23 abril 2010

Água: vai faltar


Eis uma foto de uma região da Arábia Saudita. Os pontos verdes são pivôs centrais de irrigação, com mais ou menos 600 metros de diâmetro cada. Os pontos mais claros são pivôs abandonados porque acabou a água. É água fóssil: não tem mais, não se recarrega. Na medida em que um pivô se esgota, abre-se outro, e assim por diante. A água vai acabar.

21 abril 2010

As galerias de Juiz de Fora


Uma das características urbanas de Juiz de Fora são as galerias de comércio na área central. Embora não sejam expressivas em qualidade arquitetônica, conferem à Juiz de Fora uma identidade marcante, proporcionam um interessante conjunto de vias de pedestres que perfazem juntamente com as ruas Santa Rita, São João,Halfeld, Marechal Deodoro, Mister Moore, dentre outras, um grande shopping aberto e diverso em quantidade e porte. Esse conjunto mantém a vitalidade da área central. Algumas existem desde a década de 1920, e desde então outras foram sendo abertas, seja como novas galerias ou ultimamente com o nome de shoppings centers, pois são construídas com inspiração nessa estética. Algumas galerias foram "modernizadas"' com a construção de escadas rolantes ou esteticamente prejudicadas com reformas de projeto de qualidade duvidosa.
De qualquer modo, andar pelas galerias centrais de Juiz de Fora é uma experiência fascinante, pois permite uma convivência segura, diversificada, agradável e democrática.
Essa característica tem sido estudada por várias pessoas e há publicações importantes a seu respeito como os arquitetos Gustavo Abdalla, 2000 e Giuliano Carvalho, 2006.

19 abril 2010

14 abril 2010

Cidade sem carros: é possível

Utopia? Nem tão radical?
Qual é a melhor forma de conviver com automóveis particulares. Taxar, coibir, proibir?
Sem dúvida, as melhores soluções combinam ciclovias, calçadas generosas e um bom, barato, seguro e amplo sistema de transportes coletivos.

Vejam a reportagem sobre Vauban, a cidade alemã sem carros.

12 abril 2010

Lições esquecidas

Diante de tantas tragédias, é desnecessário dizer que todos sabem quem são os culpados, o que nao pode ser ocupado, o que o planejamento urbano condena.
Como disse a colunista Míriam Leitão, no jornal O Globo de 11 de abril: não foi a chuva que matou tanta gente. Ela apenas revelou a imprevidência dos administradores. Essa sim matou muitos. E deve continuar matando, ora no Rio, ora em Santa Catarina, ora em Minas, Bahia etc. As milhares de construções que se equilibram fragilmente nas encostas ou às margens dos rios descerão um dia "mais chuva, menos chuva, mais dia menos dia".
País afora, as leis, argumentos técnicos são ignorados por prioridades políticas, pela corrupção. Quantos pareceres encontram-se em gavetas enquanto tratores e heróicos bombeiros removem corpos dos desabamentos em áreas de proteção ambiental ou nos ex-lixões. A imprevidência dos administradores públicos parece simplesmente apostar que, com tanta gente correndo risco, só em alguns casos terão o azar das tragédias acontecerem sob suas barbas. Os que ocupam áreas condenadas contam com a ajuda dos céus, que se Deus quiser nada lhes acontecerá.
Os políticos não deixam de lançar programas habitacionais eleitoreiros, mas esquecem que dentre as casas que irão distribuir poderiam estar as para os moradores removidos de áreas de risco. A culpa não é de quem construiu em cima de um lixão ou na encosta perigosa. Eles são vítimas sem opção, sem orientação ou oferta de moradia decente em local seguro.
Para Míriam há a oportunidade de mudar as coisas: para "momentos extremos exigem escolhas radicais", pois chegamos ao abismo e podemos aprender com estas lições. Queria ser otimista como ela, mas, como técnico, não creio.
Depois de alguns meses tudo voltará a ser esquecido. As manchetes e as tragédias serão outras, talvez os governantes outros. Como aconteceu em Santa Catarina, apenas pequena fração de tanta ajuda prometida durante a comoção de um ano e meio atrás. Assim foi na mineira Miraí. Assim será na Ilha Grande, Gaspar, Morro do Céu, Cantinho do Céu, Morro dos Prazeres...
Quantas tragédias mais serão necessárias? Já passou da hora de ver e ouvir o que as chuvas mostraram.

09 abril 2010

Telhado inteligente

Interessante matéria sobre um tipo de revestimento para telhados capaz ajustar suas propriedades de acordo com a temperatura. O revestimento, feito a partir de óleo de cozinha usado, "muda automaticamente de característica, passando para a reflexão ou para a absorção do calor solar quando a temperatura exterior atinge um valor específico predeterminado, que pode ser ajustado às condições climáticas locais". Isso ajuda na temperatura interna da edificação.
Ver em:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=telhado-inteligente&id=010125100409&ebol=sim

07 abril 2010

Mal projetados

Percebe-se em vários prédios uma profusão de elementos improvisados, colocados posteriormente em suas fachadas, que alteram drasticamente suas aparências. Os projetos não têm levado em conta, como exemplo mais visível, os aparelhos externos de ar condicionado, juntamente com a tubulação acessória. Faltou na concepção arquitetônica a previsão de um componente essencial como o ar condicionado. O resultado é terrível. Basta andar pelas cidades e ver o estrago visual.

