto arquitetônico do terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFV. Uma das principais atividades que fazemos com os alunos é um exercício prático em acessibilidade urbana – que é o de conhecer na pele as dificuldades de uma pessoa com necessidade. Não é preciso ser expert no assunto para afirmarmos que esse problema em Viçosa é grave. Já é serio nas áreas centrais, mas a situação é caótica em quase toda a cidade. São visíveis os problemas que se referem às péssimas qualidades das calçadas e vias, da inviabilidade de se utilizarem espaços públicos e de uso público. Mas sentir na pele os problemas, ao menos por uns instantes é um exercício que um futuro arquiteto e urbanista precisa fazer para aprender.
Lembro que um aluno nosso comentou que esteve em uma cidade de Santa Catarina e que nunca tinha visto tantos cadeirantes. O que ele também percebeu foi que é porque a cidade tinha boas condições de acessibilidade. Em Viçosa, vemos pouquíssimas pessoas cadeirantes, não é porque aqui há poucos, mas sim porque aqui é quase impossível sua circulação.
A vivência em acessibilidade, dependendo de cada atividade, exige que os estudantes coloquem pesos nas pernas, vendas nos olhos, imobilizem as pernas e andem de cadeiras de rodas. Eles têm de fazer percursos diferentes dentro do campus e na cidade, com a intenção de viver as dificuldades. A tarefa mais difícil para eles é andar de ônibus com cadeira de roda. Não podem ser carregados por ninguém. Em Viçosa, nas treze viagens realizadas, aconteceu de tudo. Em geral, os motoristas e cobradores foram gentis e sabiam utilizar o elevador de cadeiras do ônibus. Houve alguns casos em que a chave acionadora do elevador não estava no veículo e outros em que ninguém sabia operar o mecanismo.
De cada trajeto constava a exigência de entrar em espaços público (ruas, praças, prédios da prefeitura e da câmara) de uso público (bancos, hotéis, supermercados e escolas), entretanto são poucos os que oferecem as condições mínimas. Com isso, foram verificados inúmeros problemas nas ruas. As calçadas inclinadas no sentido transversal e longitudinal, dois sentidos, a inexistência de piso podotátil. O calçamento em pedras portuguesas não é mais recomendado, pois faz as cadeiras de rodas trepidarem muito e não é adequado para o uso de idosos. Os semáforos não dão tempo suficiente para idosos e cadeirantes atravessarem as ruas. Há problemas sérios em prédios que são utilizados por pessoas com deficiência, como o da Previdência Social, cujo acesso é em rampa muito inclinada terminando em degrau. As lojas são inacessíveis por causa dos degraus. Algumas delas colocaram chegaram a colocar rampas móveis, mas muito inclinadas, portanto, inúteis.
A vivência é um exercício fundamental para a formação do arquiteto e urbanista. É uma experiência que os estudantes adoram fazer. Treze grupos gravaram os roteiros apontando as principais dificuldades e estes estão disponíveis na Internet. Devem-se salientar os muitos momentos de solidariedade dos moradores de Viçosa, que ajudavam a empurrar a cadeira ou como passageiros dos coletivos demonstrando paciência com o cadeirante. Como projetistas do espaço, os nossos estudantes estão sendo treinados a fazer uma arquitetura acessível, pois é prerrogativa de todos os cidadãos, é obrigação dos construtores edificar com acessibilidade e é obrigação do poder público cobrar e fiscalizar para garantir esse direito universal. Fica evidente a urgência de melhorar as condições de acessibilidade em Viçosa. Os problemas são inúmeros, muitos de difícil solução, mas do jeito que está não pode continuar.

13 maio 2014

Bicicletada em Viçosa

Hoje, 13 de maio de 2014, um movimento pacífico pediu ciclovias para Viçosa e a retirada do processo dos ciclistas e de um membro do Ameviçosa.

A manifestação  parou na porta da Câmara Municipal. 

Dentro do plenário da Câmara, em silêncio, os manifestantes mostraram seus cartazes; 

15 anos depois - II

Av. P. H. Rolfs. Antes, o restaurante Lanches Lu.

No mesmo lugar, um estacionamento, depois da tentativa fracassada de construir uma grande loja de eletrodomésticos.

12 maio 2014

São Pedro do Suaçui, MG - patrimônio histórico

A cidade tem alguns exemplares de arquitetura colonial ou imperial.

Não são muitos os exemplares de prédios históricos bem preservados em São Pedro do Suaçui,MG.

Há uma casa de pau-a-pique abandonada e escondida por um out door na entrada da cidade. O proprietário não se interessa pela sua conservação.

Há casas  abandonadas e um fundo da igreja de São Pedro ameaçado pelo provável recalque do frágil solo.

11 maio 2014

Viçosa, MG - Alcântara fechado

O lindo predinho eclético conhecido como "Alcântara" está semiabandonado. Está em risco de rápida deterioração. Merece destino melhor. É um marco histórico que deve ser conservado.
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São Pedro do Suaçui - problemas ambientais

Em 2014, em São Pedro do Suaçui, MG, ainda se iniciam obras às margens dos cursos d´água.

Edificação recentemente colocada em uso, como comércio, literalmente em cima do córrego.

Prédio com poucos anos construído em cima do córrego. O piso em concreto marca o curso d´água. Ao fundo uma igreja centenária interditada pela estrutura comprometida.

Ameaça constante de desabamentos. Falta de obras de drenagem e de proteção das encostas coloca em risco a população.

