13 junho 2010

As cidades e os cursos d’água

Waterfont de Halifax, Canadá

As cidades quase sempre surgiram às margens de algum curso de água, braço de mar, lago ou represa. Até poucas décadas atrás, o crescimento urbano ocorreu de forma com que as edificações dessem as costas para portos, rios, córregos. Esses serviam para escoamento dos esgotos e águas pluviais e para descarte de lixo e entulhos. Não era comum deixá-los a vista. Havia sempre sujeira, mal cheiro que era comum esconder.

No Brasil, o Código Florestal (Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934) estabeleceu que os cursos d'água tivessem faixas de proteção, áreas não edificantes ao longo dos seus leitos, com largura variável, proporcional à sua largura (30 metros para cursos com até 10 metros de largura, 50 metros para cursos de até 50 metros de largura e assim por diante). O Código considera de preservação permanente, as florestas e demais formas de vegetação natural situada nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 metros de largura.

Em 1979, a Lei Federal 6766 estabeleceu a faixa de proteção de 15 m para novos parcelamentos, mas muitas cidades já tinham enclausurado, canalizado, "entubado" vários rios e córregos nas áreas urbanas e muitas construções já haviam invadido ou até mesmo alterado seus leitos. Isso propiciou muitos problemas nos períodos chuvosos.

Este conflito entre a legislação de parcelamento do solo federal e o Código Florestal gerou muitos problemas. Um caso irregular foi o plano Diretor de Viçosa, em que os veradores reduziram os 15 metros para 10, afrontando a legislação federal.

Nos nossos dias há uma lenta inversão no modo de lidar com os cursos d'água. Aos poucos, os rios ainda não canalizados recebem tratamento adequado, permanecem em canais abertos, correndo ao longo de margens arborizadas. Esses recursos naturais passam a ser de interesse urbano e paisagístico. Em algumas cidades os planejadores urbanos reverteram a situação, com projetos de limpeza e saneamento e promoveram a construção de áreas verdes, de recreação que se transformaram em pontos turísticos, em cartões postais. Assim foram construídos os "waterfonts" e "riverfronts" como os de Baltimore, Halifax, Boston, Edinburgo, Belfast, Paris ou no famoso exemplo em Seul, em que o rio Cheonggyecheon foi desenterrado, uma via expressa que corria por sobre ele foi demolida e o local se tornou um dos principais pontos de encontro da capital coreana. Pode-se passear ao longo de um belo regato, acompanhado de jardins e praças.

No Brasil já há uma tendência de tratar os rios e incorporá-los a paisagem urbana e ao convívio com os cidadãos. Aos poucos vão sendo retirados os esgotos e a chance da natureza recuperar-se.

Há muitas cidades com construções invadindo as margens dos rios. Isso, no futuro deverá ser corrigido, impedindo-se as reformas e ampliações, resgatando aos poucos as margens aos rios.

Um dia os cursos d'água brasileiros deverão estar recuperados, exercendo seu papel de drenagem das chuvas e totalmente integrados à vida das cidades. Suas condições de abrigar a vida deverão trazer novamente peixes e animais ao longo das matas ciliares. Rios como o Sena, em Paris, o Tamisa, em Londres, já tiveram essa recuperação. Espera-se que um dia chegue a vez do Tietê, em São Paulo, do Rio das Velhas, em Belo Horizonte ou do Ribeirão São Bartolomeu, em Viçosa.

Foto: http://www.destinationhalifax.com/images/gallery/Halifax%20waterfront.jpg

03 junho 2010

Ética nota zero



O site www.soprojetos.com.br vende qualquer tipo de projeto por uns trocados.
Este tipo de serviço, assim como vários outros, se encontram facilmente na Internet.
É anti-etico para quem trabalha desta maneira, assim como para quem compra.
Cadê o CREA nesta hora?

Veja só um exemplo;

Sobrado com salas de estar e jantar conjugados, e cozinha bem ampla com bancada que liga a sala de jantar
Sua garagem possui 15,75 m2 de área.Com 2 dormitórios, e mais uma suíte. Com uma ampla e confortável varanda.


Iluminada e Elegante - Cód. 82

Tamanho da casa:
7 metros de frente e 12,45 de fundos, incluindo medidas da garagem.
Sugestão de terreno mínimo para implantação: 9 metros de frente por 20 de fundos.

