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22 setembro 2024

MEREÇA NOSSO VOTO

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, em 19/09/2024

Em época pré-eleitoral, os candidatos a prefeito percorrem a cidade em caravanas e festas. Escrevo aqui no gênero masculino, pois, infelizmente, não temos candidatas. Os candidatos são mais simpáticos do que nunca e cheios de promessas. Para quem cabe o papel de escolher quem ficará, pelo menos, quatro anos na principal cadeira do município, há uma mistura de dúvidas. Uma boa parte, leal a alguns candidatos e ideologias, já decidiu e não mudará seu voto, não importa quais argumentos ouvirão. A escolha de um candidato não pode ser simples, míope, ou baseada apenas em qualquer qualidade ou defeito do candidato. É mais séria do que muitos pensam. Não basta gostar do candidato A, B ou C; não basta saber que ele é uma pessoa boa, humilde, caridosa, do povo, bonitinho, simples, carismático ou de boa família. Para votar corretamente, é preciso agir como um cidadão esclarecido; pensar no bem do município; avaliar a capacidade do pleiteante de lidar com a complexidade da gestão.

O prefeito, autoridade máxima do Poder Executivo do município, tem o dever de cumprir as atribuições previstas na Constituição Federal de 1988, definindo onde serão aplicados os recursos provenientes de impostos e demais verbas repassadas pelo estado e pela União. São muitas as atribuições de um prefeito. Elas estão na Lei Orgânica Municipal e no Plano Diretor. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, cabe a ele atender à comunidade, ouvindo suas reivindicações e anseios; desenvolver as funções sociais da cidade e garantir o bem-estar dos seus habitantes; proteger o patrimônio histórico-cultural do município; garantir o transporte público e a organização do trânsito; zelar pelo meio ambiente, pela limpeza da cidade e pelo saneamento básico; promover o desenvolvimento urbano e o ordenamento territorial. Por mais boa vontade que tenha, um prefeito não governa sozinho. Outras atribuições são desempenhadas em parceria com os governos estadual e federal, como a gestão da área da saúde, por exemplo. Na área de saneamento básico, as prefeituras atuam em parceria com os estados. Na área da educação, a obrigação do município é cuidar das creches e do ensino fundamental. O prefeito precisa, independentemente da instrução que tenha, escolher os secretários sob critérios de melhor capacidade para lidar com cada pasta. Sabemos que há muitas pessoas competentes em cada área que abrange a gestão municipal.

Foram citadas algumas das atribuições do prefeito, mas, além disso, este deve apresentar uma visão de futuro para os próximos anos e para daqui a dez, vinte anos. O alcaide precisará elaborar projetos e buscar recursos que garantam sua execução; para isso, tem que contar com pessoas dedicadas a essa função em sua equipe. Abro um parêntese aqui, pois é sabido que sobra dinheiro do governo federal simplesmente por falta de projetos. Quem chegar à Prefeitura precisará entender que estamos em um período de enormes dificuldades nos hospitais, ainda sem tratamento de esgoto e sem aterro sanitário. Passamos a conviver com uma drástica mudança climática, com o acirramento de secas e tempestades severas. Além disso, por mais competente que seja sua equipe, o prefeito não pode deixar de estimular a participação da população, nem deixar de aplicar a legislação municipal, como os planos setoriais, as leis urbanísticas e ambientais. Pergunte ao seu candidato como ele pretende lidar com essas questões. Uma resposta satisfatória de um candidato poderá, enfim, se tornar o motivo de seu voto.


23 junho 2024

MAIS UMA CHANCE

    


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa, em 20/06/2024

Há muitas diferenças entre as cidades que gostaríamos que existissem e as que aí estão à nossa volta. Não há muita coisa parecida com o que, nos anos 1950, muitos vislumbravam para as cidades. Essas seriam superpopulosas, livres de problemas sociais, com prédios altíssimos, ruas elevadas, elevadores e passarelas móveis, carros voadores, locais de diversão, muitas placas luminosas. As pessoas seriam felizes, como se mostravam inúmeras ilustrações e descrições publicadas nos jornais, revistas e nos livros de ficção científica. As cidades atuais se aproximam mais da ficção científica em que as coisas deram errado, como Soylent green, 1984, Mad Max, Blade Runner, Oblivion, Elysium e Interestelar.  

