30 julho 2025

15 julho 2025

TROCA DE SABERES NA 95ª SEMANA DO FAZENDEIRO DA UFV - VIÇOSA-MG

Na 95ª Semana do Fazendeiro, um dos pontos altos é a iniciativa organizada pelo Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia (ECOA), em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Segundo as "Notícias da UFV": "Agricultores familiares, representantes de povos e comunidades tradicionais e de movimentos sociais se uniram a estudantes, técnicos e professores da UFV para debater temas relacionados à Agroecologia, a partir de um olhar sensível para a vida, agricultura, cultura e economia". Parabéns aos organizadores e participantes. 


As tendas, muito bonitas, cujas estruturas de bambu em  forma de geodésica, foram produzidas no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV. 


Fotos ítalo Stephan, julho de 2025.

13 julho 2025

ENVELHECIMENTO ATIVO


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 10/07/2025

Em coautoria com Clarice Natali Starlino Lana

No Brasil, a população está passando por mudanças importantes. Nas primeiras décadas do século XXI, o número de pessoas idosas tem aumentado muito. Isso acontece, principalmente, porque as famílias estão tendo menos filhos e as pessoas estão vivendo por mais tempo. Como resultado, a participação das pessoas com mais de 60 anos na população brasileira está crescendo bastante. Em 2022, o Brasil tinha cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que correspondia a 15,8% da população total. Desde o ano 2000, o número de idosos praticamente dobrou, com um aumento de 111%. As previsões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que esse número pode crescer mais 104% até 2050. Com mais pessoas idosas, cresce também a necessidade de serviços especiais, tanto para cuidados de saúde quanto para lazer e convivência. Muitas pessoas nessa fase da vida convivem com problemas de saúde típicos do envelhecimento, como doenças crônicas, questões mentais, diferentes tipos de deficiências e outras condições que exigem atenção. Além disso, a falta de atividades sociais e recreativas, principalmente para quem depende de ajuda para realizar tarefas do dia a dia, pode aumentar sentimentos de solidão e isolamento. 

Para atender essas necessidades, existem diferentes tipos de serviços e locais de apoio. Entre eles estão os Centros de Convivência (centro de atividades e serviços para promoção de formas de envelhecimento ativo e saudável, além de fortalecer os vínculos sociais e prevenir o isolamento), os Centros-Dia (espaço de acolhimento e cuidado durante o dia, com atendimento multiprofissional) , as Instituições de Longa Permanência para Idosos  — ILPIs  —, que são domicílios coletivos de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar e em condições de liberdade, dignidade e cidadania. Há ainda as moradias compartilhadas.  Esses últimos modelos incluem o coliving, que mistura áreas privativas (para o descanso e a privacidade de cada um) com espaços coletivos (para convivência e lazer), e o cohousing, onde pessoas ou famílias vivem em casas ou apartamentos separados, mas compartilham áreas e recursos comuns, como cozinha, lavanderia, áreas de lazer e jardim.

Porém, nem em todas as cidades brasileiras há serviços e locais públicos voltados para a população idosa. E, quando existem, muitas vezes a estrutura desses locais não é suficiente ou adequada. Em alguns casos, as instituições ainda enxergam a velhice apenas como mera condição biológica, sem considerar a história de vida, os sentimentos e a vontade da pessoa idosa. Por causa disso, muitas pessoas acabam sendo afastadas da sociedade e tratadas como se não tivessem autonomia, escolhas ou direito de participar da vida comunitária.

Lembremos que a participação social é um direito de todas as pessoas, inclusive na velhice. Ter um papel na sociedade, seja por meio do trabalho, da participação em eventos culturais, educacionais e religiosos, em escolas, igrejas ou celebrações, ajuda a manter o sentimento de pertencimento e de utilidade social. Com espaços adequados e oportunidades de convivência, as pessoas idosas podem continuar participando ativamente da vida em comunidade e exercendo seu direito à cidade.

06 julho 2025

EDIDFÍCIO ALCÂNTARA EM PERIGO

Edifício Alcântara, Viçosa-MG. Em processo de tombamento, mas correndo perigo de realmente tombar. O Conselho de Patrimônio - Compath - notifica os proprietários e informa o Ministério Público e a obra de estabilização anda a passos de tartaruga.

Toda a estrutura de madeira e o telhado foram demolidos, as paredes tiveram o reboco totalmente removido. Não há estrutura de contenção, apesar da cobrança pelo Compath.  Perigo iminente.
Foptos Ítalo stephan, junho de 2025.