Assim você cola a casa na divisa do lote - em muitas cidades isso não é permitido.
Fica também sem janela no banheiro. Gasta só R$700,00 reais o metro quadrado (abaixo do valor de mercado atual). Há, esqueceram que a casa deverá ter um baita muro ou grade e portâo obstruindo a bela vista da casinha.
Como é que fica a questão da Responsabilidade Técnica na cidade onde se construirá? Vai precisar do "caneteiro". E o acompanhamento da obra, aspecto tão importante quanto o projeto?

Ah! Para seguir a mesma linha anti-ética, quem quiser comprar monografias, dissertações e teses baratinhas e exclusivas procure o site www.somonografias.com.br

Início das inscrições para o Mestrado em Arquitetura e Urbanismo


Enfim iniciaremos nosso curso de mestrado.

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação informa que encontram-se abertas até 26 de junho as inscrições para o processo de seleção do Mestrado em Arquitetura e Urbanismo.

Com a área de concentração "Planejamento e Avaliação do Espaço", o Mestrado terá início a partir de agosto deste ano.

Para mais informações, consulte o edital

https://phpsistemas.cpd.ufv.br/ccs_noticias/files/anexos/phpTitYvd_11701.pdf

30 maio 2010

Mudanças em Viçosa


Caiu o prefeito de Viçosa. Não foi um bom prefeito. Conseguiu muito pouca coisa em seis anos de mandato. Ainda não tivemos um bom prefeito, com uma visão de futuro e capaz de explorar o amplo potencial que Viçosa tem.

Não é certo ainda quem vai assumir. Mas quem quer que seja, a chapa que ficou em segundo lugar ou a Presidenta da Câmara Municipal, há que se pensar que poderemos ter uma oportunidade para rediscutir os rumos da cidade. Só é certo que Viçosa precisa ter seu se futuro pensado. O município precisa ter além de outras coisas, planejamento e ousadia na busca de desenvolvimento. Precisa ter secretários qualificados para ajudar na gestão. Quem sabe as mudanças poderão ser para melhor.

Mas é urgente retomar as discussões sobre a forma insustentável com que a cidade cresce. Para isso a participação de todos os setores da população é imprescindível. Precisamos de melhorias em todos os sentidos: da maquiagem de praças e espaços públicos bem cuidados, da limpeza das ruas ao planejamento urbano, que ainda engatinha. Será a hora de encarar os problemas de acessibilidade e mobilidade, até iniciar um planejamento sério para melhorar a infraestrutura, o trânsito, encarar os problemas ambientais graves, gerar empregos de qualidade, criar oportunidades para segurar o amplo conhecimento gerado na UFV e ampliar o alcance e qualidade da educação.

Temos visto exemplos das cidades vizinhas que já construíram seus anéis viários (Ponte Nova e Ubá) e conseguiram consolidar seus distritos industriais (Ubá, Rio Pomba e Visconde do Rio Branco, por exemplo). Temos carências como estas, mas também potencial para que obras deste porte sejam feitas em Viçosa.

Quem vier trará consigo a expectativa de mudanças. Mesmo que nos frustem, ainda será melhor que a falta de ação que aqui impera.

29 maio 2010

Senador Firmino: Patrimônio em risco



A igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em senador Firmino, MG (6822 habitantes, IDH: 0,730) não está em boas condições de preservação.

A imponente igreja do séc. XIX, embora tenha passado por recente trabalho de restauração do forro e de algumas de suas belas imagens, está com sua estrutura seriamente comprometida.

Há sinais da destruição silenciosa e ininterrupta de cupins por todos lados. Há descolamentos de reboco, deixando as paredes de adobe aparente. Nos fundos do altar, em madeira, acumulam-se móveis quebrados, livros, papéis, objetos de plásticos e outras imagens. Tudo forma um amontoado de material facilmente inflamável.

São necessárias medidas urgentes para que não se perca mais um importante exemplar da arquitetura do período imperial.

Pobre Zona da Mata mineira, corre também o risco de perder seu rico patrimônio.




Dores do Turvo: patrimônio em risco




A imponente igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, inaugurada em 1943, na pequenina Dores do Turvo (4600 habitantes, IDH: 0,711), em plena Serra da Mantiqueira, a 54 km de Viçosa, precisa de cuidados.

É uma igreja com algumas características ecléticas. Implantada sobre platô acima da praça, é acessível por ampla escadaria e rampa lateral. Sua planta é organizada em átrio ladeado por batistério e nicho com as figuras de Jesus, Maria, Maria Madalena, São Dimas e São João Evangelista. Se desenvolve em nave principal ladeada por duas naves laterais. Ao fundo, ao lado do altar, dividido por arco cruzeiro, ficam a capela e um conjunto de salas. Ao fundo a planta se desenvolve a partir de um decaedro dividido ao meio.