Autores atuais, como a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, e o geógrafo Marcelo Lopes de Souza, profundos conhecedores dos problemas urbanos, os quais referenciarei neste texto, apontam as nossas cidades como cheias de problemas, dentre eles, os seus ineficientes sistemas de planejamento urbano. Nossos habitats urbanos sofrem continuamente com a ampliação dos contrastes sociais, com o acirramento da injustiça e da exclusão social. Esses são aspectos muito mais graves que congestionamentos, lixo espalhado e más condições da pavimentação das ruas. Esses fatores colaboram muito com outros problemas gravíssimos como a corrupção impune e o aumento da violência, ligada ao tráfico de drogas às milícias, assim como a falta de perspectivas e de oportunidades para muitos brasileiros.  

Falar de planejamento urbano, um aliado poderoso para dar às cidades melhores condições a mais moradores, é um assunto enfraquecido.  Os conceitos de planejamento e gestão urbanos ficaram oprimidos sob a égide da ideologia do neoliberalismo.  O que se viu foi o “enfraquecimento do sistema de planejamento e da própria legitimidade do exercício de planejar”. A distância colocada entre planejamento e a gestão urbanos causou e aumentou problemas na administração das cidades e atendeu a vários interesses, menos os dos planejadores urbanos e daqueles que se mantiveram calados por omissão ou desconhecimento. Os planejadores tiveram de se contentar em ficar anos e anos produzindo os planos e ideais, enquanto o caminho neoliberal dita as regras. 

 As cidades atuais se aproximam mais da ficção científica em que as coisas deram errado,   

como Soylent green, 1984, Mad Max, Blade Runner, Oblivion, Elysium e Interestelar. 

O processo de urbanização produz dispersão e descontinuidade da malha urbana e segregação socioespacial. Produz vazios urbanos, favelas e condomínios fechados. Agridem, de forma perigosa e contínua, o meio ambiente, dentro das áreas urbanas e rurais. Hoje temos “uma ilegalidade tolerada pelo poder público, porque esta acaba sendo uma válvula de escape para um mercado fundiário altamente especulativo” e poderoso. Mesmo com uma legislação “atualizada”, a ocupação dos solos urbano e rural “obedece a uma estrutura informal de poder, que é a lei de mercado, que via de regra precede a leis e normas jurídicas”. A população, a cada vez que se organiza e se interessa pela participação, vê-se fragilizada por falta de interesse do poder público, ou porque, na maioria das vezes, é apenas consultada. Essas consultas que não passam do nível da cooptação (apenas para eliminar focos de oposições).

Mudar a cidade é uma tarefa coletiva, que deve ser apoiada e viabilizada pelo poder público e realizada com uma verdadeira participação da população. Vem aí, com as eleições para prefeito e de vereadores, mais uma chance de sair da mediocridade urbana. O planejamento urbano deve ser recuperado tendo, como fim principal, o bem-estar de toda a população. Cada um de nós tem seu papel a ser cumprido. A tarefa não se esgota na conquista de alguns poucos objetivos; é permanente e cada vez mais difícil. Apelo aqui para Paulo Freire, pois precisamos esperançar. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir!


26 outubro 2020

CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS DE VIÇOSA

 


Prezados, quem quiser adicionar seu nome, é só colocá-lo nas reações.

Se tiver algo a acrescentar,  é só escrever que eu incluo.

Depois encaminharei aos candidatos.

Obrigado!


CARTA ABERTA À SOCIEDADE E AOS CANDIDATOS E CANDIDATAS 

À PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE VIÇOSA

Às vésperas de novas eleições municipais, a presente carta aberta à sociedade e aos candidatos e candidatas à prefeitura da cidade de VIÇOSA, é fruto de um trabalho coletivo criado pela e para a sociedade civil, tendo nos arquitetos, arquitetas, urbanistas, paisagistas, engenheiros, gestores, estudantes, e pessoas interessadas na temática urbana, seus porta vozes. 