DICAS PARA ESTUDANTES DE ARQUITETURA XXIV


 

DICAS PARA ESTUDANTES DE ARQUITETURA XXIII


 

29 junho 2025

O CHARME DAS PEQUENAS CIDADES

 


Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçosa-MG, em 26 de junho de 2025.

As cidades, independentemente de seu porte, são os núcleos urbanos que sediam os municípios. Para este texto, pequenas cidades são consideradas aquelas com menos de dez mil habitantes. As dificuldades enfrentadas por esses municípios menores são amplamente conhecidas: perda ou estagnação populacional, dificuldades orçamentárias, escassez de pessoal técnico para a administração, limitações no acesso ao ensino mais avançado, atendimento hospitalar inadequado para casos mais graves, problemas ambientais, entre outros. As soluções para esses desafios também são conhecidas, embora pouco aplicadas: maior vontade política para inovar, ampliação da capacitação técnica, melhoria na motivação dos funcionários, execução de um planejamento territorial adequado, criação de mecanismos de controle do ordenamento das construções, aplicação correta dos recursos públicos, participação em consórcios intermunicipais, etc. Há muito dinheiro público desperdiçado, como aquele investido em shows de artistas de alto cachê, em vez de ser aplicado em melhorias duradouras.

No entanto, as pequenas cidades não vivem apenas de problemas. Muitas apresentam qualidades que acabam por atrair de volta seus nativos e também visitantes. Oferecem a tão desejada tranquilidade, maior convivência social, menos violência e mais ar puro. Algumas cidades bem administradas contam com uma ampla gama de equipamentos de saúde (unidade mista), assistência social (CRAS, lar de idosos, creches), cultura (auditório, biblioteca, centro cultural), lazer (praças bem cuidadas e arborizadas, parques urbanos) e esportes (quadras diversas e campos de futebol). Esse conjunto, quando bem utilizado, garante boa qualidade de vida aos moradores. Bem geridos, esses equipamentos públicos abrigam uma convivência social rica e estimulada. Já ouvi de alguns moradores que preferem o atendimento ambulatorial local ao das cidades maiores. Mais raramente, há pequenas cidades que possuem estação de tratamento de esgotos.

Há, portanto, muitos aspectos positivos nessas localidades. Algumas contam com áreas centrais charmosas e bem cuidadas, que alimentam a autoestima dos moradores e atraem turistas, especialmente quando são bem administradas. Cito aqui Treze Tílias (SC); a florida Domingos Martins, com sua natureza exuberante (ES); e, mais próximas, a simpaticíssima área central de Rio Novo (MG). Incluo ainda a bem cuidada Cajuri, ao longo da desativada linha férrea; as bem estruturadas e bem geridas Canaã e Brás Pires; e o patrimônio arquitetônico e cultural bem preservado de Itaverava. Todavia, em quase todas essas pequenas cidades, observam-se grandes áreas alagáveis devido ao desrespeito às áreas de proteção ambiental, além de periferias negligenciadas, sem acesso à infraestrutura e aos serviços que deveriam atender a todos.

É preciso, portanto, estar atento para não perder esses atrativos. O patrimônio arquitetônico tem sido bastante ameaçado, muitas vezes reduzido a mero cenário para turistas, como ocorre em Tiradentes. Em outros casos, vem sendo até mesmo destruído — e, com ele, perde-se também a identidade local, como em Piranga, Pedra do Anta e Guaraciaba. Os substitutos arquitetônicos, por sua vez, não apresentam boa qualidade funcional ou estética, fazendo com que as cidades se tornem muito parecidas entre si. Estão perdendo identidade, tornando-se mais sem graça, mais feias. O meio ambiente tem sido maltratado pelas ocupações nas margens dos cursos d’água, nas encostas e nos topos dos morros. Ainda há tempo de preservar o que há de bom, otimizar o uso da infraestrutura existente, recuperar a natureza, coibir construções e calçadas prejudiciais à coletividade, desenvolver as potencialidades locais e embelezar as pequenas cidades.


19 junho 2025

PARQUES CURITIBANOS

Jardim Botânico de Curitiba -  278 mil metros quadrados muito bem cuidados, incluindo um bosque com mata atlântica preservada. Projeto liderado pelo arquiteto Abrão Assad, 

Viveiro do Jardim Botânico, 

Ópera do Arame -projeto do arquiteto Domingos Bogestabs. Belíssima estrutura tubular e teto transparente, um dos símbolos emblemáticos de Curitiba. Inaugurada em 1992, acolhe todo tipo de espetáculo, do popular ao clássico, e tem capacidade para 1.572 espectadores.