Suas duas torres se erguem, escoradas em contrafortes, em 4 blocos justapostos sendo que o quarto tem os cantos chanfrados e é encimado por cobertura cônica que termina em cruz de metal. Tem apenas uma entrada central ladeada pelas estátuas de São Pedro e São Paulo.

É riquíssima internamente, com pinturas e imagens de grande qualidade artística. Embora sóbria externamente, pois seu revestimento foi feito à base de pó de pedra não faltam cores internamente.Tem um raríssimo órgão tubular, ladrilhos hidráulicos variados em ótimas condições.

Está interditada porque há riscos para a segurança de seus frequentadores. As instalações elétricas não são seguras. Há algumas trincas, que aparentemente que afetam apenas o reboco, mas são perigosas pois podem soltar pedaços de uma grande altura e ferir gravemente as pessoas.

É necessário cuidar desse importante patrimônio cultural. A igreja precisa de projetos de incêndio, cuidados nas instalações, preservação das suas obras de arte.

22 maio 2010

Cidades e contrastes: índices de desenvolvimento

São Caetano - SP

Guaribas - PI

Nosso país continua muito desigual. Vejam os contrastes entre as áreas mais desenvolvidas – concentradas no estado de São Paulo – e as menos – espalhadas pelos estados do norte e nordeste brasileiro.

O País precisa de planejamento para corrigir tantas diferenças.

Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal - IFDM, divulgado em agosto de 2009, as 5 melhores cidades brasileiras são: São Caetano do Sul (0,9524), São José do Rio Preto (0,9182), Indaiatuba (0,9177), Araraquara (0,9172) e Jaguariúna (0,9111), todas de São Paulo. As 27 primeiras são de São Paulo.

As 5 piores são: Santa Luzia (5560º lugar -Bahia- 0,298), Uiramutã (5559º lugar - Roraima – 0,3141), Sebastião Barros (5558º lugar -Piauí - 0,3178), Nova Esperança do Piriá (5557º lugar – Pará - 0,3227) e Guaribas (5556º lugar – Piauí – 0,3323).

A melhor cidade mineira – Itabira – ficou apenas em 73º lugar. Viçosa estava apenas em 75º em Minas e 902º no Brasil.

Os critérios usados na formação do índice:

Emprego & Renda:

  • Geração de emprego formal
  • Estoque de emprego formal
  • Salários médios do emprego formal

Educação

  • Taxa de matrícula na educação infantil
  • Taxa de abandono
  • Taxa de distorção idade série
  • Percentual de docentes com ensino superior
  • Média de horas aula diárias
  • Resultado do IDEB

Saúde

  • Número de consultas pré-natal
  • Óbitos por causas mal definidas
  • Óbitos infantis por causas evitáveis


16 maio 2010

" A Brasilinha do Aécio"


Como diz o próprio mestre: podemos não gostar dos projetos que faz, mas não há nada parecido.

O centro administrativo de Minas Gerais, chamado de Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, com custo superior a R$ 1,4 bilhões de reais, recentemente inaugurado, tem pontos positivos e negativos.

O monumental complexo de edifícios abrigará toda a administração direta e indireta do Estado. Numa área de 804 mil metros quadrados, sendo 265 mil metros de área construída, o centro é formado pelo Palácio do Governo - com 146 metros de vão livre, considerado o maior vão suspenso do mundo -, dois edifícios em curva de 15 andares que abrigarão as secretarias, auditório, centro de convivência, praça cívica e lagos.

Há muitos pontos positivos, como as técnicas construtivas que permitiram a realização do maior prédio pendurado do mundo, dos inúmeros desafios de engenharia civil, a economia gerada pela concentração de serviços e funcionários.

Apesar dos argumentos de que o projeto foi amparado em um planejamento considerando os próximos vinte anos, ainda há aspectos ainda não amplamente explicitados como a realização dos estudos de impacto do deslocamento de mais de dezesseis mil funcionários até o local, o impacto urbanístico e ambiental na região. Sua plástica monumental é muito marcante, como quase tudo que Oscar Niemeyer faz.

Há ainda dúvidas quanto à performance do conforto térmico dos dois enormes edifícios revestidos em suas maiores extensões por vidros escuros que recebem insolação o dia inteiro.'