Manifesta-se aqui, a preocupação sobre o insustentável modelo de crescimento urbano que deteriora as cidades brasileiras, e o alerta para a responsabilidade dos futuros prefeitos e prefeitas perante seus cidadãos, expondo nossa visão sobre como atender aos anseios e necessidades dos cidadãos e cidadãs, promovendo e estimulando a cidades de todos e todas.

A carta, assinada pela sociedade civil não organizada, cidadãos e cidadãs que vivem, pensam e atuam sobre o território urbano, soma-se instituições que manifestam o mesmo interesse. Contamos com o apoio do Instituto de Arquitetos do Brasil Núcleo de Juiz de Fora - IAB-JF, que abrange a Zona da Mata e Vertentes, que luta pelas causas profissionais, pelas cidades e sua população. Contamos com o apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), órgão que regula a profissão do arquiteto e arquiteta e urbanista. 

A construção da carta possui o objetivo de inaugurar uma ação que tem por intenção expor a importância da contribuição dos profissionais de arquitetura e urbanismo, além de áreas correlatas e interessadas na temática, na política urbana, efetivando assim as suas responsabilidades sociais no desenvolvimento municipal em VIÇOSA, cidade que amamos e prezamos. Ressalta-se a noção de nossos direitos e deveres para uma cidade melhor, sempre cobrando o que nos é devido. 

Visto esse cenário, apresentamos o documento, ainda que aberto, passível de receber acréscimos e contribuições, reflete o acúmulo de discussões já realizadas. Ele espelha a nossa própria cidade, um organismo vivo, mutável, em constante transformação, que precisa urgentemente ser tomada como elemento a ser observado com maior tecnicidade e pragmatismo em termos estratégicos de planejamento urbano, para que os atuais residentes possam vive-la de forma plena e as futuras gerações possam usufruí-la. 

Acreditamos, entretanto, que para que isso seja possível é necessário uma política responsável com a história, com o ambiente construído e com o cidadão, que formam o conjunto do qual a cidade é composta, e não menos do que isso é o que buscamos abarcar nessa carta.

Pautamos o nosso pensamento em algumas vertentes que julgamos pertinentes à VIÇOSA e que estão se tornando cada vez mais urgentes diante do seu recente histórico, e que foram expostas em sua essência após o início da pandemia de Covid-19, mostrando uma cidade que precisa rever seu modo de crescimento, a inclusão da população mais vulnerável na dinâmica urbana e, principalmente, a transparência da tomada de decisões públicas, e a imperativa redução das desigualdades, sendo o caminho central que seus cidadãos e cidadãs almejam.

Diante dos direitos sociais definidos no Art. 6º da Constituição Federal, que estabelece que “são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”, são os norteadores e balizadores das propostas que nós, sociedade civil composta por arquitetos, arquitetas, urbanistas, engenheiros, gestores, entendemos ser o rumo para um futuro sustentável para VIÇOSA.

Para finalizar, entendemos que a conjuntura atual coloca para a futura gestão municipal alguns desafios muito claros que nortearam a presente carta: as pautas sobre a questão sanitária e a saúde do meio ambiente, a pauta viária e de mobilidade, a questão econômica e inclusão social, a preservação do patrimônio e gestão do seu legado, a utilização de planos e projetos pautados no conhecimento técnico e contexto local, e a transparência na tomada de decisões públicas de caráter coletivo.

Para tanto, reivindicam um compromisso dos candidatos e candidatas às próximas eleições em relação às seguintes propostas definidas para cada tema elencado pela sociedade:

1. A questão sanitária e a saúde do meio ambiente

Compreender o saneamento básico de maneira integrada a outros planos, como as políticas públicas de planejamento urbano, saúde, habitação, arborização, recursos hídricos e resíduos sólidos;

Desenvolver planos de manejo e de manutenção preventiva diante do cenário de catástrofes ou mudanças climáticas, com atenção especial às águas urbanas. É necessário propor ações para minimizar os danos ambientais e as perdas materiais e humanas, agregando qualidade na infraestrutura e na paisagem;

Priorizar e aumentar os investimentos locais para efetivação das Políticas Nacionais de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997); de Novo Marco do Saneamento Ambiental (Lei nº 14.026/2020); de Mudanças Climáticas (Lei 12.187/2009) e de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010);

Prezar pela totalidade do território atendido por saneamento básico;