05 abril 2010

Sempre pode piorar


A multiplicação de prédios na área central da cidade é uma resposta à demanda gerada pela UFV. Mas o que tem sido feito é da pior qualidade em termos dos espaços que geram.

Disse um arquiteto que quanto mais largas são as calçadas, mais generosa é a cidade. Se formos por esse raciocínio, Viçosa está mal. Os prédios que estão sendo construídos ignoram qualquer tipo de generosidade urbana. Ocupam cada centímetro quadrado do solo.

Teremos cada vez mais ruas mal iluminadas e ventiladas naturalmente, as calçadas serão as mínimas possíveis, a visibilidade pouca, a acessibilidade comprometida pelas rampas das garagens e degraus.

As ruas estreitas ficarão ainda mais saturadas pois terão que receber o fluxo de muitos automóveis e espremer as pessoas em calçadas, que só não são mais estreitas porque pelo menos essa exigência legal permanece. Bem que já tentaram reduzi-la para 1 metro, quando acabaram com o recuo de 3 metros para novas edificações previsto no Plano Diretor de 2000.

Não há um mínimo de concessão ao espaço público. Não há gentileza nem generosidade. O lucro manda e molda uma cidade pouco humana. Não há espaço para a criatividade e bons projetos, que poderiam melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Isso poderia até reverter no interesse e reconhecimento da população. Mas parece apenas devaneio de alguns poucos que se preocupam com o bem coletivo, pois parece muito mais fácil piorar cada vez mais a cidade.

04 abril 2010

Ribeirão emparedado

Mais um prédio se ergue às margens do ribeirão São Bartolomeu. Mais um edifício se junta a um conjunto de outros, emparedando o pobre curso d'água que, parafraseando Fernando Gabeira, deu o azar de passar por dentro de Viçosa. Enclausurado, escurecido, desrespeitado, às vezes odiado pelos mosquitos que abrigará, esquecido por quem não o verá: este será o destino do São Bartolomeu, enquanto ele não reclamar seu leito natural.

Para erguer mais um bloco desse paredão, paga-se uma misera compensação em dinheiro, mais que um convite para completar a obra sinistra. Enfim, há arquitetos que se interessam em projetar estes monstrengos, há engenheiros que se mantém mais um tempo calculando ou construindo. Há os compradores, alguns deles professores universitários, que acreditam estar fazendo um bom investimento. Só os empreendedores da destruição ambiental faturam e muito alto. Essa é a (in)sustentabilidade em Viçosa.

03 abril 2010

Falta de gentileza urbana

Gentileza urbana é um pequeno ou grande gesto pela cidade. Pode ser um trompetista que, ao entardecer, espalha suaves melodias pela vizinhança; ou moradores que cultivam plantas raras e belas em um canteiro comunitário no bairro, ou um programa de pinturas em fachadas de casas de favelas.

Há cidades como Fortaleza, Governador Valadares, Ouro Preto e Betim que premiam seus moradores pelas ações em prol dos espaços públicos. Essa é uma idéia que poderia se espalhar Brasil afora.

Um exemplo contrário, ou da falta de gentileza urbana, é a forma com que as esquinas das ruas são ocupadas. Prédios ocupam esquinas com ângulos paralelos às vias. Isso atrapalha a visibilidade dos automóveis e de pedestres. Uma gentileza seria fazer chanfros nas esquinas, de forma a quebrar os ângulos, favorecendo o trânsito com maior visibilidade . Isso já foi proposta da lei de uso e ocupação do solo de Viçosa, mas abandonado. Os projetos arquitetônicos e os construtores não se dispõem a abrir mão de uns poucos metros quadrados ao nível do solo. É uma pena, pois com esquinas amplas e com visibilidade teríamos algo a mais de bom nas cidades.

30 março 2010

Novo distrito industrial?

Não é de fácil entendimento a proposta que ora corre na mídia sobre a proposta da criação de um novo distrito industrial para Viçosa. A sua concepção coincide de forma extraordinária com a estabelecida para o já em implantação Parque Tecnológico da UFV. Ou seja, não parece haver lógica a criação de um novo distrito nos mesmos moldes, uma vez que o Parque está em um adiantado processo de obras. As idéias de aproveitar o conhecimento gerado na UFV, de incentivar o surgimento de uma indústria de base tecnológica cabem exatamente no Parque em construção.

Não estará acontecendo um processo de descaso com um alto investimento próximo a ter condições de receber as indústrias de base tecnológica? Por que iniciar novamente a criação de comissão para estudar a viabilidade de algo que já está ocorrendo? Por que não juntar, finalmente, as forças e criar uma parceria forte entre o município e a UFV?