A insistência no acabamento em cor branco neve em pisos e tetos vai exigir constante reparação e limpeza, uma vez que há pouco inaugurado, o teto curvo do auditório já está encardido. Há sinais evidentes de acabamentos mal feitos como as trincas nos pisos e falhas nos gramados.

Urbanidades


Excelente site para estudantes e arquitetos e urbanistas.
Vale a pena conhecer.


09 maio 2010

Mestrado no DAU/UFV

A boa notícia veio esta semana.

A CAPES aprovou e o nosso mestrado em Planejamento Urbano e Projeto deverá iniciar sua primeira turma ainda este ano.

É o nosso próximo grande desafio. Nos coloca em um patamar muito maior de exigências para mantermos nosso reconhecido ótimo padrão de qualidade.

Nas próximas semanas serão divulgadas outras notícias e definidos os processos de editais e de seleção.

30 abril 2010

Vila Gianetti: a bola da vez do patrimônio

É forte, na UFV, o movimento para acabar com a Vila Gianetti. Há muitos dirigentes e simpatizantes (da idéia) que pensam que é melhor botar quase todas as 56 casas abaixo para deixar terrenos livres para construções mais modernas. É fácil passar um trator por cima da história. É triste ver que mesmo dentro da Academia, falta o reconhecimento do valor da história, da cultura e da arquitetura de um local único no Brasil.

A intenção é absurda: deixar umas casinhas para que os estudantes de Arquitetura e Urbanismo saibam que uma vez houve um conjunto de casas modernistas no Campus. Com o resto da nobre área, ocupar com novos prédios.

Não se deve querer destruir um patrimônio em que não são apenas as casas os elementos essenciais. É ignorar todo um conjunto urbano histórico e de qualidade que não se repetiu a não ser, talvez, como inspirador para o conjunto habitacional do Acamari.

Substituir belas casas por prédios modernos de boa qualidade arquitetônica? É isso que temos visto nesses últimos anos no Campus? Passar por cima da história? Repetir o que se quer fazer em toda a cidade que tem um patrimônio cultural?

Não há argumentos fortes em querer derrubar casas porque ocupam espaço nobre, que o próprio conjunto criou? Acabar com as casas porque a manutenção é cara? Quando é que houve manutenção de verdade? Será que são os únicos prédios que exigem manutenção? A praticidade pode sobrepujar a cultura?

É esse o desejo da Academia? Com certeza é de apenas uma parte desinformada.

Cabe aqui reiterar que sou contra a destruição do patrimônio histórico sexagenário, belo, original e único da Vila Gianetti. Gostaria de saber se estou só, num meio onde há Arquitetos e Urbanistas, Historiadores, Geógrafos, Sociólogos, Artistas, Educadores, Ambientalistas, Economistas Domésticos, Jornalistas e amantes da cultura e da história.

29 abril 2010

Arquitetos: uni-vos para não perecermos

Estamos vivendo uma vergonhosa situação. Há colegas cobrando valores absurdamente baixos, pagando para trabalhar e prejudicando toda uma classe. Não é possível aceitar que estejam cobrando R$2, 00 até R$1,00 o metro quadrado de projeto arquitetônico. É impossível garantir alguma qualidade baseada na cobrança desses valores. Há, infelizmente, Arquitetos e Urbanistas também com título de Engenheiros Civis, que não cobram pelo projeto arquitetônico. Desse jeito, eles fazem muito mal para as duas profissões e muito pouco para seus bolsos.

Organizemos alguma forma de discussão, criemos um Núcleo do IAB, uma Associação de Profissionais ou o que for possível. Essa terrível competição está passando uma imagem totalmente distorcida para a sociedade que ainda nos conhece como profissionais supérfluos, decoradores ou desenhistas de "plantas", que nos escolhe porque fazemos "projetos baratinhos". O pior é que agimos como se fôssemos assim mesmo.

Arquitetos e Urbanistas! Essa situação não pode continuar. É preciso, mais que nunca discutir esta situação! Temos que nos reunir de alguma maneira, pois estamos dando tiro no pé de nossa já prejudicada categoria profissional.

26 abril 2010

Água: padrão insustentável de consumo

Eis uma imagem aérea de Palm Springs, uma cidade da Califórnia. Cidade dos campos de golfe e gramados em pleno deserto. Seu padrão de consumo é superior a 800 litros de água por habitante por dia. Consumo muitas vezes superior à média de consumo adequada. A água não dura para sempre num deserto.