Otimizar a infraestrutura urbana existente, com a aplicação de instrumentos que atuem sobre vazios urbanos, para coibir o espraiamento da malha urbana e sua consequência já sentida no município, referente a mobilidade e oferta de serviços básicos;

Atentar para a arborização urbana e sua correta poda e replantio, dando preferência para vegetação nativa, criando a regeneração do ecossistema local, para gerra amenidades térmicas e visuais na cidade;

Implementar políticas de conservação de valorização das margens do leito dos cursos d´água de forma integrada com os municípios limítrofes a bacia hidrográfica do Rio Piranga; 

Planejar as áreas rurais e suas fronteiras com as áreas urbanas, visando o desenvolvimento local, promovendo atividades econômicas e sociais em harmonia com o planejamento do município;

Coibir as constantes queimadas no município, e principalmente suas motivações, pensando numa cidade que sofre anualmente com problemas de cunho ambiental relacionado às chuvas, repensar o uso e ocupação de suas encostas e topos de morro é pauta urgente.

2. A pauta viária regional e a mobilidade na escala urbana

Priorizar o pedestre, criando condições para que as pessoas utilizem as ruas e se sintam seguras. Deve-se somar esforços para criar espaços públicos qualificados, vibrantes e atrativos, com diferentes tipologias e usos e com fachadas ativas que atraiam ao uso;

Implementar políticas de valorização do transporte ativo, a pé, através de fornecimento de meios facilitadores, atrativos e seguros de caminhabilidade;

Valorizar o transporte cicloviário, através de políticas que facilitem e estimulem o uso do modal de transporte dentro do perímetro urbano nos deslocamentos diários, visto a possibilidade topográfica para tal uso na área central da cidade e leito dos seus rios, como demonstrado em inúmeros projetos acadêmicos realizados para a cidade;  

Melhorar a rede de transporte público, incluindo maior comodidade ao usuário no que se refere às paradas de transporte público e deslocamento, através de parcerias público privadas, sendo primordial a execução do Plano de Mobilidade do município; 

Implementar modais de transportes alternativos no que se refere aos deslocamentos diários, de modo que o cidadão possa ser capaz de poder se locomover com conforto e comodidade; 

Dar atenção a questão da poluição sonora e do ar provenientes dos diversos tipos de modais de transporte baseados em queima de combustível fóssil;

Pensar sobre a pauta viária regional, pois VIÇOSA é cortada por rodovias e estradas municipais, que precisam se comunicar, ter seu uso e traçado planejado para uma otimização no deslocamento da população local. Além disso ressalta-se a importância de uma ação de conservação da malha existente, sendo fundamental pensando no acesso precário à cidade.

 

3. O futuro econômico pós Covid-19 e a inclusão social dos setores vulneráveis

Assegurar investimentos crescentes em infraestrutura urbana e em serviços públicos e sociais nas áreas mais vulneráveis, de forma a garantir a sua integração e a redução da segregação e da desigualdade urbana;

Investimento no trabalho formal, visto que segundo o IBGE (2018), 30 % da população viçosense se encontra nessa condição, refletindo o uso do espaço urbano e na segurança financeira da população;

Prevenir o espraiamento urbano como forma de inclusão social, coibindo assim o mercado exploratório de terras afastadas;

Fomentar às centralidades de bairro, entendendo os deslocamentos com alto custo temporal, ambiental e econômico, estimulando assim e economia de vizinhança, tão importante para o desenvolvimento sustentável a nível do bairro;

Apoiar ações de desenvolvimento local e iniciativas populares de economia solidária e criativa;

Integrar as políticas urbanas através do Plano Diretor para evitar a expansão não sustentável de VIÇOSA, fomentando moradia adequada, com inserção urbana que proporcione oportunidades de desenvolvimento econômico, cultural e social, opções de emprego e renda, serviços públicos e comércio.

Intensificar a regularização fundiária de forma associada à qualificação dos territórios, priorizando o direito de posse do imóvel a indivíduos de grupos minorizados (mulheres, indígenas, população negra, pessoas com deficiência, LGBT+) pertencentes e estes territórios;

Investir em segurança pública associada às políticas de desenvolvimento urbano inclusivo e participativo.

