Croquis feitos para aulas de projeto: princípios para uma arquitetura institucional. Ítalo Stephan, década de 2000.
Temas de discussão: Arquitetura e Urbanismo. Planejamento Urbano. Patrimônio Histórico. Futuro das cidades. Pequenas e médias cidades. Architecture and Urban Planning. Heritage. The future of the cities.
Croquis feitos para aulas de projeto: princípios para uma arquitetura institucional. Ítalo Stephan, década de 2000.
Estamos vivendo numa época de extremos no clima. Longos períodos de estiagem são seguidos por temporais com graves consequências materiais e humanas. Depois de uma longa estiagem, as chuvas são muito bem-vindas. Só que, com elas, vêm as consequências, muitas vezes, trágicas; marcas do despreparo de alguns e ou da negligência do poder público. Entre tantos problemas, tivemos, ao final de 2021, o da praça Mário del Giúdice, com a drenagem do Córrego da Conceição, no centro da cidade.
Depois de uma chuva forte, daquelas que em épocas de estiagem aguardamos ansiosamente, aparecem vários estragos e sustos. A Defesa Civil é acionada para atender vários locais das cidades. Ocorrem os alagamentos e os deslizamentos, muitas vezes com vítimas fatais. No período chuvoso, a pavimentação de ruas é destruída, o trânsito obstruído, os prejuízos materiais são enormes. Em alguns lugares, casas são destelhadas. Nos locais mais baixos, as águas não encontram o escoamento suficiente e entram nas garagens, lojas e casas.
Há uma série de consequências da urbanização desassistida, ilegal ou negligente. Apesar de termos leis federais, como o Código Florestal, a Lei de Parcelamento do Solo, de 1979, além dos planos diretores e leis de ordenamento do uso do solo dos municípios, os construtores as ignoram. Há décadas, as cidades têm crescido descontroladamente morro acima ou em direção aos cursos de água. Para construir, barrancos são abertos, os leitos dos cursos d’água são assoreados. As construções, quase sempre clandestinas, ocupam as margens e até mesmo adentram nos leitos, suprimindo a matas ciliares. As vias têm sido erroneamente pavimentadas com materiais impermeáveis. Os moradores têm cimentado seus jardins e seus quintais. Quando chove, as águas escoam em maior volume, pois não são absorvidas pelo lençol freático e rapidamente correm em direção às partes mais baixas, onde precisam achar coletores que deveriam ser bem dimensionados e estarem desobstruídos. Construções sobre cursos d’água foram permitidas e não há o cuidado de monitorar as condições das canalizações até que alguma cratera se abre.
Devo lembrar que, em 2014, a Praça Mário del Giúdice foi interditada, com a apresentação de rachaduras nas edificações onde funcionavam um bar e um açougue. Na época, o SAAE encomendou estudos técnicos e sondagens que revelaram que não havia condições para construção. Minha opinião foi a de que a área deveria ser transformada em uma praça. No entanto, em 2017, o Instituto de Planejamento Municipal, alegando que foram atendidas todas as exigências processuais, liberou o alvará, com parecer favorável à reforma do imóvel. Neste, ao contrário da opinião de técnicos, foi permitida a construção.
Naquela parte de Viçosa, por baixo do posto de gasolina, das ruas, da praça, da balaustrada e da farmácia, passa o córrego da Conceição canalizado, que recebe toda a carga de chuvas da microbacia, e que nem sempre dá conta do escoamento, pois junto à água, vem o esgoto, vem terra, vêm sofás e bananeiras. Sabe-se que as condições do solo não são boas e as soluções provisórias. Com a interdição do final de ano e com as obras feitas, tudo parece paliativo até a próximo evento. E assim vai se levando, procrastinando teimosamente a realização de obra adequada.
Os quatro quadros que nasceram em 2021
Em breve teremos de volta a Biblioteca Municipal de Viçosa, que irá funcionar no 4º andar do prédio das antigas Prefeitura e Câmara. Um endereço central recém reformado e acessível (com elevador) à população.