Bairros que crescem morro acima tem acessibilidade reduzida e drenagem sempre como problema.
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10 maio 2014

São Pedro do Suaçuí, MG

São Pedro do Suaçui é uma cidade altamente suscetível à desastres naturais. Próxima a um rio largo, cortada por córregos e com topografia acidentada e solo frágil.

O Rio Suaçuí, envolvendo quase toda a pequenina cidade de São Pedro do Suaçui, com população de cerca de 5600 habitantes.

Linda paisagem, mas com um rio poluído, margens invadidas - um grande potencial turístico desperdiçado.
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Reunião do Território do Alto Suaçuí Grande

Técnicos da TASG e representantes de 5 dos 7 municípios

Em São Pedro do Suaçuí foi realizada em 08 de maio uma reunião dos membros do Território do Alto Suaçuí Grande - TASG, com professores da UFV. O principal objetivo foi sensibilizar os representantes dos 7 municípios do TASG a respeito da importância do planejamento urbano. O assunto foi Planejamento Urbano em pequenas cidades: um grande desafio. Espera-se o desdobramento da reunião visando a instalação de um processo de planejamento urbano e principalmente um planejamento integrado entre os municípios.
Técnicos da TASG e representantes de 5 dos 7 municípios estiveram presentes: São Pedro do Suaçuí, São Sebastião do Maranhão, Água Boa, Santa Maria do Suaçuí e José Raydan. Ausentes: São José do Jacuri e Frei Lagonegro. O importante será promover ações que envolvam os sete municípios, o que seria uma iniciativa pioneira.
Um grande desafio!

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08 maio 2014

Minha casa minha vida em Viçosa

Conjunto de casas populares nas Coelhas, em Viçosa, MG.

Os moradores erguem seus muros e modificam a paisagem. 

As ruas vão se tornando áridos espaços. 

Crescem os problemas sociais enquanto a CIDADE (postos de trabalho, oficinas, comércio, escola, creche, posto de saúde, transporte coletivo abundante) não chega até os moradores. 
MCMV - um equívoco absurdo.

07 maio 2014

Parcelamentos irregulares em Viçosa

Em uma volta pelas franjas urbanas de Viçosa é fácil verificar a expansão de vento em polpa com a construção de vários parcelamentos de terra. Os indícios de irregularidades são claros. Não não se vê nenhuma placa de responsável técnico. Será que realizaram os devidos estudos de impacto ambiental? Será que têm projetos aprovados no IPLAM? Cadê a fiscalização? CREA? CAU? CODEMA? INCRA?
Isto é insustentável.
"Novo Romão dos Reis" - encostas recortadas

"Novo Romão dos Reis" em área urbana- trator trabalhando, encostas recortadas, vias íngremes demais.

 Na localidade conhecida como "Canela". Movimento de terra em área de várzea. Tubulões em concreto para canalizar algum curso de água.

Canela, Viçosa - área rural - Tratores trabalhando 

Canela: lotes de 3.500 metros quadrados à venda por R$180.000,00. Loteadores apostando numa urbanização futura.

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06 maio 2014

A verdadeira história da urbanização


A verdadeira história da urbanização mundial. Uma história estarrecedora. Um livro que não dá vontade de parar de ler.
Autor: Mike Davis
Editora: Boitempo

Veja a resenha
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/06.063/3116

05 maio 2014

As maiores favelas do mundo

As maiores favelas do mundo


Neza - Cidade do México

Num planeta com mais de um bilhão de favelados, as vinte maiores favelas do mundo (em milhões de moradores):

1. Neza/Chalco/Izta (Cidade do México)  - 4,0 milhões
2. Libertador (Caracas)                           - 2,2 milhões
3. El Sur/Ciudad Bolivar (Bogotá)           - 2,0 milhões
4. San Juan de Lurigancho (Lima)           - 1,5 milhões
5. Cono Sur (Lima)                                   - 1,5 milhões
6. Ajeguinie (Lagos - Nigéria)                 - 1,5 milhões 
7. Cidade Sadr (Bagdá - Iraque)              - 1,5 milhões
8. Soweto (Gauteng)                                - 1,5 milhões
9. Gaza (Palestina)                                   - 1,3 milhões
10. Orangi (Karachi, Paquistão)             - 1,2 milhões
11.  Cape Flats (Cidade do Cabo)           - 1,2 milhões
12. Pikine (Dacar)                                   - 1,2 milhões
13. Imbaba (Cairo)                                   - 1,0 milhão
14. Ezbet El-Haggana (Cairo)                  - 1,0 milhão
15. Cazenga (Luanda)                              - 0,8 milhão
16. Dharavi (Mumbai)                              - 0,8 milhão
17. Kibera (Nairóbi)                                 - 0,8 milhão
18. El Alto (La Paz)                                  - 0,8 milhão
19. Cidade dos Mortos (Cairo)                - 0,8 milhão
20. Sucre (Caracas)                                 - 0,6 milhão

Cono Sur, Lima, Perú


Pikine, Dakar


Em 2005, segundo Mike Davis em Planeta Favela.
   

04 maio 2014

15 anos depois

Viçosa, MG, Rua dos Estudantes, 1999.

Rua dos Estudantes, 2014. Sem o planejamento adequado, resultou numa via ainda sem solução, uma linha férrea aterrada, centenas de apartamentos construídos em uma via congestionada, estreita e de difícil acesso. Um ribeirão invadido pela especulação imobiliária.Um cânion de concreto, sem graça, sem verde, ultra-valorizado.

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