Por que não juntar esforços para melhorar uma cidade suja, esburacada, sem passeios decentes, sem nenhuma generosidade com pedestres e ciclistas? Porque não trabalhar para recuperar e preservar o patrimônio cultural que está sob sua tutela? Ou para melhorar o ensino oferecido pelo município, que ganhou inadequadamente o lema “Cidade Educadora”? Por que não vetar alguns projetos da Câmara Municipal que vão aos poucos destruindo o Plano Diretor? Por que não exigir o funcionamento do Conselho Municipal de Planejamento - Complan, desativado por interesses da elite construtora ?

Me parece que não há, ainda, um planejamento adequado e idéias concertadas entre as secretarias municipais e o Instituto de Planejamento Municipal - IPLAM e mesmo com a UFV. Há, de vez em quando alguma idéia "brilhante" lançada no ar, sem embasamento ou conexão. Viçosa merece mais que isso!

Em Viçosa cabe sim um projeto de distrito industrial para indústrias que não se encaixam nos moldes propostos para o Parque Tecnológico e repetidos na intenção dos dirigentes municipais. O que temos é um arremedo de distrito.

A proposta em dicussão carece de melhor explicação.

26 março 2010

Asunción, Paraguay


A capital paraguaia está num país com rios navegáveis, muita água e terra fértil, mas sua população é pobre e os moradores das áreas rurais clamam por uma reforma agrária.

Assunção é uma cidade que representa bem os contrastes de uma cidade latinoamericana.
Tem um centro histórico com as construções mal conservadas e muitas delas vazias. O transporte coletivo é deficiente, formado por uma frota com mais de 40 anos e os táxis são carros com mais de 30 anos, tudo caindo aos pedaços e soltando muita fumaça. Tem áreas novas com pistas de alta velocidade e shopping centers. Tem mercados populares improvisados, onde se aproveita cada centímetro e onde se vende de tudo. Tem pessoas bonitas e saudáveis, mas muito mais pessoas que sofrem pelas péssimas condições sócioeconômicas. Tem folclore rico e as mais modernas lanchonetes. Tem muitos pobres e pouquíssimos milionários.

Mas vale a pena conhecer e apreciar o surubim e o bife de chorizo e ouvir o belo música que sai da harpa india.

24 março 2010

Mobilidade acadêmica


O curso de Arquitetura e Urbanismo da UFV está se preparando para oferecer aos seus alunos o programa MARCA - Mobilidade Acadêmica Regional dos Cursos Acreditados no Mercosul. Em reunião realizada em Assunção nos dias 23 e 24 de março de 2010, os representantes dos cursos de arquitetura acreditados discutiram e acordaram entre si a alocação de vagas de mobilidade.

Os alunos poderao pleitear cursar um semestre letivo, já a partir do segundo semestre de 2010. Haverá disponibilidade de uma vaga em cada uma das escolas de arquitetura: Universidad Nacional del Nordeste (em Chaco y Corrientes), Universidad Nacional del Córdoba, Universidad Nacional del Mar del Plata, Universidad Católica de Santa Fé, todas da Argentina, e da Universidade de La República, em Montevidéu. O curso de Vicosa poderá receber também um estudante de cada uma das escolas citadas.


Outras escolas de arquitetura presentes foram a de UFSC, UFRN, UFMG, UFRS.

17 março 2010

Viçosa: Minha casa, minha vida?

Casinhas coloridas em um "pombal" longe de tudo: não é boa solução.

Foto: 3.bp.blogspot.com/.../s400/casa+pma.bmp

A minha posição é totalmente contrária ao que vai ser feito dentro do programa "Minha casa, minha vida" em Viçosa, com dezenas de casas a serem construídas numa localidade rural chamada "Coelha".

Por que não utilizamos os instrumentos legais do Estatuto da Cidade, como aplicar o a Edificação, Parcelamento e Utilização Compulsórios nos grandes terrenos vazios localizados na área central da Cidade? e criar as ZEIS - Zonas de Especial Interesse Social.

Por que não aprender com a pequenina Rio Doce, aqui pertinho da gente?

É injusto e absurdo jogar centenas de pessoas em um lugar tão longe, em casas de 37 metros quadrados em lotes de 130 metros quadrados e acima de tudo, que exige que se suba e desça um morro tão ingreme. Como um cidadão poderá usar uma bicicleta? Como será a vida de um idoso e um trabalhador que precisará pagar caríssimas tarifas de ônibus?

Estaremos criando menos autonomia, mais exclusão social, enquanto os terrenos centrais vazios chegam a preços estratosféricos, sem atender à função social da propriedade urbana.

Porque as soluções são sempre à contramão do planejamento?

Se quisermos ter algo decente a oferecer para a população de baixa renda, temos que começar por ele e por uma política habitacional.

Prefeito, vereadores, dirigentes da UFV: não creio que há o que se comemorar.

Cidades invisíveis: Otávia

Otávia. Estudo Preliminar, 2010. Grafite. Ítalo Stephan

Otávia, uma das cidades invisíveis de Ítalo Calvino. Otávia, a cidade pendurada numa teia. Moradores conscientes da importância da sustentabilidade: sabem do limites de seus atos.