Incorporar a assistência técnica em habitação de interesse social (ATHIS) pública e gratuita para o projeto e construção, ampliação e reforma (Lei 11.888/2008) como política pública de Estado.


4. A preservação do patrimônio e a gestão do seu legado

Para garantir a eficácia das políticas públicas no campo ambiental e cultural, é necessário entender e tratar o patrimônio natural e cultural, bem como o material e imaterial como um conjunto único, vivo e dinâmico;

O conceito de paisagem cultural deve ser compreendido e incorporado na gestão pública e essa transição depende do apoio técnico de diversos profissionais, incluindo arquitetos, arquitetas e urbanistas;

Fortalecer o Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Cultural;

Implementar ações de valorização da cultura local em conjunto com a comunidade local de profissionais, empreendedores e da sociedade civil;

Incentivo à participação popular acerca dos debates pertinentes ao tema (...)

Promover políticas públicas que favoreçam a renovação de edifícios históricos significativos, de forma a respeitar e valorizar o seu papel enquanto documento de memória e, ao mesmo tempo, possibilitar sua inserção na dinâmica da cidade;

Promover a preservação da memória paisagística, urbanística e arquitetônica da cidade, sendo fundamental para reforçar a identidade e o senso de pertencimento dos cidadãos.

Pensar em planos de conservação do centro que recoloque na dinâmica da cidade, mas preservando suas características morfológicas e tipológicas. Novos edifícios e equipamentos devem ser inseridos de forma cuidadosa na malha urbana e os espaços públicos devem ser tratados com qualidade;


5. A utilização de planos e projetos pautados no conhecimento técnico e que priorizem a coletividade

Revisão urgente e importantíssima do Plano Diretor de 2000, o tornando participativo na sua construção; 

Implementar e revisitar as localidades apontadas como áreas de risco de deslizamento e inundações no município

Criar e manter canais de cooperação mútua com a Universidade Federal de Viçosa.


6. Transparência na tomada de decisões públicas

Fortalecimento e criação de novos conselhos, aplicação de modos horizontalizados de participação popular e tomadas de decisões (audiências públicas, consultas, etc);

Incremento de parcerias com os diversos setores da sociedade;

Disponibilização de dados processuais em plataformas digitais;

Disponibilização de material técnico geográfico territorial para consulta pública em meio digital;

Implementar a modalidade de concurso projetual no que se refere a obras públicas de caráter permanente ou transitório, tendo no seu quadro avaliativo, arquitetos e urbanistas; 

Disponibilizar informações com total transparência e utilizar intensamente boas práticas de comunicação social, para sua melhor compreensão e possibilidade de reflexão autônoma da comunidade;

Construção de instrumentos que possibilitem uma ampla participação popular;

Formação de uma rede de instituições públicas e privadas que possam estabelecer um canal de relacionamento sobre o desenvolvimento urbano do Município.

Espera-se que esse material possa contribuir para que os políticos contem aqui com as bases para a formulação ou aperfeiçoamento de seus programas de governo integrados à visão de um planejamento de longo prazo que expresse o compromisso com uma agenda urbana cidadã. A governança cidadã e o planejamento urbano qualificado e rigorosamente monitorado são a essência para o acesso a recursos orçamentários ou financiamentos para a implementação das diferentes ações que viabilizem o projeto de cidade que entendemos mais justa, vibrante e inclusiva, dentro da premissa de uma VIÇOSA para todos e todas.

Finalizamos a carta cobrando a leitura, entendimento e a abertura de diálogo com a população para uma cidade melhor. Visa-se cumprir as metas previstas da Agenda 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aquelas relativas ao Objetivo 11 (Tornar as Cidades e os Assentamentos Humanos Inclusivos, Seguros, Resilientes e Sustentáveis).