Parque Tinguá - Lindo parque de 235 mil m², que garante a preservação da bacia norte do Rio Barigui.

Fotos Ítalo Stephan, maio de 2025 

https://turismo.curitiba.pr.gov.br/conteudo/opera-de-arame/1611

15 junho 2025

QUEM PLANEJA AS CIDADES?

Artigo publicado no jornal Folha da Mata, Viçoa(MG) em 12/06/2025

Por muito tempo, os urbanistas acreditaram que poderiam ser os verdadeiros protagonistas do planejamento urbano. Supunham que seriam capazes de estudar e apontar as melhores formas de expansão das cidades; que as leis que propusessem seriam benéficas para o desenvolvimento territorial dos municípios e para seus cidadãos. No entanto, da utopia sonhada emergiu uma realidade distante dos ideais do urbanismo. Houve alguns êxitos: impediram certas intervenções inadequadas; convenceram um ou outro prefeito a adotar medidas sensatas. Embora raros, há bons exemplos de cidades bem-sucedidas em planejamento e gestão territorial, como Curitiba, Maringá (PR), Gavião Peixoto (SP) e Joaçaba (SC). O sucesso desses municípios resultou de dedicação e responsabilidade com o planejamento urbano adequado — e, sobretudo, de continuidade, independentemente da coloração político-ideológica (esse, sim, é um dos fatores mais importantes, claramente constatável).

Os planejadores bem-intencionados elaboravam longos estudos e relatórios, realizavam reuniões e debates públicos, redigiam propostas de lei. Criavam — e ainda criam — congressos para discutir a produção do espaço urbano, a habitação de interesse social, a mobilidade urbana e o meio ambiente. Contudo, quando os planos enfim ficavam prontos, as cidades já eram outras, diferentes dos modelos imaginados. Enquanto se debruçavam sobre o que consideravam boa técnica, sustentada por teorias elaboradas, as cidades mudavam — moldadas por quem tinha pressa de morar, por quem buscava lucro, por quem dependia do voto para sobreviver politicamente. As leis previam regulamentações para depois — e esse depois não acontecia. A defasagem entre os tempos técnicos e os tempos do cotidiano e do setor financeiro afastou a teoria da prática, e a cidade do papel se distanciou da cidade de cimento. Faltou o diálogo necessário para construir pactos em prol de cidades melhores. 

Os gestores eleitos não conseguiram manter o controle necessário, e os problemas urbanos cresceram continuamente. Alguns tentaram; alguns foram mais bem-sucedidos do que outros. Com os olhos fechados — ou fazendo vista grossa — permitiram o desaparecimento de cursos d’água, o desmatamento dos topos de morro; deixou-se construir sem critérios, com prédios muito próximos uns dos outros. As construções, cada vez maiores, avançaram sobre ruas estreitas, sem pavimentação, sem drenagem. A falta de critérios, de planejamento adequado e de fiscalização favoreceu o crescimento da cidade informal rumo às áreas rurais. Como parte do “Sul Global”, nossos problemas urbanos se agravam, ao mesmo tempo que a cada dia surgem novos rótulos urbanísticos como “smart city”, “primeiro bairro planejado”, “cidade inteligente”, “território criativo”, “co-living” ou “home resort”. 

De uns anos pra cá, não se sabe onde termina a cidade e começa o campo — com muitos vazios sem função social; isso encarece, dificulta e compromete a administração urbana com justiça social. Podemos chamar de rurbana a nova forma de transformação da ocupação do solo no território municipal. Além disso, é evidente a predominância do capital privado na produção do espaço urbano, a financeirização imobiliária — com sérios impactos sobre a qualidade de vida — sobretudo pela intensificação da segregação socioespacial — e com grandes prejuízos ambientais. Além disso, estamos cada vez mais expostos aos efeitos das mudanças climáticas. Ainda é possível mudar? Avançar na direção de um novo urbano mais justo e sustentável? É possível pactuar para corrigir, amenizar e conter esse processo prejudicial ao meio ambiente e à coesão social? Teimosamente, há quem acredite no planejamento urbano socialmente justo. Eu sou um desses, tento passar adiante aos meus estudantes. E não estou sozinho. Balanço, mas não caio.