Artigo publicado em 06/01/2022, no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG.
Recentemente, foi realizada uma Audiência Pública sobre o atendimento nos hospitais em Viçosa. São atendimentos tão precários que chegam a ser desumanos. Tudo bem que muitos pacientes pulam a etapa de procurar os centros de saúde, que também ficam superlotados, mas o que ocorre depois das dezoito horas e aos fins de semana é preocupante, é triste, é lamentável.
Há uns dias, no final da tarde, tropecei, caí e machuquei o tornozelo. Liguei para o consultório de um médico, mas não consegui vaga. Decidimos, eu e minha esposa procurar um hospital. Perguntei à atendente qual hospital procurar. Ela informou que qualquer um dos dois. Decidimos ir ao Hospital São Sebastião. Na recepção, fomos informados de que não havia ortopedista e que o aparelho de raios-x estava quebrado. Fomos orientados a procurar o Hospital São João Batista. Ao chegarmos lá, na recepção, disseram-nos para procurar o Hospital São Sebastião. Retruquei dizendo que lá nos mandaram para cá. A atendente reclamou que isso estava sobrecarregando o atendimento. Mandou-nos para uma sala lateral do hospital para fazer a ficha.
Na entrada da sala, já havia umas dez pessoas aguardando atendimento. Na recepção, havia uma ala lateral com bancos com cerca de umas oito pessoas, em frente outro banco com mais três. Atrás do banco uma pessoa numa cadeira de rodas, duas macas com pessoas deitadas. Em frente à recepção há um consultório e uma sala de medicação. Da recepção, podia-se ver que nessa sala havia umas camas com algumas pessoas deitadas, gente sentada recebendo medicação dos enfermeiros. Era muita gente em pé e alguns pacientes sequer usavam máscara.
Ficamos no hospital com meu tornozelo inchado e doendo, aguardamos por cerca de três horas e meia sem eu ser atendido. Desistimos, cansamos de esperar, fomos embora para casa para eu ser atendido por um ortopedista no dia seguinte, pois, privilegiado que sou, tenho um plano de saúde. Durante o tempo que ficamos ali, vi a escassez de médicos, vi o enorme, o incansável esforço dos enfermeiros que lá estavam. Vi muita gente circulando em uma área muito pequena. Vi gente mais velha que eu acompanhada por esposa, filha e filho (será que precisava tanta gente?). Soube, de uma sobrinha de um senhor com o pulso aberto aguardando há horas. Ouvi vários nomes serem chamados, sem resposta, e percebi que desistiram de esperar. Vi uma mãe com um menino de uns dois anos, a criança com conjuntivite, que aguardava há horas apenas para trocar a receita de um medicamento não encontrado nas farmácias. Lentamente, chamavam algumas pessoas com feridas expostas, para a sala de raios-X. Em frente a todos, passaram com uma maca com uma pessoa com o corpo todo coberto, saído da sala de medicação.
Não sei como teria sido se meu ferimento fosse mais grave e se não tivesse outra alternativa a não ser passar pela humilhante condição comum a todos. Participei, por apenas algumas horas, do drama da precariedade do atendimento à saúde em Viçosa, o que não é diferente de tantas outras cidades do país. Presenciamos a triste forma de como as pessoas se acostumam com o sofrimento, aglomeram–se e se acomodam pacientemente com o que a elas cabe; como toleram, sem alternativa, as indignas condições. Espero com certo ceticismo que a Audiência Pública resulte em algo concreto. O atendimento à saúde é uma longeva, até então, imortal doença crônica, uma pandemia lenta e inextinguível.
Um sonho possível. Uma política pública real e exemplar.
Um município fluminense de 165.000 habitantes que oferece ônibus com tarifa zero que atende a todos os distritos do município. Ônibus pontuais, a cada 15 minutos, sentido Itaipuaçu-Centro (checado com alguns populares). Só assim é possível ver mães, que vão ao mar pescar para comer, com filhos pequenos usando o transporte público de qualidade e gratuito.