Assim, nos encontramos a disposição dos candidatos e candidatas à prefeitura de VIÇOSA

Assinam a carta aberta, além das entidades, os cidadãos e cidadãs:

Aline Pereira da Silva

Ana Clara de Souza Pereira

André Teixeira da Costa

Angélica Berleze

Arthur  Zanuti Franklin

Blanca Valadares

Camilla Magalhães Carneiro

Carlos Joaquim Einloft 

Carolina Margarido

Daniela Alves de Alves

Ezequiel Rezende

Gabriela Rodrigues

Gabriela Samartini Xavier de Queiróz

Ítalo Itamar Caixeiro Stephan

Janaína Matoso

Josarlete Magalhães Soares

Larissa Lima

Lina Malta Stephan

Lucas Berdague

Luciana Bosco e Silva

Luciene  Ávila

Marcel Viana Pires

Marcela Santana

Maria das Neves Fontes

Mariana Hemsdorff e Prata

Maristela Siolari

Paulo Tadeu Leite Arantes

Rafael Braga de Souza

Reginaldo José Ribeiro

Yara Mangujo


 VIÇOSA, 28 de outubro de 2020.


13 setembro 2020

ASFALTO, MEU AMOR!

 Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, 10/09/2020.

Por que os prefeitos, especialmente nos meses que antecedem as eleições, gostam tanto de asfalto? Por que as pessoas gostam tanto de asfalto? Em meio aos sinais de crise hídrica e às práticas que vão na contramão da sustentabilidade, ainda persiste entre nós a mentalidade míope de que o asfalto deve ser aplicado indiscriminadamente nas cidades. Em Qualquerlândia, o prefeito anuncia o asfaltamento em bairros populosos, às vezes com a substituição de blocos sextavados por asfalto. Nesse período eleitoral o prefeito anuncia o maior programa municipal de recuperação de vias urbanas dos últimos tempos em nossa cidade.

Os moradores, em sua maioria, adoram e cobram da prefeitura esta solução. No entanto, a prefeitura retira a solução mais adequada, por ser mais permeável, que o asfalto. O problema não é bloco de concreto. Os blocos são menos quentes que o asfalto e permitem consertos nas redes de água, esgotos e pluviais sem maiores problemas. Os blocos de concreto são mais permeáveis esteticamente bonitos. Os remendos no asfalto sempre são problemáticos, os em blocos são de fácil recomposição. A nova pavimentação com asfalto impermeabiliza ainda mais o solo, o que incide na descarga mais rápida das águas pluviais para os acanhados e sofridos córregos, além de diminuir a absorção da água até os lençóis freáticos, que alimentam nossos mananciais.

Um dos principais defeitos da pavimentação surge quando sua base é mal executada. Uma base malfeita terá o assentamento dos blocos com problemas ou um asfalto com problemas. O asfalto se deteriora mais facilmente e precisa ser retirado com frequência, em geral a cada quatro anos (mera coincidência?). Os blocos de concreto ficam intactos. Além disso, é o único tipo de pavimento que não pode ser encarado como um gasto e sim como ativo fixo, uma vez que não se deteriora com o uso. Os blocos podem ser facilmente moldados, aplicados e reaplicados.

É comum, aqui em Qualquerlândia acontecer de serem retirados os blocos existentes para aplicá-los em bairros mais humildes. Curioso isso, não? Se os blocos não servem para os bairros ricos, por que servem aos mais pobres? Por que não corrigir os defeitos e cuidar de tantas outras prioridades básicas existentes em bairros carentes de infraestrutura?  O asfalto pode ser usado sim, em alguns tipos de vias que exigem trânsito rápido, desde cercado das devidas medidas de segurança.  O asfalto traz inicialmente um conforto maior para os motoristas e passageiros dos veículos, mas favorece mais velocidade para os automóveis e exige a quase imediata construção de quebra-molas.  O asfalto traz mais calor para os moradores e leva mais fuligem para as casas. A mudança provocará mais acidentes de trânsito e mais enxurradas.  Que vantagens são essas?

É muita irresponsabilidade quando se aplica asfalto em vias que não têm um sistema de drenagem, ou quando esse é insuficiente. Isso vem sendo feito em Qualquerlândia, mesmo à revelia da lei (mais uma das que não são obedecidas). Levar os blocos para pavimentar vias nos bairros mais pobres sem implantar antes o sistema de drenagem é inaceitável. O asfalto como moeda de troca por votos é exemplo de insustentabilidade ambiental. Asfalto usado indiscriminadamente é tolice O asfalto propicia uma enganadora visibilidade política. Asfalto é desejo de eleitor e é voto, mas é uma relação política ultrapassada.